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Justiça mantém decisão que liga exposição química na Eli Lilly a danos em ex-funcionário e filha

Metrópoles   03 Dezembro 2025   779   Indústria Farmacêutica
Justiça mantém decisão que liga exposição química na Eli Lilly a danos em ex-funcionário e filha

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a condenação da Eli Lilly do Brasil, fabricante do Mounjaro, por expor um operador de produção a substâncias químicas tóxicas durante sete anos na unidade de Cosmópolis (SP). A decisão foi divulgada na última quinta-feira (27).

Segundo o TST, essa exposição levou às malformações congênitas da filha do trabalhador, que nasceu com mielomeningocele (defeito no fechamento da coluna vertebral do feto) e hidrocefalia (acúmulo de líquido no cérebro) em 1994.

A empresa foi condenada a pagar R$ 200 mil por danos morais e R$ 100 mil por danos estéticos, além de pensão vitalícia, plano de saúde, cadeira de rodas e despesas médicas da menina.

O pai da jovem trabalhou na Eli Lilly de 1988 a 1995, em contato direto com solventes orgânicos, aromáticos e compostos clorados usados na fábrica. Ainda segundo o TST, ele desenvolveu, ao longo dos anos, problemas neurológicos, comportamentais e físicos, como:

crises de pânico;

ansiedade;

perda de memória;

dores no corpo;

hipertensão;

e hepatite química.

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Exames realizados em 2013 confirmaram a contaminação dele e da filha por metais pesados e agentes considerados cancerígenos, mutagênicos e teratogênicos. Esses últimos são substâncias capazes de causar alterações no desenvolvimento do embrião ou feto, como as malformações.

O g1 pediu um posicionamento à Eli Lilly, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. Assim que a farmacêutica se manifestar, o texto será atualizado.

Exposição intensa a agentes químicos

Uma perícia apontou que havia, no ambiente da fábrica, diversos agentes capazes de interferir no desenvolvimento embrionário. O laudo concluiu que houve uma concausa, ou seja, mais de um fator contribuiu para o problema.

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Nesse caso, a predisposição genética se somou à exposição intensa aos agentes químicos. A perícia também observou a possibilidade de exposição indireta da mãe da criança, diagnosticada com câncer de mama, já que ela lavava as roupas e calçados usados pelo trabalhador.

A empresa contestou a relação entre o trabalho do pai e as sequelas da criança, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) “considerou consistente o conjunto de provas, formado por perícias ambientais, pareceres médicos e registros de exposição química”.

O TRT concluiu haver “risco relevante e falhas preventivas no ambiente de trabalho”. A Sétima Turma do TST manteve a decisão do TRT. O relator, ministro Cláudio Brandão, afirmou que o trabalho na unidade envolvia manipulação frequente de substâncias perigosas, o que criava um risco especial.

O relator lembrou ainda que já havia registro, em uma ação civil pública, de que “um imenso número de empregados” desenvolveu doenças relacionadas à contaminação no mesmo ambiente de trabalho.

A decisão da Sétima Turma foi unânime.

Gigante do setor

Neste mês, a Eli Lilly atingiu um valor de mercado de US$ 1 trilhão, tornando-se a primeira farmacêutica a entrar no clube exclusivo dominado por gigantes da tecnologia e reforçando sua ascensão como uma potência no setor de emagrecimento.

A valorização de mais de 35% das ações da empresa este ano foi impulsionada principalmente pelo crescimento explosivo do mercado de medicamentos para perda de peso, como o Mounjaro.

As vendas do tirzepatide da Lilly, comercializado como Mounjaro para diabetes tipo 2 e Zepbound para obesidade, também superaram as da Merck Keytruda como o medicamento mais vendido do mundo.

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