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J&J tenta empurrar vacinas com vida útil mais curta para a América Latina, diz diretor da Opas

Marcelo de Valécio   17 Mai 2021   3146   Indústria Farmacêutica
J&J tenta empurrar vacinas com vida útil mais curta para a América Latina, diz diretor da Opas

Johnson & Johnson pressionou a América Latina a aceitar vacinas contra a Covid-19 descongeladas, que têm vida útil mais curta, segundo revelou ao jornal Financial Times o diretor-assistente da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, conforme apurou o Valor.

Depois de descongelados, os imunizantes devem ser utilizados em até três meses. Com isso, alguns países poderiam não conseguir distribuir as vacinas antes do vencimento. Segundo Barbosa, a J&J estava pedindo que as doses fossem enviadas em temperatura de geladeira, em vez de congeladas, como exige a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A autorização de uso emergencial para a vacina da J&J estipula que as doses devem ser entregues entre -25ºC e -15ºC, temperatura em que a vida útil é de dois anos. Depois de descongelados, os imunizantes devem ser utilizados em até 90 dias.

Opas é o escritório regional da OMS para as Américas e lidera as negociações com a J&J para a entrega de vacinas por meio do Covax, o consórcio internacional que tenta garantir uma distribuição mais igualitária dos imunizantes entre os países.

“Todo mundo quer chegar a um acordo o mais rápido possível, mas não podemos aceitar vacinas que os países não terão tempo de usar”, afirmou Barbosa ao Financial Times. “Em certas circunstâncias, você pode aceitar 10% ou 15% da remessa com uma vida útil mais curta. Mas nossa recomendação é que os países só devem aceitar a -20ºC”.

Barbosa disse ainda que a J&J foi agressiva nas negociações e sugeriu que a empresa estava tentando se livrar de doses que não poderiam ser usadas de outra forma. “Talvez eles tenham vacinas que já foram descongeladas e queiram entregá-las pelo Covax”, sugeriu.

Apesar disso, segundo o diretor-assistente, a Opas continua negociando com a J&J e que espera resolver a questão antes da próxima semana. Conforme o princípio de acordo assinado pela empresa e a OMS, 200 milhões de doses devem ser entregues à Covax para distribuição no segundo semestre deste ano.

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Segundo Barbosa, as negociações com as farmacêuticas têm sido desafiadoras. As companhias estão exigindo proteções no caso do surgimento de efeitos colaterais imprevistos e não concordam com punições se houver atrasos na produção. “As empresas estão pedindo coisas que, em tempos normais, seriam inaceitáveis”, salientou.

Procurada pelo jornal inglês, a J&J não respondeu perguntas específicas sobre as negociações com a Opas. Em comunicado, a empresa informou que se comprometeu a distribuir 500 milhões de doses para os países mais pobres e que sua vacina, “de dose única e facilmente transportável, pode ser uma ferramenta importante na luta contra a Covid-19”.

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Vacina da J&J foi aprovada pela Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em março o pedido de uso emergencial da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo laboratório Janssen, do grupo Johnson & Johnson. Esse imunizante envolveu testes clínicos realizados em diferentes países, inclusive o Brasil, revelou o jornal Extra.

De acordo com o gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa, Gustavo Mendes, que é também professor da pós-graduação de Assuntos Regulatórios do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, a taxa de eficácia média da vacina é de 66,9% e pode ser aplicada em pessoas acima de 18 anos com ou sem comorbidade, incluindo idosos.

Segundo ele disse ao jornal na época da aprovação, a Agência constatou a segurança da vacina e ela pode ser usada em caráter emergencial sem oferecer risco à população. Conforme os estudos, a proteção oferecida pela vacina acontece após 14 dias da aplicação.

Mendes lembrou que a vacina tem efeito para impedir o desenvolvimento de casos graves da doença, mas não há comprovação de que o imunizante impeça a transmissão da doença. “Não temos evidência de que a vacina evite a transmissão de pessoa para pessoa”, afirmou ao Extra.

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