Indústrias Farmacêuticas do Brasil buscam por internacionalização
Segunda-feira, 19 de março de 2012
O país pode estar assistindo ao nascimento das primeiras indústrias farmacêuticas multinacionais de capital 100% brasileiro. São várias as empresas que têm direcionado seus esforços e estratégias de negócios para a internacionalização de seus produtos e serviços no setor de fármacos e medicamentos. Neste primeiro momento, a América Latina é o alvo das empresas do setor, porém Europa, África e Ásia também estão na agenda de internacionalização destas empresas.
Assim como a Eurofarma avançou em seu processo de internacionalização com aquisições na América Latina, a indústria farmacêutica Cristália também passou a ampliar sua presença fora do país. Em 2011, o grupo adquiriu o laboratório argentino IMA, especializado em medicamentos oncológicos. Já o Grupo Hypermarcas apostava em um projeto de crescimento destinado ao mercado internacional por meio da exportação, enquanto a EMS buscava acordos de licença e distribuição no exterior.
“Já entendemos o mercado interno, que segue as normas da Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Agora está na hora de entendermos como funciona o segmento no exterior, e assim fechar parcerias internacionais para distribuição dos produtos e, no futuro, estudar até mesmo a abertura de plantas fabris fora do País”, revelou Thaler, do Grupo Hypermarcas, ao DCI – Diário do Comércio e Indústria.
O gerente de Novos Negócios da EMS, José Piccolotto, comentou ao DCI que “hoje a dificuldade para exportar é grande, sobretudo pelo alto custo a ser pago pelas informações do mercado no qual se pretenda entrar. Para isso torna-se fundamental o apoio do governo, entidades e instituições de classe.”
Algumas ações de entidades e instituições do setor já têm somado esforços para a internacionalização das indústrias farmacêuticas do Brasil. A Apex e o ICTQ são exemplos claros de fomento à estratégia das indústrias que buscam por internacionalização.
A Apex Brasil, agência de fomento à exportação, acertou uma parceria com a Associação Brasileira da Indústria Farmacoquímica e de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi) para dar suporte e promover a internacionalização das marcas nacionais junto a um conjunto de países.
Já o ICTQ, um instituto de pós-graduação exclusivo do setor farmacêutico, passou por um profundo processo de internacionalização naquele período. Além de internacionalizar seus cursos com professores da América do Norte, América Latina e Europa, a instituição lançou ainda uma especialização totalmente em inglês com quadro de docentes estrangeiros – o Pharmacist’s Strategic Specialization.
Segundo a Apex Brasil, foram relacionados mercados prioritários. Em fármacos, Rússia, Alemanha, Espanha, Argentina, Colômbia e México estavam entre os países prioritários; os dois últimos se juntavam a Arábia Saudita, África do Sul, Angola e Venezuela para produtos farmacêuticos. Em todos seriam trabalhadas questões como o aumento da visibilidade do marco regulatório brasileiro, bem como o conhecimento sobre o funcionamento destes mercados pelos fabricantes nacionais.
Segundo assessoria de imprensa do ICTQ, o objetivo da internacionalização do conhecimento técnico-científico na indústria farmacêutica junto aos profissionais que se especializam na instituição é promover a troca de conhecimentos regulatórios e tecnológicos entre mercados internacionais, além de preparar os profissionais brasileiros para uma atuação global.
Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de Marcus Andrade e revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.
















