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Indústrias Farmacêuticas brasileiras se preparam para explorar 1,5 mil patentes que expiram até 2030

Valor Econômico   01 Julho 2025   1453   Indústria Farmacêutica
Indústrias Farmacêuticas brasileiras se preparam para explorar 1,5 mil patentes que expiram até 2030

A indústria farmacêutica nacional se prepara para explorar o fim de patentes de pelo menos mil produtos nos próximos cinco anos, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina (Abifina). A entidade não tem uma estimativa exata de qual é o mercado potencial a partir de 2030, mas o presidente-executivo Andrey Freitas acredita que o horizonte seja de “centenas de milhões de reais”. “Essa é uma estimativa conservadora e não considera o desenvolvimento de várias cadeias relacionadas, como de embalagens e infraestrutura de fábricas, que nem temos como quantificar”, afirma ao Valor.

A maior parte dos medicamentos é destinada ao combate ao câncer e, atualmente, alguns deles estão na faixa de R$ 342,7 mil a R$ 726 mil mensais em custo por paciente. A lista de produtos que deixarão de ter exclusividade em breve é extensa e inclui, além dos chamados antineoplásicos, produtos de baixo tíquete médio, como analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos. De acordo com a entidade, são ao todo 186 indicações terapêuticas.

Freitas aponta que os prazos de patentes e os aspectos de propriedade intelectual de medicamentos sempre estiveram no radar da indústria, especialmente das empresas associadas da Abifina. Essa, porém, é a primeira vez que a entidade compila e divulga os princípios ativos que perderão a exclusividade para seus criadores. Considerando as tecnologias protegidas no desenvolvimento dos medicamentos, o número sobe de mil para cerca de 1,5 mil patentes.

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A expectativa da Abifina é que a lista seja um norte para a produção nacional nos próximos anos, especialmente em atuações conjuntas com o poder público, como as Parcerias para o Desenvolvimento Produto (PDPs) e os Programas de Desenvolvimento e Inovação Local (PDILs).

“As parcerias não podem depender de um governo específico. Os processos de seleção em ciclos regulares incentivam a pesquisa e, se um projeto não for selecionado, os envolvidos não terão dúvida de que o próximo ciclo vai acontecer. Além disso, os ciclos podem ter interligação e pensar de forma estratégica: se não há insumo necessário para uma vacina aprovada, o próximo ciclo vai estimular a produção desses insumos e completar a cadeia”, diz.

Uma das sugestões da Abifina que está sendo discutida junto ao governo federal é a participação dos órgãos de controle desde o início das negociações. A ideia é que as parcerias público-privadas sejam desenhadas já em conformidade, evitando que a fiscalização em fases finais leve a um retrabalho ou mesmo descarte dos projetos.

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“Os órgãos de controle têm a percepção das prioridades nacionais e eles são especialistas em fazer esse tipo de análise de viabilidade econômica. Pode haver demora nos primeiros ciclos, mas depois o resultado é mais rápido, porque há o entendimento entre indústria e poder público”, acredita Andrey Freitas.

O Ministério da Saúde anunciou no final de maio parcerias público-privadas para produção de vacinas com tecnologia de RNA mensageiro e medicamentos para doenças raras. De acordo com a pasta, doenças como esclerose múltipla, fibrose cística e atrofia muscular espinhal (AME) movimentam cerca de R$ 2 bilhões anuais no Sistema Único de Saúde (SUS).

O compartilhamento de tecnologia para o desenvolvimento nacional de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) é um dos pontos sensíveis para a indústria nacional, na avaliação da Abifina. Freitas destaca que a dependência externa de insumos ficou explícita durante a pandemia de covid-19, com a disrupção das cadeias de produção, mas é uma questão perene.

Um levantamento da Fiocruz sobre a produção de IFA no Brasil aponta que apenas 5% dos insumos utilizados no Brasil são produzidos no país, a partir de 37 empresas localizadas nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

A lista de fabricantes inclui farmacêuticas como Biomm e Blanver, além da própria Fiocruz e do Instituto Butantan.

De acordo com a Fiocruz, 90% das produtoras de IFA possuem parcerias, enquanto 60% delas já participaram de PDPs junto ao poder público.

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