Skip to main content

Governo de SP suspende contrato com a EMS para produção de genéricos

Wandy Ribeiro   24 Dezembro 2019   8181   Indústria Farmacêutica
Governo de SP suspende contrato com a EMS para produção de genéricos

Terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Foi suspensa por 90 dias a Parceria Público-Privada (PPP) entre a Fundação Remédio Popular (Furp), que é o laboratório farmacêutico oficial do Governo do Estado de São Paulo, e a Concessionária Paulista de Medicamentos (CPM), controlada pela farmacêutica EMS.

Com previsão para terminar apenas em 2028, o contrato ficará suspenso por três meses, a partir de janeiro de 2020. Firmada desde a gestão anterior, durante o Governo Alckimin (PSDB), a PPP para produção de medicamentos pela fábrica da Furp, sediada em Américo Brasiliense, interior de São Paulo, previa a produção de 96 produtos. No entanto, em dezembro de 2019, 6 anos depois, a fábrica produz apenas 19, e gasta em média R$ 90 milhões por ano.

De acordo com o superintendente da Furp, Afonso Celso, a suspensão da PPP está amparada por meio de um estudo encomendado à Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), órgão vinculado à Universidade de São Paulo (USP). O levantamento mostra que, com o atual contrato, o Estado tem um prejuízo anual de R$ 50 milhões.

“Os remédios adquiridos pela PPP custam, em média, três vezes mais do que se fossem adquiridos de outros fornecedores, por licitação. Não vem funcionando bem, nasceu desequilibrada”, afirmou o gestor, em entrevista ao Valor Econômico.

Celso também explicou que, quando foi assinada, a PPP seguiria dois critérios: o preço seria regulado pela Câmara de Regulação de Mercado de Medicamento (CMED) e teria uma lista de produtos já estabelecida. “Os reajustes de medicamentos, de 2017 para cá, foram todos pagos. Dos 96 produtos previstos, 50% deles a Secretaria Estadual de Saúde já não usa mais. E no contrato se previa ajuste de portfólio de cerca de 10%. É um acordo muito engessado”, completou.

Entretanto, nos dois anos anteriores, 2015 e 2016, o Governo ficou com uma dívida de R$ 108 milhões, por não ter pago os valores tabelados, mas os preços acordados em licitação.

Outro ponto levantado pelo superintendente é que a EMS teria se comprometido em realizar um investimento de R$ 130 milhões na fábrica para aumentar a capacidade de produção de 1,26 bilhão de comprimidos. No entanto, de acordo com Celso, nesse período, a farmacêutica aplicou R$ 6 milhões na unidade.

Em contrapartida, a EMS disse, por meio de nota à imprensa, que ainda não foi notificada sobre a suspensão efetuada pelo Governo do Estado de São Paulo. O laboratório privado ainda garantiu que estão sendo efetuadas todas as determinações do contrato em relação à infraestrutura da fábrica. "Realizamos os aportes nos prazos e condições acordados", afirmou.

Por fim, Celso enfatizou que o Governo quer chegar a um acordo com a EMS, no prazo de 90 dias da suspensão. Se não for possível, deverá encerrar o contrato com a empresa amparado por um projeto de lei que deverá ser aprovado pelo Legislativo. “Essa fábrica produz 304 milhões de remédios e emprega 125 funcionários. Com a suspensão, a empresa será responsável pela manutenção e pelos empregados”, finalizou.

Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de Wandy Ribeiroe revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

Nanotecnologia amplia possibilidades no desenvolvimento de medicamentos

Terça-feira, 3 de janeiro de 2017 Até pouco tempo era inimaginável pensar na m…

Fiocruz fará produção nacional de medicamento oral para esclerose múltipla

A Fiocruz anunciou uma parceria com a Merck e a Nortec Química para produzir no…

Pesquisa farmacêutica brasileira avança com nanotecnologia contra intoxicações graves

Uma linha de pesquisa conduzida há três décadas pela farmacêutica e professora…

Butantan solicita à Anvisa registro da 1ª vacina contra dengue em dose única do mundo

O Instituto Butantan enviou à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)…

Quebra de patentes pode afastar laboratórios estrangeiros, dizem entidades da indústria

Aprovado no Senado na semana passada, o projeto de lei que autoriza a quebra de…

Indústrias investem recursos milionários em medicamentos biológicos

Considerados a nova fronteira da inovação da indústria farmacêutica mundial nas…

Bayer fecha acordo bilionário em ação contra produto cancerígeno

A gigante do ramo químico e farmacêutico Bayer anunciou que vai pagar até US$ 1…

Teuto lança medicamento para tratamento do glaucoma

O Laboratório Teuto acaba de lançar no mercado farmacêutico um antiglaucomatoso…

Pesquisadores iniciam testes em medicamento que, possivelmente, simula os efeitos do exercício físico no corpo

Imagine por um momento que você pudesse obter os benefícios do exercício sem mo…

Eurofarma traz para o Brasil analgésico de longa duração

O laboratório brasileiro Eurofarma anunciou que está trazendo ao País a suspens…