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Estudo brasileiro indica que cannabis medicinal pode retardar a progressão do Alzheimer

Metrópoles   09 Fevereiro 2026   410   Indústria Farmacêutica
Estudo brasileiro indica que cannabis medicinal pode retardar a progressão do Alzheimer

Um curativo já disponível no mercado brasileiro, mas ainda pouco utilizado na rede pública, pode reduzir a dor dos pacientes, encurtar o tempo de internação e diminuir em mais de 30% o custo total do tratamento de queimaduras profundas.

É o que mostra um ensaio clínico realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), que comparou o método tradicional com a tecnologia, mais moderna na cobertura das feridas.

O estudo foi desenvolvido durante o doutorado do cirurgião plástico Juliano Baron Almeida, sob orientação do professor Jayme Adriano Farina Junior, na Universidade de São Paulo. O artigo foi aceito para publicação na Journal of Wound Care e deve sair no segundo semestre deste ano.

Foram acompanhados 40 pacientes internados na Unidade de Queimados do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). Metade recebeu o tratamento padrão, com aplicação diária de creme de sulfadiazina de prata e troca de curativos todos os dias.

A outra metade usou um curativo de espuma com prata, que pode permanecer na pele por até uma semana, reduzindo a necessidade de manipular a ferida.

Durante a internação, os pesquisadores avaliaram dor, desconforto, infecção, necessidade de novos enxertos, tempo de hospitalização e custo total do tratamento. Segundo Almeida, a pesquisa nasceu de um problema prático vivido no dia a dia do hospital.

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Sempre existiu um dilema: oferecer mais conforto ao paciente, mas sem aumentar os gastos do SUS. A gente sabia que existiam curativos mais modernos, que trocam menos vezes, mas faltavam dados para provar que eles realmente compensavam financeiramente.

— Juliano Baron Almeida

Ele explica que, no modelo tradicional, a rotina é desgastante.

“O paciente queimado precisa trocar o curativo todo dia. Isso dói muito. Muitas vezes precisa de morfina. É um sofrimento repetido. Quando você reduz essas trocas para uma vez por semana, a experiência muda completamente”, diz.

Menos dor e alta mais rápida

Os resultados mostraram melhora em vários indicadores clínicos. Os pacientes que usaram o curativo moderno, de espuma com prata, relataram menos dor em repouso e durante as trocas, menos desconforto e maior facilidade no manuseio do material pela equipe. Também houve tendência a menos infecções e menor necessidade de novas cirurgias.

O tempo médio de internação caiu de 29,6 dias para 20,7 dias, cerca de nove dias a menos no hospital.

“São pacientes graves, que muitas vezes precisam de enxerto de pele e ficam internados por semanas. Conseguir antecipar a alta em quase dez dias faz muita diferença para o doente e para o hospital”, afirma o pesquisador.

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Economia superior a R$ 8 mil por paciente

Mesmo custando mais caro por unidade, o curativo moderno reduziu o gasto total. Cada placa do curativo moderno saía por R$ 202,50, enquanto um pote de sulfadiazina, produto usado no método tradicional, custava R$ 21,70.

Por outro lado, de acordo com dados levantados, o custo médio por paciente foi:

R$ 28.250,19 com o tratamento tradicional

R$ 19.600,21 com o curativo moderno de espuma com prata

A economia foi de R$ 8.649,98 por paciente, uma redução de 30,6%.

Os cálculos incluíram diárias, medicamentos, equipe, centro cirúrgico e materiais. Só a diária na Unidade de Queimados custava R$ 698,34. Apesar da diferença no preço unitário, o pesquisador diz que o principal peso está na internação.

Por que, então, o curativo ainda é pouco usado?

Apesar da economia no resultado final, o produto ainda não é adotado de forma rotineira na rede pública. Segundo o pesquisador, o principal obstáculo é o custo inicial mais alto por unidade, o que dificulta a compra em larga escala pelos hospitais.

Quando você olha só o preço do material, ele assusta. A placa custava cerca de R$ 200, enquanto a pomada custava R$ 30. Sem estudos mostrando o custo total do tratamento, os hospitais acabam escolhendo o que parece mais barato na prateleira. O que a gente mostrou é que, no fim, ele sai mais econômico.

— Juliano Baron Almeida

Produto já existe, mas não é rotina

O curativo moderno utilizado possui registro válido na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Ao g1, a agência disse que o produto é indicado para feridas com exsudação leve a moderada e queimaduras superficiais, podendo ser usado sob supervisão profissional.

A pesquisa da USP testou a tecnologia em queimaduras profundas, grupo em que ainda há poucos estudos, mas mostrou a efetividade do curativo.

Procurado pelo g1, o Ministério da Saúde informou que o SUS oferece diferentes tipos de curativos e que a escolha depende dos protocolos de cada hospital, considerando evidências científicas e custo-efetividade.

Na prática, segundo Almeida, o uso ainda é pontual.

“Ele já é aprovado e seguro, mas não virou padrão. Muitas vezes é usado só em casos específicos. O que a gente queria mostrar era que não é só confortável...é economicamente viável também”, afirma.

Para o pesquisador, os dados indicam que a tecnologia pode se tornar alternativa ao modelo tradicional no tratamento de queimaduras mais graves.

Se a gente consegue tratar melhor, causar menos dor e ainda gastar menos dinheiro público, é uma mudança que faz sentido. O objetivo é melhorar a vida do paciente e usar melhor os recursos do sistema de saúde.

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