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Astrazeneca nega atuar com empresa citada em suposto escândalo de propina

Marcelo de Valécio   01 Julho 2021   3628   Indústria Farmacêutica
Astrazeneca nega atuar com empresa citada em suposto escândalo de propina

Astrazeneca negou ontem (30/6) que tenha relação com a Davati Medical Supply, empresa citada na CPI da Covid como intermediária na venda de imunizantes ao Governo Federal, revelou o Valor. Segundo as denúncias, integrantes do governo Jair Bolsonaro teriam pedido propina para um representante da Davati para compra de vacinas do laboratório sueco-britânico.

Durante depoimento de hoje (1/7) à CPI da Covid, o policial militar e também representante comercial Luiz Paulo Dominguetti confirmou aos senadores a denúncia de que o ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias pediu propina de US$ 1 por dose de vacina, revelou O Globo.

Ainda segundo o jornal, Dominguetti tinha se apresentado como representante da Davati – que diz ser intermediária na venda da vacina Astrazeneca – e denunciou um suposto esquema de propina no Governo em entrevista à Folha na terça-feira (29/6). Conforme a reportagem, teria sido oferecido ao Ministério da Saúde, em nome da Davati, 400 milhões de doses da vacina da Astrazeneca.

Segundo a CNN, a Davati confirmou em nota que o empresário Luiz Paulo Dominguetti intermediou negociações de doses de vacina contra Covid-19 com o Ministério da Saúde. A empresa afirmou, no entanto, que ele se tratava de um ‘vendedor autônomo’ e que não possuía vínculo empregatício.“Neste caso, ele apenas intermediou a negociação da empresa com o Governo, apresentando o senhor Roberto Dias”.

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A empresa, contudo, disse não ter conhecimento sobre suposto pedido de propina. “Sobre a denúncia relatada por Dominguetti, de que o Ministério da Saúde teria solicitado uma ‘comissão’ para a aquisição das vacinas, a Davati afirma que não tem conhecimento”, informou a CNN.

A Astrazeneca, por sua vez, destacou que todos os convênios no Brasil foram realizados diretamente via Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Governo Federal. “Nos últimos meses, trabalhamos para cumprir nosso compromisso de acesso amplo e equitativo e fornecer a vacina para o maior número possível de países ao redor do mundo. Neste momento, todas as doses da vacina estão disponíveis sob acordos assinados com governos e organizações multilaterais em todo o mundo, incluindo a Covax Facility, afirmou a empresa, em nota, conforme o Valor.

Ainda segundo o comunicado, “a Astrazeneca não disponibiliza a vacina por meio do mercado privado ou trabalha com qualquer intermediário no Brasil. Todos os convênios são realizados diretamente via Fiocruz e Governo Federal”.

O caso brasileiro não é o primeiro escândalo envolvendo a Davati com comercialização de vacinas contra Covid-19, segundo apurou o Valor. A empresa foi considerada suspeita de tentar aplicar golpes pelo governo federal canadense e pelo governo de uma província naquele país. As acusações vieram à tona no Canadá em março, quando a Davati tentava vender às autoridades locais e a lideranças indígenas vacinas contra Covid-19 da Astrazeneca.

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No Brasil, o assunto também causou estranheza entre representantes do setor de saúde, pois a Davati é uma empresa desconhecida tanto em transações na área privada quanto pública. O Valor afirma ter ouvido 11 executivos de distribuidoras de medicamentos, hospitais, operadoras de planos de saúde e entidades de classe e todos disseram que nem sequer tinham ouvido o nome da distribuidora antes da denúncia envolvendo suposta oferta de propina por representante do Ministério da Saúde.

A Davati tentou também vender vacinas a cidades do Paraná, mas a negociação desandou, segundo o portal Metrópoles. O Consórcio Paraná Saúde – formado por 398 dos 399 municípios do Estado – tentou intermediação da Davati. Documentos analisados pelo portal mostram que no dia 9 de março deste ano o consórcio demonstrou o interesse em adquirir 2 milhões de doses da vacina da Astrazeneca, com a possibilidade de adquirir mais 17 milhões depois.

No entanto, as tratativas não prosperaram. Segundo o consórcio, a proposta, assim como outras feitas para aquisição de vacinas, não foram fechadas. Em nota enviada ao Metrópoles, o consórcio afirmou que os motivos foram a “inviabilidade de entrega” e a “impossibilidade de exclusividade de compras por Estados e municípios”.

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