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Acordo com russos poderá vacinar 100 milhões de brasileiros em seis meses

Marcelo de Valécio   14 Setembro 2020   9092   Indústria Farmacêutica
Acordo com russos poderá vacinar 100 milhões de brasileiros em seis meses

A União Química fechou acordo com o Fundo Soberano da Federação da Rússia, que coordena o desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 (Sputnik V), para produção do imunizante no Brasil, segundo revelou o Valor Econômico. Executivo russo disse ter possibilidade de vacinar metade da população brasileira em meio ano.

De acordo com o jornal, o acordo deve ser anunciado nesta semana e prevê que a produção da empresa brasileira será destinada também a outros países da América Latina. A Rússia, primeiro país a aprovar uma vacina contra a Covid-19, tem procurado produzir a vacina na Índia, Coreia do Sul, Arábia Saudita e Cuba.

Na semana passada, o fundo anunciou acordo para fornecimento de 32 milhões de doses para o México. O CEO do fundo russo, Kirill Dmitriev, afirmou ao Valor que “o Brasil é um parceiro estratégico muito importante” para o antígeno de seu país.

O executivo disse ter condições de fornecer ao Brasil 100 milhões de vacinas para imunizar metade da população no prazo de seis meses. O fundo, que já fez acordos com a Bahia e o Paraná, discute com outros cinco Estados e iniciou conversações também com o governo federal, de forma a organizar a produção do imunizante para distribuição no Brasil e outros países da América Latina.

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Com a Bahia, o Fundo Soberano fez acordo para fornecer até 50 milhões de doses da Sputnik V, a primeira vacina registrada contra o vírus. Quer iniciar testes clínicos no Estado ainda este mês, dependendo do sinal verde das autoridades de regulação. O acordo habilitará a Rússia e a Bahia a distribuir a vacina no Brasil, no futuro, apurou o Valor.

A entrega das doses à Bahia é esperada para começar em novembro, se os ensaios clínicos em curso forem aprovados pelas autoridades de regulação. Os resultados preliminares dos testes com 40 mil voluntários, sobretudo na Rússia, devem ser publicados em outubro ou novembro, segundo o fundo russo.

“Queremos garantir acordos com vários Estados, estamos conversando com cinco, mas temos limitação sobre o tamanho da nossa produção”, afirmou Dmitriev ao Valor. “Podemos fornecer ao Brasil cerca de 100 milhões de vacinas, cada uma com dois shots (doses), em meio ano”.

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A União Química não produz vacinas e a parceria com o fundo russo seria a primeira incursão nessa área. Os aportes estão em análise, apurou o Valor. Pelo acordo firmado, haverá transferência de tecnologia para o laboratório. A parceria surgiu porque a empresa estava em negociações na Rússia para trazer um medicamento ao Brasil. Quando veio a pandemia, o governo russo passou a olhar a companhia como parceira na América Latina.

De acordo com o laboratório, sua estrutura industrial, tecnológica e biotecnológica no Brasil será disponibilizada para apoiar o desenvolvimento e produção da vacina. Contudo, “por conta de acordos de confidencialidade não podemos divulgar mais detalhes técnicos e científicos”, revelou a empresa ao jornal.

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