A Geolab está ampliando os investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e preparando uma nova fase de crescimento que pode aumentar a demanda por profissionais qualificados no polo farmacêutico de Anápolis, em Goiás.
Os medicamentos genéricos ainda representam aproximadamente 70% da operação da companhia, mas a indústria vem direcionando recursos para medicamentos de prescrição, especialidades, novas plataformas farmacêuticas e produtos de maior valor agregado.
Em entrevista concedida ao portal Panorama Farmacêutico, executivos da Geolab detalharam que a companhia destina atualmente cerca de 8% do faturamento anual para PD&I, o equivalente a aproximadamente R$80 milhões a R$100 milhões por ano, sem considerar gastos com pessoal.
A estrutura dedicada à inovação reúne 156 profissionais, enquanto outra entrevista concedida pelo diretor comercial Aramis Domon ao Guia da Farmácia, durante a Abradilan Conexão Farma 2026, apontou uma esteira com mais de 80 projetos em desenvolvimento.
Sediada no Distrito Agroindustrial de Anápolis, o DAIA, a Geolab está instalada em uma das principais regiões da indústria farmacêutica brasileira.
Geolab quer crescer além dos genéricos
A mudança de estratégia não significa abandonar os genéricos. Eles permanecem como o principal negócio da companhia e sustentam grande parte de sua presença nacional.
O movimento consiste em utilizar essa estrutura para avançar sobre segmentos em que desenvolvimento tecnológico, diferenciação e prescrição médica têm maior peso.
Segundo o material divulgado pelo Panorama Farmacêutico, a Geolab pretende ampliar sua participação em áreas como especialidades, medicamentos de prescrição e novas tecnologias farmacêuticas.
A companhia também vem apostando em inteligência artificial, digitalização e medicina personalizada, enquanto observa biológicos, biossimilares e tratamentos para doenças crônicas como potenciais vetores de crescimento.
A estratégia ocorre sobre uma operação que já alcançou escala nacional. Dados divulgados anteriormente pela própria companhia já colocavam a Geolab entre as empresas com presença em dezenas de milhares de farmácias brasileiras e faturamento na casa do bilhão de reais.
P&D recebe até R$ 100 milhões por ano
Boa parte da transformação está concentrada no laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento.
Entre as tecnologias estudadas estão medicamentos de liberação prolongada, sistemas transdérmicos e microesferas injetáveis, plataformas capazes de modificar a forma como o princípio ativo é disponibilizado ao organismo e, em alguns casos, reduzir a frequência de administração.
Ao Panorama Farmacêutico, Roberto Debom, conselheiro técnico científico de governança e diretor da área, explicou que a adesão ao tratamento faz parte da lógica utilizada para selecionar projetos.
Isso significa que a inovação não depende necessariamente da descoberta de uma molécula inédita. Uma formulação capaz de manter concentrações terapêuticas por mais tempo, reduzir o número de doses ou facilitar a administração também pode representar avanço relevante.
A companhia utiliza ainda inteligência de mercado para acompanhar medicamentos de alto custo, oportunidades relacionadas ao vencimento de patentes e nichos terapêuticos nos quais exista possibilidade de diferenciação.
O reforço atual representa uma aceleração de uma estratégia que já vinha sendo construída. Em reportagens anteriores, a empresa informava investimentos recorrentes em P&D e planos de modernização e ampliação de sua estrutura industrial.
Mais de 80 projetos estão em desenvolvimento
Durante a Abradilan Conexão Farma 2026, Aramis Domon afirmou ao Guia da Farmácia que a área de P&D mantinha mais de 80 projetos em andamento.
Na ocasião, o executivo também informou que a companhia havia alcançado aproximadamente R$1,2 bilhão em faturamento e contava com mais de 150 profissionais dedicados à pesquisa.
A dimensão dessa esteira ajuda a mostrar a mudança pretendida pela empresa. Um pipeline com dezenas de projetos demanda trabalho desde a avaliação inicial da oportunidade até desenvolvimento farmacotécnico, estudos analíticos, estabilidade, produção de lotes, escalonamento industrial e submissão regulatória.
Nem todos esses projetos necessariamente chegarão ao mercado. A própria natureza de P&D envolve seleção, testes, reformulação e interrupção de candidatos que não alcançam os resultados técnicos ou comerciais esperados.
Por isso, aumentar simultaneamente investimentos, equipe e número de projetos significa ampliar a capacidade da empresa de manter diferentes tecnologias em desenvolvimento.
Patentes passam a integrar a estratégia
Outro indicativo da mudança está na propriedade intelectual. Em entrevista ao Panorama Farmacêutico, a Geolab informou possuir duas patentes depositadas e outras duas em preparação, relacionadas às plataformas tecnológicas desenvolvidas internamente.
A expectativa apresentada pela empresa é concluir os primeiros ciclos completos desses projetos e protocolar novos pedidos de registro na Anvisa em aproximadamente três anos.
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O movimento representa uma transição importante. Fabricar genéricos exige capacidade tecnológica e industrial, mas desenvolver uma plataforma própria protegida por patente adiciona uma etapa diferente de inovação.
Nesse modelo, a empresa passa a gerar propriedade intelectual associada ao próprio desenvolvimento.
Oftalmologia mostra caminho da diversificação
A oftalmologia já funciona como um exemplo dessa expansão para fora do negócio tradicional.
A Geolab realizou investimentos superiores a R$300 milhões em uma unidade voltada à produção de colírios e tornou-se uma das maiores fabricantes dessa categoria no país.
Agora, a companhia pretende avançar também na prescrição.
Segundo a entrevista concedida ao Panorama Farmacêutico, sua vertical GBio possui atualmente 17 produtos e deve encerrar 2026 com faturamento próximo a R$140 milhões.
A empresa afirma ocupar a quarta posição em prescrição na área oftalmológica e prevê lançar dois produtos por ano nos próximos cinco anos.
A estratégia pode futuramente alcançar medicamentos biológicos utilizados em oftalmologia, segmento que inclui terapias destinadas a condições como a degeneração macular relacionada à idade.
O avanço nessa área acompanha uma expansão que já vinha ocorrendo. A companhia havia elevado sua capacidade produtiva de colírios e colocado a oftalmologia entre os pilares de crescimento nos anos anteriores.
Expansão acontece dentro de Anápolis
A localização da Geolab torna esse movimento especialmente relevante para farmacêuticos goianos. A companhia está instalada no DAIA, em Anápolis, município que concentra uma importante estrutura industrial farmacêutica. A própria empresa descreve sua localização como estratégica para o setor e mantém no complexo sua operação industrial.
Quando uma indústria instalada nesse polo aumenta investimentos em desenvolvimento, amplia sua carteira de projetos e passa a trabalhar com tecnologias mais complexas, cresce também a necessidade de capital humano capaz de sustentar essa operação.
A demanda não fica restrita ao laboratório de P&D. Novos projetos precisam avançar por desenvolvimento analítico, produção, garantia e controle da qualidade, assuntos regulatórios, validação, transferência de tecnologia, farmacovigilância e outras etapas até chegar ao mercado.
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Os investimentos anunciados não representam, por si só, uma promessa de novas vagas ou uma previsão oficial de contratações. Mas uma expansão dessa magnitude cria condições para aumentar a demanda por competências especializadas, especialmente em uma região onde a operação industrial já está estabelecida.
Qualificação pode definir quem acessará essas oportunidades
Para o farmacêutico de Goiás, especialmente quem está em Anápolis e região, a transformação da Geolab ajuda a mostrar para onde parte da indústria está caminhando.
O mercado deixa de exigir apenas profissionais capazes de executar processos consolidados e passa a demandar pessoas preparadas para participar do desenvolvimento de novas formulações, trabalhar com tecnologias farmacêuticas mais complexas e interpretar requisitos científicos e regulatórios.
Esse movimento ganha peso quando acontece dentro de uma empresa que já possui escala nacional, mais de duas décadas de atuação e uma estrutura industrial consolidada no próprio estado. A Geolab foi criada em 1999 e mantém sua sede no DAIA.
O investimento de até R$100 milhões anuais em PD&I, a manutenção de dezenas de projetos e a busca por medicamentos de maior valor agregado colocam o conhecimento técnico no centro da estratégia de crescimento.
Para o farmacêutico que pretende disputar espaço nesse avanço da indústria goiana, a oportunidade tende a acompanhar uma exigência proporcional: quanto mais sofisticados se tornam os projetos desenvolvidos em Anápolis, maior é a necessidade de profissionais preparados para participar deles.
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