A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e proibiu a comercialização, a distribuição e o uso do lote KT0S5T4 do medicamento Nebido após receber um comunicado da empresa responsável pelo registro do produto.
A medida consta na Resolução-RE nº 3.055, de 4 de agosto de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 6 de agosto. A ação possui caráter preventivo e alcança todas as unidades identificadas com o lote informado.
De acordo com a resolução, a Grünenthal do Brasil Farmacêutica informou que não reconhece o lote como original. A empresa também afirmou que a numeração não foi produzida para o mercado brasileiro nem para qualquer outro país onde o medicamento é comercializado.
Divergências na impressão indicaram possível falsificação
A suspeita foi reforçada pela identificação de diferenças no padrão de impressão dos dados variáveis presentes na embalagem analisada.
Esses dados normalmente incluem informações como lote, fabricação e validade. Embora ocupem uma pequena área da embalagem, são fundamentais para a identificação e a rastreabilidade do medicamento ao longo da cadeia de produção e distribuição.
No caso do Nebido, a combinação entre um lote não reconhecido pela fabricante e divergências na impressão levou a Anvisa a classificar a ocorrência como indício de falsificação. A resolução não identifica a empresa responsável pela produção irregular e registra o fabricante como não identificado, com CNPJ desconhecido.
A Agência fundamentou a medida preventiva no artigo 7º da Lei nº 6.360/1976 e no inciso XV do artigo 7º da Lei nº 9.782/1999, dispositivos que permitem a adoção de ações sanitárias diante de produtos que possam representar risco à saúde.
Nebido é um medicamento injetável de longa duração
O Nebido contém undecilato de testosterona e é indicado para a reposição hormonal em homens com hipogonadismo, condição caracterizada pela produção insuficiente de testosterona.
O medicamento é administrado por injeção intramuscular e possui ação prolongada. Em tratamentos regulares, as aplicações podem ocorrer em intervalos de várias semanas, conforme avaliação médica e acompanhamento dos níveis hormonais.
Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente
Por se tratar de um produto injetável e de longa duração, a falsificação representa um risco especialmente relevante. Uma unidade irregular pode não conter a substância declarada, apresentar concentração inadequada, incluir componentes desconhecidos ou não atender aos requisitos de esterilidade.
Além da possibilidade de o paciente não receber o efeito terapêutico esperado, um produto falsificado pode causar reações adversas, infecções, intoxicações ou outras complicações difíceis de prever.
A resolução, no entanto, não informa que tenham sido registrados eventos adversos nem detalha quantas unidades do lote foram encontradas em circulação.
Falsificação rompe toda a cadeia de controle
Um medicamento regularizado depende de uma sequência de controles que começa na seleção das matérias-primas e se estende pela fabricação, embalagem, armazenamento, distribuição e dispensação.
Cada lote produzido deve estar vinculado a registros capazes de demonstrar sua origem, composição, processo de fabricação, resultados dos testes de qualidade e destino na cadeia de distribuição.
Quando surge um lote que não consta nos registros da detentora do medicamento, essa rastreabilidade é interrompida. Não é possível confirmar onde o produto foi produzido, quais substâncias foram utilizadas, como foi armazenado ou se passou por controle de qualidade.
A embalagem também integra esse sistema. Informações variáveis, padrões gráficos, códigos, lacres e elementos de identificação ajudam fabricantes, distribuidores, farmácias e autoridades sanitárias a reconhecer desvios.
A divergência visual não é apenas um problema estético. Ela pode ser o primeiro sinal de que o medicamento foi produzido ou embalado fora da cadeia autorizada.
Comunicação da fabricante permitiu a ação da Anvisa
A medida demonstra que o trabalho regulatório continua mesmo depois que um medicamento recebe autorização para chegar ao mercado.
Empresas detentoras de registro precisam acompanhar a circulação de seus produtos, investigar denúncias, analisar amostras suspeitas e comunicar às autoridades quando identificam lotes desconhecidos, alterações na embalagem ou outros indícios de irregularidades.
No caso do Nebido, foi a comunicação da Grünenthal que subsidiou a adoção da medida preventiva. A empresa comparou a unidade analisada com seus padrões internos e informou que o lote não fazia parte de sua produção.
A partir desse alerta, a Anvisa determinou a apreensão e interrompeu legalmente a comercialização, a distribuição e o uso das unidades identificadas.
Essa integração entre indústria e autoridade sanitária permite que uma suspeita localizada seja transformada em uma ação nacional de proteção à saúde.
Atuação regulatória não termina com o registro
O farmacêutico que atua em Assuntos Regulatórios participa de diferentes etapas relacionadas à prevenção e à resposta a casos de falsificação.
Esse profissional pode atuar na análise de embalagens e rotulagens, manutenção dos registros sanitários, avaliação de alterações pós-registro, gestão documental, comunicação com a Anvisa e investigação de desvios identificados no mercado.
Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias
Também participa da interface entre áreas como Garantia da Qualidade, Controle de Qualidade, Farmacovigilância, logística, segurança corporativa e departamento jurídico.
Quando uma unidade suspeita é encontrada, é necessário comparar os dados da embalagem com os registros de produção, confirmar se o lote existe, avaliar o padrão de impressão e verificar a origem da cadeia de fornecimento.
Se a irregularidade for confirmada ou houver risco sanitário, a empresa precisa reunir evidências, comunicar às autoridades e colaborar com ações de recolhimento, apreensão ou bloqueio da distribuição.
O trabalho regulatório transforma informações técnicas e documentais em medidas concretas. Por trás da proibição publicada no Diário Oficial existe a análise de registros, padrões de embalagem, dados de produção e requisitos legais.
Rastreabilidade funciona como barreira sanitária
Casos como o do Nebido mostram que rastreabilidade não representa apenas uma exigência burocrática. Ela permite diferenciar um medicamento produzido dentro de condições controladas de uma unidade cuja origem não pode ser comprovada.
Para farmácias, clínicas e serviços de saúde, a identificação correta do lote é essencial antes da dispensação ou administração. Unidades do Nebido com a numeração KT0S5T4 não devem ser comercializadas, distribuídas ou utilizadas.
A conferência da procedência, da integridade da embalagem e dos dados variáveis pode impedir que um medicamento falsificado seja administrado ao paciente.
A ação da Anvisa interrompe a circulação do lote suspeito, mas também evidencia uma etapa menos visível da proteção sanitária: o monitoramento contínuo do mercado depois que o medicamento já foi registrado e colocado em circulação.
Capacitação farmacêutica
Para o farmacêutico que deseja se capacitar e atuar na indústria, o ICTQ oferece programas de pós-graduação alinhados às exigências atuais do mercado:
- Assuntos Regulatórios na Indústria Farmacêutica
- P&D Analítico e Controle de Qualidade na Indústria Farmacêutica
- Regulação e Produção de Biofármacos e Biossimilares
- Gestão da Qualidade e Auditoria na Indústria Farmacêutica
- Gestão e Tecnologia Industrial Farmacêutica
Utilize o cupom INDUSTRIAOFF, para receber um desconto exclusivo
Fale com nosso time comercial e conheça mais sobre os cursos de pós-graduação do ICTQ, clicando aqui.




