AstraZeneca negocia fusão que pode criar gigante farmacêutica de US$ 400 bilhões

AstraZeneca negocia fusão que pode criar gigante farmacêutica de US$ 400 bilhões

A AstraZeneca estaria negociando uma possível fusão com a Bristol Myers Squibb, operação capaz de criar uma das maiores companhias farmacêuticas do mundo, avaliada em quase US$400 bilhões.

As conversas preliminares teriam ocorrido nos últimos meses e poderiam envolver uma combinação de dinheiro e ações. A estrutura, os valores e a divisão de controle ainda não foram definidos, e as negociações podem avançar, ser adiadas ou terminar sem acordo.

Pelos valores de mercado registrados antes da divulgação das conversas, a AstraZeneca estava avaliada em aproximadamente US$264 bilhões, enquanto a Bristol Myers Squibb valia cerca de US$133 bilhões. Juntas, poderiam formar a quarta maior farmacêutica do mundo em capitalização.

Uma operação desse porte estaria entre as maiores fusões já realizadas pela indústria farmacêutica e alteraria o equilíbrio competitivo em áreas como oncologia, hematologia, imunologia, doenças raras e tratamentos cardiovasculares.

AstraZeneca ampliaria presença nos Estados Unidos

A possível combinação aprofundaria a estratégia da AstraZeneca de crescer no mercado norte-americano, responsável por quase metade de sua receita.

A farmacêutica anglo-sueca estabeleceu a meta de alcançar faturamento de US$ 80 bilhões até 2030, ante US$ 58,7 bilhões registrados no último ano. A empresa também ampliou sua presença na Bolsa de Nova York e intensificou acordos de licenciamento para fortalecer o pipeline.

A aquisição ou fusão com a Bristol Myers daria à AstraZeneca acesso imediato a uma estrutura comercial consolidada nos Estados Unidos, além de novos medicamentos, projetos clínicos e plataformas de pesquisa.

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A movimentação representaria uma mudança de escala na estratégia conduzida por Pascal Soriot, presidente-executivo da AstraZeneca. Em 2014, ele teve participação decisiva na rejeição de uma oferta hostil da Pfizer que avaliava a companhia em quase 70 bilhões de libras.

Na época, a direção argumentou que a AstraZeneca poderia gerar mais valor permanecendo independente. Desde então, a empresa fortaleceu sua posição em oncologia e se tornou uma das companhias mais valiosas do Reino Unido.

A maior aquisição realizada pela AstraZeneca até agora foi a compra da Alexion, especializada em doenças raras, por US$39 bilhões em 2021. A união com a Bristol Myers teria dimensão muito superior e exigiria uma integração global de operações, portfólios e equipes.

Bristol Myers enfrenta vencimento de patentes

Para a Bristol Myers Squibb, a fusão poderia reduzir os impactos da perda de exclusividade de medicamentos importantes nos próximos anos.

A farmacêutica norte-americana possui uma presença relevante em oncologia, hematologia, imunologia e doenças cardiovasculares. Em 2019, adquiriu a Celgene por US$74 bilhões, uma das maiores operações da história da indústria.

Parte do mercado considera que a aquisição não entregou os resultados esperados. Ao mesmo tempo, a Bristol Myers enfrenta um ciclo de vencimento de patentes que pode abrir espaço para genéricos e biossimilares, reduzindo receitas de produtos consolidados.

A combinação com a AstraZeneca permitiria dividir riscos, ampliar o pipeline e criar novas fontes de faturamento. A escala também poderia fortalecer negociações comerciais, capacidade de produção e execução de estudos clínicos globais.

Mercado reagiu com cautela

As informações sobre a possível fusão provocaram forte reação no mercado financeiro. As ações da AstraZeneca caíram cerca de 9% após a divulgação das conversas, no maior recuo diário da companhia desde 2020.

Os investidores questionaram a necessidade de uma operação transformadora para uma empresa que apresenta crescimento, capacidade de inovação e um pipeline considerado competitivo.

Poucos dias antes, Soriot havia afirmado que a AstraZeneca não precisava realizar fusões ou aquisições para atingir a meta de receita estabelecida para 2030.

A queda das ações também refletiu preocupações com o custo da operação, eventual emissão de ações, aumento do endividamento e dificuldade de integrar duas estruturas de pesquisa de grande porte.

Uma fusão pode gerar ganhos de escala, mas também provocar interrupções, mudanças de liderança e encerramento de programas considerados sobrepostos.

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Fonte negou conversas à Reuters

Nesta quarta-feira, 5 de agosto, uma fonte de alto escalão próxima ao assunto afirmou à Reuters que não existem negociações em andamento entre AstraZeneca e Bristol Myers Squibb.

Segundo a fonte, não há acordo entre as empresas, nunca houve uma operação pronta para ser executada e nenhuma discussão está ativa. Outra pessoa familiarizada com o tema também disse à agência que não existem conversas em curso.

A AstraZeneca e a Bristol Myers recusaram-se a comentar oficialmente. Após a publicação da Reuters, as ações da companhia anglo-sueca subiram 2,9%, enquanto as da farmacêutica norte-americana caíram 2,6%.

A negativa não elimina completamente a possibilidade de contatos preliminares terem ocorrido ou de uma aproximação ser retomada. Grandes fusões costumam ser discutidas sob sigilo, e empresas ou fontes próximas frequentemente evitam confirmar negociações para conter especulações e oscilações no mercado.

Isso, porém, não permite concluir que a fonte esteja ocultando uma operação. Uma das pessoas ouvidas pela Reuters observou que as regras britânicas contra abuso de mercado poderiam exigir uma comunicação formal caso negociações dessa dimensão estivessem efetivamente em andamento.

A possibilidade permanece, portanto, cercada por informações conflitantes. Relatos anteriores apontaram conversas preliminares, enquanto a apuração mais recente sustenta que não há negociação ativa.

Oncologia pode dificultar aprovação

Uma das principais forças da fusão também seria seu maior obstáculo. AstraZeneca e Bristol Myers possuem divisões robustas de oncologia, com produtos que concorrem em diferentes tipos de câncer.

O Imfinzi, da AstraZeneca, e o Opdivo, da Bristol Myers, disputam espaço em indicações relacionadas ao câncer de pulmão. Os medicamentos atuam sobre mecanismos de controle da resposta imunológica, embora possuam alvos e usos aprovados próprios.

A concentração desses ativos em uma única companhia poderia reduzir a competição em segmentos específicos e levar autoridades antitruste a exigir ajustes.

Órgãos dos Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e outros mercados precisariam avaliar a operação. Dependendo do grau de sobreposição, poderiam ser exigidas vendas de medicamentos, licenciamento de tecnologias ou interrupção de projetos clínicos.

O processo também examinaria o impacto sobre preços, acesso, concorrência, pesquisa e oferta de alternativas terapêuticas.

Fusão modificaria pesquisa e desenvolvimento

A eventual combinação reuniria estruturas científicas, plataformas tecnológicas e recursos financeiros capazes de sustentar estudos clínicos complexos e projetos de alto risco.

A nova empresa teria maior capacidade para financiar pesquisas, adquirir biotecnologias, negociar licenciamentos e ampliar a produção de medicamentos. A complementaridade comercial também poderia acelerar lançamentos em países nos quais uma das companhias possui presença mais forte.

Por outro lado, megafusões costumam levar à revisão dos portfólios. Projetos considerados duplicados podem ser encerrados, equipes podem ser reorganizadas e investimentos podem migrar para produtos com maior retorno esperado.

Na indústria farmacêutica, essa seleção não afeta somente custos. Ela determina quais moléculas continuarão em desenvolvimento, quais estudos receberão financiamento e quais áreas terapêuticas permanecerão prioritárias.

Operação teria repercussão política no Reino Unido

A possível fusão também despertaria atenção política. A AstraZeneca é uma das empresas mais importantes do Reino Unido e possui papel estratégico em pesquisa, produção farmacêutica e geração de empregos.

Uma combinação com uma companhia norte-americana levantaria discussões sobre localização da sede, investimentos, centros de pesquisa e listagem das ações.

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A recente ampliação da presença da AstraZeneca na Bolsa de Nova York já provocou preocupações sobre o enfraquecimento do mercado londrino. Uma fusão poderia aumentar o receio de que decisões estratégicas e investimentos fossem transferidos para os Estados Unidos.

Essas questões fariam parte das negociações e das exigências impostas por governos e autoridades regulatórias.

Negócio ainda depende de confirmação

A fusão entre AstraZeneca e Bristol Myers Squibb teria potencial para reorganizar parte da indústria farmacêutica mundial. A empresa resultante reuniria medicamentos consolidados, pipelines extensos e uma das maiores operações oncológicas do mercado.

Ainda assim, não existe anúncio oficial, proposta apresentada ou estrutura financeira confirmada. A negativa publicada pela Reuters adiciona incerteza às informações iniciais e mostra que a operação pode estar em uma etapa exploratória, suspensa ou simplesmente não existir neste momento.

Caso avance, o negócio dependerá de acordo entre as empresas, aprovação dos acionistas e análises antitruste em diferentes países. Até lá, a gigante farmacêutica de US$ 400 bilhões permanece como uma possibilidade capaz de movimentar mercados antes mesmo de sair do papel.

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