Skip to main content

Vacina contra HPV praticamente zera mortes por câncer de colo do útero em jovens

Ricardo Valença   20 Junho 2026   485   Farmácia Hospitalar
Vacina contra HPV praticamente zera mortes por câncer de colo do útero em jovens

A vacinação contra o HPV levou o risco de morte por câncer de colo do útero antes dos 30 anos a níveis praticamente nulos em mulheres jovens na Inglaterra. A conclusão vem do estudo “Cervical cancer mortality trends following HPV vaccination in England, 2001–24: an analysis of population-based mortality data”, publicado no The Lancet.

Entre 2020 e 2024, nenhuma mulher de 20 a 24 anos morreu por câncer de colo do útero na Inglaterra. Pela projeção dos pesquisadores, seriam esperadas 23,1 mortes nessa faixa etária se o programa de vacinação contra o HPV não tivesse sido introduzido.

O estudo também estimou que a vacinação esteve associada à prevenção de cerca de 199,6 mortes por câncer de colo do útero até o fim de 2024. Entre mulheres de 20 a 24 anos, houve redução de 80% na mortalidade entre 2015 e 2019. Já entre mulheres de 25 a 29 anos, a queda foi de 69% entre 2020 e 2024.

O resultado é especialmente relevante porque, até agora, a maior parte das evidências sobre a vacina contra HPV estava concentrada na redução de infecções, lesões precursoras e incidência de câncer. A nova análise avança um passo importante ao mostrar queda expressiva também nas mortes.

Vacinação precoce foi decisiva para o resultado

A Inglaterra introduziu a vacinação contra o HPV em 2008 para meninas de 12 a 13 anos, com campanha de recuperação para adolescentes mais velhas. Antes da pandemia de Covid-19, a cobertura vacinal chegou a aproximadamente 80% a 90% em determinados grupos.

Esse ponto é central para entender o impacto observado. A vacina contra HPV apresenta melhor resultado quando aplicada antes da exposição ao vírus. Por isso, programas escolares e estratégias de imunização na adolescência são tão importantes para reduzir infecções persistentes por tipos oncogênicos do HPV.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

No grupo de mulheres de 20 a 24 anos entre 2020 e 2024, a cobertura vacinal na adolescência chegou a cerca de 88% a 90%. Foi justamente nessa faixa que o estudo observou a ausência de mortes por câncer de colo do útero no período analisado.

Os autores destacam que o achado não deve ser interpretado como erradicação definitiva da doença em jovens, porque o número absoluto de mortes nessa idade já é baixo. Ainda assim, a queda acompanhando o aumento da cobertura vacinal reforça a força da vacinação como estratégia de prevenção oncológica.

HPV está ligado à quase totalidade dos casos de câncer de colo do útero

O HPV é uma infecção comum e, na maior parte dos casos, eliminada espontaneamente pelo organismo. O problema ocorre quando tipos de alto risco persistem e provocam alterações celulares capazes de evoluir para lesões precursoras e, anos depois, câncer.

A relação entre HPV e câncer de colo do útero é uma das mais bem estabelecidas da oncologia preventiva. A infecção persistente por tipos oncogênicos do vírus está associada à quase totalidade dos casos da doença, além de também estar ligada a outros tumores, como câncer anal, de pênis, vulva, vagina, boca e garganta.

A vacina, portanto, não é apenas uma medida contra uma infecção sexualmente transmissível. Ela é uma intervenção de prevenção primária contra o câncer. Esse enquadramento muda a forma como o tema precisa ser comunicado à população e aos responsáveis por crianças e adolescentes.

Para o farmacêutico que atua com vacinação, essa é uma informação estratégica. A hesitação vacinal muitas vezes nasce de dúvidas, medo de eventos adversos ou desconforto em falar sobre HPV. Explicar que a vacina previne câncer ajuda a deslocar o debate para o impacto real na saúde pública.

Publicidade

O estudo traz uma mensagem direta para o Brasil

No Brasil, a vacina contra HPV está disponível gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, em esquema de dose única desde 2024. A estratégia busca simplificar o acesso, aumentar a adesão e acelerar a proteção contra o câncer de colo do útero e outras doenças associadas ao vírus.

O país também adotou estratégia de resgate vacinal para jovens de 15 a 19 anos sem histórico de vacinação contra HPV. Para pessoas imunocomprometidas, como pacientes vivendo com HIV/aids, pacientes oncológicos e transplantados, o esquema permanece com três doses.

A meta brasileira é atingir 90% de cobertura vacinal para cada gênero na faixa etária de 9 a 14 anos. Esse número não é apenas administrativo. Ele se conecta diretamente à estratégia global de eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública.

A experiência inglesa mostra o que pode acontecer quando a vacinação é mantida em alta cobertura por tempo suficiente. O dado não deve ser lido como realidade automaticamente transferível ao Brasil, mas como uma referência concreta do potencial da imunização quando o programa é sustentado, bem comunicado e amplamente acessível.

Farmacêutico que vacina também participa da prevenção do câncer

A atuação do farmacêutico em vacinação não se limita à aplicação de imunizantes. Em muitos serviços, ele é o profissional que acolhe dúvidas, revisa histórico vacinal, identifica oportunidades perdidas de imunização, orienta responsáveis e ajuda a combater informações falsas.

No caso do HPV, essa atuação ganha ainda mais relevância porque a vacina costuma envolver barreiras culturais. Algumas famílias associam indevidamente a imunização ao início da vida sexual, quando a discussão correta deveria ser proteção precoce contra infecções de alto risco e prevenção de câncer no futuro.

O farmacêutico pode ajudar a traduzir a evidência para uma linguagem acessível: vacinar cedo protege melhor; a vacina é segura; a prevenção começa antes do risco; e a proteção não se restringe ao câncer de colo do útero.

Em farmácias, clínicas, serviços públicos ou campanhas, cada orientação bem feita pode contribuir para aumentar a cobertura vacinal. O estudo inglês mostra que esse trabalho, quando sustentado em escala populacional, pode aparecer anos depois na forma mais concreta possível: menos mortes.

Resultado também interessa ao farmacêutico que atua em oncologia

Para o farmacêutico que atua em oncologia, o estudo reforça uma mudança importante no olhar sobre o câncer: parte relevante do enfrentamento começa antes do diagnóstico. Prevenção, vacinação, rastreamento e educação em saúde são estratégias tão decisivas quanto o tratamento.

O câncer de colo do útero ainda impõe impacto importante em países com desigualdade de acesso à vacinação, rastreamento e tratamento oportuno de lesões precursoras. Por isso, a vacina contra HPV não elimina a necessidade de rastreamento, mas reduz o risco de desenvolvimento da doença nas coortes vacinadas.

Na prática oncológica, esse dado ajuda a qualificar a comunicação com pacientes, famílias e equipes. A vacina não é uma promessa distante. Ela já mostra impacto populacional mensurável em incidência e, agora, também em mortalidade.

O farmacêutico oncológico também pode atuar na educação sobre prevenção em diferentes pontos da jornada do cuidado. A experiência de pacientes com câncer frequentemente mobiliza famílias inteiras, criando uma oportunidade para orientar sobre vacinação de filhos, sobrinhos, netos e adolescentes elegíveis.

Queda nas mortes depende de cobertura, rastreamento e confiança pública

O estudo publicado no The Lancet é animador, mas também traz um alerta. O impacto observado na Inglaterra dependeu de alta cobertura vacinal. Quando a adesão cai, o benefício futuro pode ser menor, especialmente nas populações com menor acesso à informação e aos serviços de saúde.

A eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública exige três frentes trabalhando juntas: vacinação contra HPV, rastreamento regular e tratamento adequado das lesões precursoras e dos casos diagnosticados. Nenhuma dessas etapas funciona bem isoladamente.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias

No Brasil, isso significa que o desafio não é apenas ter vacina disponível. É garantir que crianças e adolescentes sejam vacinados no momento certo, que jovens não vacinados sejam resgatados, que famílias confiem na imunização e que mulheres mantenham acesso ao rastreamento.

Para o farmacêutico, a notícia da Inglaterra transforma uma recomendação já conhecida em evidência concreta de impacto. A vacina contra HPV não é apenas mais um item do calendário. É uma ferramenta capaz de mudar a curva de mortalidade de um câncer prevenível.

Uma vacina, décadas de impacto

O dado mais forte do estudo inglês não está apenas na ausência de mortes entre mulheres de 20 a 24 anos no período analisado. Está na mensagem de longo prazo: uma decisão tomada na adolescência pode evitar um câncer fatal anos depois.

Esse é o tipo de informação que precisa chegar à rotina do cuidado farmacêutico. Quando o farmacêutico orienta sobre a vacina contra HPV, ele não está apenas respondendo a uma dúvida de balcão, de consultório ou de sala de vacinação. Está participando de uma estratégia de prevenção oncológica com impacto geracional.

A ciência agora oferece um argumento difícil de ignorar. Onde a vacinação contra HPV alcança alta cobertura e é sustentada ao longo do tempo, o câncer de colo do útero começa a perder força antes mesmo de chegar ao diagnóstico.

A experiência da Inglaterra mostra um futuro possível. Para o Brasil, o desafio é transformar disponibilidade em cobertura, cobertura em proteção e proteção em menos mortes por uma doença que pode ser amplamente prevenida.

Capacitação farmacêutica

Para o farmacêutico que deseja se capacitar e atuar em Farmácia Hospitalar ou Oncologia, o ICTQ oferece programas de pós-graduação alinhados às exigências atuais do mercado:

Utilize o cupom HOSPITALAROFF, para receber um desconto exclusivo

Fale com nosso time comercial e conheça mais sobre os cursos de pós-graduação do ICTQ, clicando aqui.

Fent@nil está nas ruas: drog@ let@l que assombra os Estados Unidos chega às ruas do Brasil

Cocaína e éter também foram apreendidos durante ação policial em Itaperuna. Pol…

Implante anticoncepcional impulsiona crescimento recorde da Organon no brasil

O mercado de contraceptivos de longa duração entrou em uma fase de expansão ace…

Nova terapia com células-tronco contra Parkinson traz esperança inédita no tratamento da doença

O Japão aprovou um tratamento inovador para Parkinson baseado no uso de células…

Pesquisadores da USP testam vírus como solução para infecções resistentes a antibióticos

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão desenvolvendo estudos pr…

Sem prevenção nenhum país suportará avanço do câncer diz diretora de agência da OMS

A prevenção continua sendo o elo mais fraco da política global de controle do c…

Desafios do farmacêutico na atuação em UTI

A presença do farmacêutico no âmbito das unidades de terapia intensiva (UTI) é…

Central de manipulação de quimioterápicos

Com o mercado farmacêutico cada vez mais focado em especificidades clínicas, um…

Hospital fecha UTI após detectar superbactéria considerada uma das mais perigosas do mundo

O Hospital Municipal de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre…

SUS amplia vacinação contra HPV para adolescentes e jovens até 2026

O Ministério da Saúde prorrogou até o primeiro semestre de 2026 a vacinação con…

Tatiana Sampaio admite erros em gráfico e na redação do artigo, mas reafirma eficácia da polilaminina

A pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pela pesquisa que apresentou a poli…