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Nova molécula age contra o câncer sem afetar células normais Autor metrópoles

Metrópoles   25 Março 2026   163   Farmácia Hospitalar
Nova molécula age contra o câncer sem afetar células normais Autor metrópoles

Pesquisadores identificaram uma nova estratégia que pode ajudar a combater certos tipos de câncer de forma mais seletiva. O método utiliza uma versão modificada de um aminoácido comum que parece afetar principalmente células tumorais, sem provocar danos significativos às células saudáveis.

A descoberta foi feita por uma equipe internacional liderada por cientistas das Universidades de Genebra, na Suíça, e de Marburg, na Alemanha.

Em experimentos de laboratório e em testes com camundongos, os pesquisadores observaram que a molécula conseguiu reduzir o crescimento de tumores mamários agressivos. O estudo foi publicado na revista Nature Metabolism em agosto de 2025.

A abordagem chama atenção porque muitos tratamentos contra o câncer agem atacando células que se dividem rapidamente. Esse mecanismo também acaba atingindo tecidos saudáveis, o que explica parte dos efeitos colaterais associados à quimioterapia.

A nova estratégia tenta explorar diferenças metabólicas entre células normais e cancerígenas para tornar o ataque mais específico.

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Como funcionam as moléculas espelho

Os cientistas investigaram a cisteína, um aminoácido que contém enxofre e participa de vários processos celulares. Como outros aminoácidos, ela pode existir em duas versões quase idênticas chamadas de formas L e D.

Essas duas versões possuem os mesmos componentes químicos, mas estão organizadas no espaço como imagens espelhadas, semelhantes à relação entre as mãos direita e esquerda. No corpo humano, as proteínas são formadas quase exclusivamente pelas versões L.

Durante os experimentos, os pesquisadores observaram que a forma D da cisteína, conhecida como D-cisteína, conseguiu suprimir o crescimento de algumas células tumorais. A molécula entra nessas células e interfere em processos essenciais para sua sobrevivência, enquanto as células saudáveis praticamente não são afetadas.

Por que as células tumorais são mais vulneráveis?

Os cientistas descobriram que a diferença ocorre porque algumas células cancerígenas possuem um transportador específico na superfície que permite a entrada da D-cisteína.

Depois de entrar na célula, a molécula [D-cisteína] bloqueia uma enzima chamada NFS1, localizada nas mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia celular.

Essa enzima participa da formação de estruturas fundamentais para vários processos biológicos, incluindo respiração celular, produção de DNA e manutenção da integridade genética. Quando a enzima é bloqueada, esses processos deixam de funcionar corretamente.

Como resultado, a respiração celular diminui, o dano ao DNA aumenta e o ciclo celular é interrompido, impedindo que as células cancerígenas continuem se multiplicando.

Resultados em testes com animais

Para avaliar se o efeito também ocorreria em organismos vivos, os pesquisadores testaram a molécula em camundongos com tumores mamários agressivos. Os resultados indicaram uma redução significativa no crescimento dos tumores. Ao mesmo tempo, os animais não apresentaram efeitos colaterais importantes durante o tratamento.

Apesar dos achados promissores, os cientistas ressaltam que a pesquisa ainda está em fase inicial. Antes de qualquer aplicação clínica, será necessário investigar se a D-cisteína pode ser utilizada com segurança em humanos.

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