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CIA agora apoia hipótese de que vazamento de laboratório está na origem da Covid-19

Folha de S. Paulo   29 Janeiro 2025   2108   Farmácia Hospitalar
CIA agora apoia hipótese de que vazamento de laboratório está na origem da Covid-19

Antes, a CIA dizia que não tinha informações suficientes para concluir se a pandemia de Covid-19 surgiu naturalmente de um mercado em Wuhan, China, ou de um vazamento acidental em um laboratório de pesquisa na mesma cidade.

Mas, na semana passada, a agência de inteligência americana emitiu uma nova avaliação, com analistas dizendo que agora apoiam a hipótese de que houve um vazamento de laboratório.

Segundo autoridades, não há novas informações por trás dessa mudança de posicionamento, que se baseia nas mesmas evidências com as quais se têm trabalhado há meses.

Esse posicionamento, no entanto, é baseado em parte em uma análise mais detalhada das condições nos laboratórios de alta segurança na província de Wuhan antes da pandemia, de acordo com pessoas familiarizadas com o trabalho da agência.Um porta-voz da CIA disse que a outra hipótese permanece plausível e que a agência continuará a avaliar qualquer novo relatório de inteligência confiável disponível.

Para alguns americanos, o debate importa pouco: o governo chinês falhou em regular seus mercados ou supervisionar seus laboratórios. Outros argumentam, porém, que é uma questão importante de inteligência e de ciência.

John Ratcliffe, o novo diretor da CIA, sempre apoiou a hipótese do vazamento no Instituto de Virologia de Wuhan. Ele disse que a origem da pandemia precisa ser compreendida e que tem consequências para as relações entre Estados Unidos e China.

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O anúncio da mudança veio logo após Ratcliffe dizer ao site Breitbart News que não queria mais que a agência "ficasse de fora" do debate sobre as origens da pandemia de Covid.

Integrantes da CIA disseram que a agência não estava mudando suas opiniões para agradar o novo chefe e que a nova avaliação estava em andamento havia algum tempo.

Nas últimas semanas da administração Biden, Jake Sullivan, o conselheiro de segurança nacional, ordenou uma nova revisão classificada da origem da pandemia. Como parte desse processo, o diretor anterior da agência, William Burns, disse aos analistas que eles precisavam tomar uma posição sobre as origens da Covid, segundo um integrante da inteligência americana.

Outro integrante afirmou que partiu de Ratcliffe a decisão de desclassificar e divulgar a nova análise.

Desde o início da pandemia, surgiram perguntas sobre se os dois laboratórios que lidavam com coronavírus em Wuhan seguiram estritamente os protocolos de segurança.

A agência fez sua nova avaliação com "baixa confiança", o que significa que a inteligência por trás dela é fragmentada e incompleta.

Mesmo sem informações concretas, a hipótese do vazamento de laboratório tem ganhado força dentro das agências de espionagem. Mas alguns analistas questionam a decisão de mudar de posição diante da falta de novas informações.

Ex-funcionários dizem que não se opõem a uma nova análise da inteligência sobre as origens da Covid pela administração Trump. Joe Biden ordenou uma nova revisão da inteligência no início de seu governo depois que funcionários informaram à Casa Branca que havia evidências ainda não examinadas.

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Ratcliffe levantou questões sobre a politização nas agências de inteligência. Ele, que foi diretor de inteligência nacional no primeiro governo Trump, argumentou em um texto para a Fox News em 2023 que a CIA não queria abraçar a hipótese do vazamento de laboratório para evitar problemas geopolíticos para a administração Biden.

"O verdadeiro problema é que a única avaliação que a agência poderia fazer —que um vírus que matou mais de um milhão de americanos teve origem em um laboratório controlado pelo PCC [Partido Comunista da China] cujas pesquisas incluíam trabalhos para o Exército chinês— tem enormes implicações geopolíticas que a administração Biden não quer enfrentar de frente", disse ele no artigo, escrito com Cliff Sims, um assessor de alto escalão.

Ratcliffe disse na quinta-feira (23), quando foi empossado, que uma investigação sobre as origens da Covid era uma prioridade.

"Acho que nossa inteligência, nossa ciência e nosso bom senso realmente ditam que as origens da Cocid foram um vazamento no Instituto de Virologia de Wuhan", disse ele ao site Breitbart. "Mas a CIA não fez essa avaliação ou pelo menos não fez essa avaliação publicamente. Então, vou me concentrar nisso, examinar a inteligência e garantir que o público esteja ciente de que a agência vai sair da linha lateral."

Autoridades de inteligência sênior na administração Biden defendem seu processo e metodologia. Elas afirmaram que nenhuma informação foi suprimida e insistem que a política não influenciou sua análise.

Essas autoridades afirmam que existem argumentos lógicos poderosos tanto para a hipótese do vazamento do laboratório quanto para as causas naturais, mas que simplesmente não há uma peça decisiva de inteligência de um lado ou do outro da questão.

Para fortalecer a hipótese das origens naturais, os analistas de inteligência gostariam de encontrar o animal que transmitiu o vírus para um humano ou localizar um morcego carregando o que provavelmente foi o ancestral do coronavírus que causa a Covid-19.

Da mesma forma, para descartar o vazamento do laboratório, a comunidade de inteligência gostaria de encontrar evidências de que um dos laboratórios em Wuhan estava trabalhando em um vírus progenitor que levou diretamente à epidemia.

Nenhuma das evidências foi encontrada.

Cinco agências, incluindo o Conselho Nacional de Inteligência e a Agência de Inteligência de Defesa, avaliaram que a exposição natural provavelmente causou a epidemia. Mas disseram que tinham pouca confiança em sua avaliação.

Até agora, duas agências, o FBI e o Departamento de Energia, achavam mais provável a hipótese de vazamento de laboratório. Contudo, suas teorias são diferentes. O FBI diz acreditar que o vírus veio do Instituto de Virologia de Wuhan. O Departamento de Energia apostou em outro laboratório, o Centro de Controle de Doenças de Wuhan.

Os funcionários do governo americano não disseram se a CIA afirmou acreditar que um laboratório ou outro era a fonte mais provável do vírus.

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