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Medicamento para tratar câncer impede intubação de pacientes com Covid-19

Wandy Ribeiro   23 Junho 2020   7980   Farmácia Hospitalar
Medicamento para tratar câncer impede intubação de pacientes com Covid-19

Um medicamento desenvolvido, inicialmente, para tratar o câncer foi capaz de acelerar o processo de recuperação de pacientes internados em decorrência da infecção pelo novo coronavírus (Covid-19), evitando, inclusive, a intubação em alguns casos. O fármaco foi criado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e recebeu o nome de OncoTherad.

De acordo com os cientistas, o imunoterápico começou a ser  desenvolvido há cerca de 13 anos, com o objetivo de estimular o sistema imune no combate a alguns tipos de tumores e doenças infecciosas.

“Trata-se de uma nanopartícula totalmente sintética capaz de induzir no organismo uma resposta imune de células T, ou seja, de ativar determinados tipos de linfócitos que produzem uma proteína chamada interferon (IFN), importante tanto para combater o câncer como também alguns vírus e bactérias”, explicou o professor do Instituto de Biologia da Unicamp e coordenador do estudo, Wagner José Fávaro, em entrevista ao portal Correio.

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Segundo os pesquisadores, em testes realizados com cinco pacientes que desenvolveram a forma grave da Covid-19, o uso desse medicamento em associação a outros antibióticos e corticoides amenizou a inflamação e reduziu o tempo médio de internação de 18 para 10 dias, sem a necessidade de intubação. Vale ressaltar que essas pessoas também faziam parte do chamado grupo de risco da doença, já que todas elas lutam contra o câncer de bexiga.

Caso emblemático

De acordo com Fávaro, um dos pacientes testados tem 78 anos. O homem é tabagista e portador de várias doenças crônicas e chegou ao hospital com 50% do pulmão comprometido, além de outros sintomas como: febre, dor de cabeça, dificuldades para respirar e baixo nível de oxigênio no organismo.

Após o tratamento realizado com a associação do imunoterápico aos outros medicamentos, o paciente teve alta no décimo dia após a internação. Suas lesões pulmonares cicatrizaram e ele desenvolveu anticorpos contra o novo coronavírus. Nos demais pacientes que receberam o tratamento foram observados resultados semelhantes.

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Segundo o pesquisador, o paciente resistiu à possibilidade de ser intubado, pois, temia não sair vivo da ventilação mecânica. “Após conversar com a família, decidimos fazer apenas a suplementação de oxigênio por cateter intranasal e administrar o imunoterápico associado aos antibióticos e corticoides do protocolo padrão do hospital”, comenta Fávaro.

Ele complementa: “Após 72h de internação, os marcadores inflamatórios no sangue tinham diminuído significativamente, a saturação de oxigênio estava em 95%, a coriza havia diminuído e a febre sumido. No sétimo dia, já sem o cateter intranasal, o nível de oxigênio no sangue atingiu 98%. No décimo dia ele teve alta”.

Próximas etapas

Contudo, vale ressaltar que ainda é cedo para falar em comprovação e eficácia do medicamento, pois, os próximos passos do estudo vão avaliar outros testes no combate à Covid-19, com um grupo maior de pacientes com quadros moderados ou graves da doença. A previsão é de que a pesquisa dure, em média, um ano.

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