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Da prevenção ao Tratamento: A importância do farmacêutico na oncologia

Egle Leonardi   02 Abril 2025   1510   Farmácia Hospitalar
Da prevenção ao Tratamento: A importância do farmacêutico na oncologia

Em 8 de abril o mundo se reúne para reforçar a conscientização sobre o câncer e suas implicações, marcando mais uma edição do Dia Mundial de Luta Contra o Câncer. A data representa um momento crucial para destacar a importância da prevenção, diagnóstico precoce e avanços no tratamento da doença, além da importância do farmacêutico nesse contexto.

O câncer é um dos maiores desafios de saúde pública global. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam um aumento de 20% na incidência da doença na última década e estimam que, até 2030, mais de 25 milhões de novos casos serão registrados anualmente no mundo. No Brasil, a projeção para fechar o período 2023-2025 é alarmante: 704 mil novos casos da doença.

Nesse cenário, o farmacêutico oncológico desempenha um papel essencial dentro da equipe multidisciplinar que combate o câncer. Sua atuação vai muito além da dispensação de medicamentos, sendo fundamental para a personalização do tratamento, controle de efeitos colaterais e melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

O avanço da medicina trouxe uma crescente complexidade na farmacoterapia do câncer, tornando indispensável a presença do farmacêutico para garantir que os tratamentos sejam eficazes e seguros. De acordo com o professor do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico e farmacêutico-pesquisador do Inbesp e do Instituto do Câncer do Ceará, Nelson Belarmino, o principal papel desse profissional no meio oncológico é garantir a segurança do paciente.

“Para isso, não podemos nos esquecer também da necessidade de estarmos sempre atualizados com a liberação de novas drogas, o que ocorre diariamente”, ressalta ele.

Com a introdução constante de novos fármacos, o farmacêutico passou a ser essencial no gerenciamento dos efeitos colaterais associados ao tratamento. O conhecimento aprofundado sobre os medicamentos permite que ele realize ajustes de doses e monitoramento contínuo, reduzindo riscos e aumentando a eficácia dos protocolos terapêuticos.

Desafios do farmacêutico

Atuar na oncologia requer conhecimento clínico aprofundado e capacidade de adaptação às inovações da medicina. Para Nelson Belarmino, o maior desafio do farmacêutico oncológico está no cuidado com o paciente e no manejo das toxicidades que surgem com o uso de novas terapias.

“O farmacêutico precisa, cada vez mais, entender da clínica e associar o achado clínico daquele paciente que está fazendo um tratamento oncológico para integrar com aqueles medicamentos que ele já vem utilizando, para saber fazer o manejo da toxicidade, sempre com foco na segurança do paciente”, explica o especialista.

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Os pacientes oncológicos geralmente utilizam, não apenas quimioterápicos, mas também medicamentos para outras comorbidades, como hipertensão, diabetes e doenças autoimunes. O farmacêutico atua na prevenção de interações medicamentosas e na otimização do tratamento, garantindo maior adesão e melhores respostas terapêuticas.

“É importante ressaltar a relevância desse profissional, porque é ele quem vai entender as consequências da associação de duas ou mais drogas no organismo”, reforça Belarmino.

Prevenção e diagnóstico precoce

Embora o farmacêutico não seja responsável pelo diagnóstico de câncer, sua atuação é decisiva na educação e conscientização da população. A detecção precoce é fundamental para aumentar as chances de cura e reduzir a agressividade dos tratamentos.

Ao orientar os pacientes sobre fatores de risco, sintomas iniciais e importância dos exames preventivos, o farmacêutico se torna um agente essencial no combate ao câncer. Ele pode atuar em farmácias, hospitais e centros especializados disseminando informações sobre hábitos saudáveis e prevenção.

O futuro da profissão está cada vez mais atrelado à evolução das terapias personalizadas e ao uso crescente de tecnologias emergentes. “O profissional farmacêutico é um membro indispensável da equipe multidisciplinar, oferecendo expertise em medicamentos, monitoramento de tratamentos e promoção da qualidade de vida do paciente”, destaca Belarmino.

A toxicidade dos tratamentos e o impacto na vida dos pacientes

Os tratamentos oncológicos podem provocar diversos efeitos colaterais, que se dividem em toxicidades agudas (náuseas, vômitos, diarreia, fadiga) e toxicidades crônicas (neuropatia, cardiotoxicidade, problemas renais e hepáticos).

O farmacêutico também se envolve no monitoramento e manejo desses efeitos, garantindo que o paciente consiga manter sua qualidade de vida durante e após o tratamento.

“A atuação do farmacêutico oncológico é muito importante para a promoção da qualidade de vida dos pacientes. É ele quem fornece orientações específicas e individuais sobre o uso correto dos medicamentos prescritos, previne erros de medicação e garante que o tratamento seja administrado de forma segura e eficaz”, afirma Belarmino.

A toxicidade pode ser tão severa que, se não manejada corretamente, pode levar a complicações graves ou até ao óbito. Entre os principais riscos estão imunossupressão, anemia, problemas pulmonares e cardiológicos.

“O câncer pode matar, mas, felizmente, também pode ser curado. Por isso, é fundamental termos um diagnóstico precoce e um acompanhamento contínuo dos pacientes”, destaca o professor.

Capacitação contínua

Além da realização profissional e do impacto positivo na vida dos pacientes, a carreira do farmacêutico oncológico também se destaca pelo potencial salarial acima da média. No entanto, a qualificação especializada é um diferencial para quem deseja ingressar na área, já que a profissão exige capacitação contínua, olhar clínico apurado e comprometimento com a qualidade de vida dos pacientes. À medida que as terapias evoluem, a presença desse profissional se torna cada vez mais essencial, garantindo que a oncologia continue avançando de forma segura, eficaz e acessível para todos.

Para aqueles que desejam se capacitar para atuar na área, o ICTQ oferece alguns cursos de pós-graduação, como o Farmácia Hospitalar e Acompanhamento Oncológico. Essa especialização atende aos requisitos da Resolução 640/17 do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que estabelece a titulação como pré-requisito mínimo para atuação em oncologia, cujo preparo dos antineoplásicos e demais medicamentos na oncologia é atribuição privativa do farmacêutico.

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Saiba mais sobre outros cursos de pós-graduação do ICTQ  AQUI.

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