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Farmacêuticos alertam sobre uso de insulina para fins estéticos

Egle Leonardi   16 Abril 2025   4695   Farmácia Estética
Farmacêuticos alertam sobre uso de insulina para fins estéticos

Na busca desenfreada por músculos mais definidos e corpos hipertrofiados, uma tendência tem acendido o alerta dos profissionais de saúde, especialmente de farmacêuticos: o uso indevido de insulina com fins estéticos. Embora a substância seja essencial para a vida de milhões de pessoas com diabetes, ela vem sendo utilizada por fisiculturistas e praticantes de musculação como se fosse apenas mais um suplemento para ganho de massa — e isso pode custar caro.

Entre dietas hiperproteicas, treinos intensos e anabolizantes clandestinos, a insulina tem ganhado espaço em fóruns e academias como sendo o anabolizante natural mais potente que existe, obviamente de forma infundada. No entanto, especialistas alertam: ela pode ser ainda mais perigosa do que a testosterona quando manipulada sem controle de um profissional de saúde.

Segundo o professor do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico e farmacêutico clínico e esportivo, Rodrigo Costa, a insulina está longe de ser inofensiva. “O uso para fins estéticos pode causar um quadro grave de hipoglicemia, que leva a sintomas como tontura, tremores, suor frio, náusea e, nos casos mais graves, até coma ou morte”, afirma. “Além disso, o uso prolongado pode afetar órgãos como pâncreas e rins, além de comprometer a produção natural de insulina pelo organismo”.

No mundo da estética, a insulina passou a ser conhecida como uma substância capaz de aumentar a captação de glicose pelas células musculares, promovendo a síntese de proteínas e o crescimento celular. Isso se traduz, para os usuários, em ganho de massa corporal e aceleração de resultados — o que seria o sonho de qualquer fisiculturista.

Mas o sonho pode se tornar um pesadelo. “O impacto metabólico do uso indevido da insulina é altíssimo. Além do risco de hipoglicemia, o usuário pode desenvolver resistência insulínica, ganho de gordura excessiva, distúrbios metabólicos e dependência psicológica para alcançar resultados”, destaca Costa.

Nas redes sociais, multiplicam-se vídeos e fóruns com supostos protocolos de uso da insulina voltados à performance esportiva e hipertrofia. Muitos são produzidos por influenciadores sem qualquer formação em saúde. Essa banalização preocupa a classe farmacêutica.

“Com o crescimento das redes sociais e da inteligência artificial, muitos praticantes acham que podem pesquisar um medicamento e começar a usá-lo por conta própria”, alerta Costa. “Isso é extremamente perigoso. Nosso papel, como farmacêuticos, é trabalhar com educação em saúde e mostrar os riscos reais”.

Dados que preocupam

De acordo com um levantamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o uso indevido de substâncias hormonais com fins estéticos cresceu 75% nos últimos dez anos no Brasil. Embora o dado englobe diversos hormônios, a insulina está entre os mais mencionados em relatos de uso por atletas e fisiculturistas.

É importante destacar que o uso de medicamentos fora das indicações aprovadas (uso off-label) é uma prática que deve ser abordada com cautela. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece que qualquer uso de medicamentos fora das indicações aprovadas em bula deve ser respaldado por evidências científicas e prescrito por profissional habilitado, considerando os riscos e benefícios para o paciente.

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Além disso, o uso de substâncias como a insulina para fins estéticos ou de performance esportiva, sem indicação médica, pode representar riscos significativos à saúde e é desencorajado por profissionais da área da saúde.

Diante disso, é fundamental que os farmacêuticos estejam atentos a essas práticas e orientem a população sobre os riscos associados ao uso inadequado de medicamentos.

Como identificar os sinais de alerta?

Segundo Rodrigo Costa, é fundamental que os próprios profissionais de saúde e familiares estejam atentos aos sinais de uso indevido. “Tremores, palidez, suor frio, náusea, alterações de humor, batimentos cardíacos irregulares, dormência nos lábios e cefaleia são sintomas que podem indicar um episódio de hipoglicemia grave”, explica.

Nesses casos, o atendimento de emergência é indispensável. “O ideal é encaminhar o paciente imediatamente ao pronto-socorro. Quanto mais rápido for o atendimento, maiores as chances de evitar complicações sérias”, ressalta ele.

Papel do farmacêutico

Diante desse cenário, o farmacêutico assume um papel estratégico. “Nós, farmacêuticos, temos que nos fazer mais atuantes, tanto presencialmente quanto no meio digital. Somos profissionais de saúde que entendem profundamente sobre medicamentos. É nossa função orientar, esclarecer e, acima de tudo, proteger a saúde da população”, defende Costa. Ele complementa com um apelo direto: “Escolha um farmacêutico para chamar de seu!”

 

Importante destacar que a atuação do farmacêutico vai desde a educação em saúde até o apoio na triagem de efeitos adversos e orientação sobre o uso seguro de medicamentos. Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), é função do farmacêutico alertar sobre o uso inadequado de substâncias que podem colocar a vida do paciente em risco, inclusive em contextos fora do ambiente hospitalar.

Insulina é remédio, não suplemento

Vale lembrar: a insulina é um hormônio produzido naturalmente pelo pâncreas e essencial para o metabolismo da glicose. Sua administração exógena é indicada apenas em casos específicos, geralmente relacionados ao diabetes tipo 1 ou tipo 2, sob prescrição.

Utilizá-la como se fosse um suplemento para ganho muscular, sem acompanhamento profissional, é não apenas um erro técnico, mas uma ameaça à saúde pública. Como reforça Rodrigo Costa, “não existe atalho seguro para resultados estéticos. É preciso disciplina, orientação de profissionais e responsabilidade com o próprio corpo”.

Como se qualificar

O ICTQ oferece cursos que irão capacitar os interessados nesse tema e em outras abordagens da farmácia clínica: Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica, Farmácia Clínica em Unidade de Terapia Intensiva, Farmácia Clínica em Cardiologia, Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica, Farmácia Clínica de Endocrinologia e Metabologia entre outros.

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