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USP desenvolve nova técnica com microagulhas para tratar câncer de pele

Marcelo de Valécio   23 Dezembro 2020   3612   Farmácia Clínica
USP desenvolve nova técnica com microagulhas para tratar câncer de pele

No novo método, as microagulhas levam o medicamento direto ao tumor de câncer de pele. A inovação, que foi criada em parceria entre a USP e a Queen’s University of Belfast, na Irlanda do Norte, permite a entrega dos fármacos via terapia fotodinâmica (TFD), revelou o Jornal da USP.

Pesquisa desenvolvida no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, em colaboração com a Queen’s University of Belfast, desenvolveu nova forma de combater o câncer de pele. A terapia consiste em utilizar microagulhas dissolúveis que, aplicadas diretamente sobre o tumor, entregam fármacos para combater a doença, via TFD. A pesquisa foi publicada no periódico científico Journal Biophotonics.

A inovação, que cabe na ponta de um dedo, é composta de um arranjo que contém 361 microagulhas, em formato de pirâmide, com 0,5 milímetro (mm) de altura. Durante a aplicação, o dispositivo é posicionado na superfície do tumor e pressionado por 30 segundos. Ele permanece inserido no tumor para que as microagulhas atuem por uma hora.

Passado esse tempo, as microagulhas se dissolvem e o fármaco é absorvido pelo tumor. A partir de então, a região é iluminada, dando início ao processo de terapia fotodinâmica, conforme explicou ao Jornal da USP a autora do estudo, Michelle Barreto Requena, do Grupo de Óptica do IFSC, que fez ‘doutorado-sanduíche’ no Reino Unido.

Tendo como base pesquisas que se propunham a investigar métodos mecânicos para melhorar a entrega de fármacos contra o câncer, Michelle descobriu uma nova vertente para seu trabalho quando esteve em contato com um grupo de especialistas em desenvolvimento de microagulhas poliméricas, no Reino Unido. A partir da parceria estabelecida, direcionou seu trabalho para a área de tratamento do câncer de pele, do tipo não melanoma.

Já no IFSC, Michelle testou o novo procedimento com microagulhas em modelos animais. A pesquisa teve orientação do professor do IFSC Vanderlei Salvador Bagnato. Os resultados obtidos nos testes com camundongos foram superiores aos apresentados nas aplicações tópicas, que usualmente são feitas com creme.

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Segunda a pesquisadora, pela nova experiência, o fármaco foi disponibilizado de forma mais homogênea e em maiores profundidades nos tumores. Além disso, as concentrações dos medicamentos foram quatro vezes menores do que as utilizadas em cremes.

Ainda de acordo com Michelle, o novo procedimento é minimamente invasivo e não causa dor ou sangramento durante a aplicação. Os próximos passos são estudos clínicos em humanos e, se tudo correr como os pesquisadores estão planejando, no futuro, este tipo de procedimento poderá ser disponibilizado para hospitais, centros de saúde e consultórios médicos.

Em sua dissertação de mestrado, defendida em 2015, a pesquisadora descreve que a Terapia Fotodinâmica caracteriza-se por um conjunto de processos físicos, químicos e biológicos que ocorre após a administração de compostos fotossensibilizantes (FS), uma fonte de luz e o oxigênio. Nesta modalidade terapêutica, ocorrem mecanismos de transferência de energia entre o FS e o oxigênio molecular presentes nos tecidos, gerando espécies reativas de oxigênio capazes de levar as células cancerígenas à morte.

O artigo ‘Dissolving microneedles containing aminolevulinic acid improves protoporphyrin IX distribution’, que descreve os resultados da pesquisa, pode ser consultado no site do Journal Biophotonics.

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