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Novo estudo afasta risco de autismo associado ao Tylenol

Metrópoles   20 Janeiro 2026   297   Farmácia Clínica
Novo estudo afasta risco de autismo associado ao Tylenol

O paracetamol é um dos remédios mais usados no mundo para aliviar dor e febre e, há décadas, é considerado a principal opção para gestantes quando o tratamento é necessário.

Mesmo assim, nos últimos anos, surgiram dúvidas sobre uma possível ligação entre o uso do medicamento durante a gravidez e o desenvolvimento de autismo ou outros transtornos neurológicos em crianças.

Um estudo publicado nessa sexta-feira (16/01) na revista científica The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health traz uma resposta mais clara para essa discussão: não há evidência de que o paracetamol cause autismo, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou deficiência intelectual quando usado durante a gestação.

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A pesquisa é considerada a mais completa e rigorosa já feita sobre o tema. Os cientistas revisaram e analisaram 43 estudos anteriores, envolvendo centenas de milhares de crianças acompanhadas desde a gestação até a infância. Os dados incluíram:

Mais de 260 mil crianças avaliadas para autismo.

Cerca de 335 mil analisadas para TDAH.

Mais de 400 mil acompanhadas para deficiência intelectual.

Ao reunir e reavaliar todas essas informações, os pesquisadores concluíram que não existe uma associação consistente entre o uso de paracetamol na gravidez e esses diagnósticos.

Por que pesquisas anteriores geraram dúvidas

Estudos mais antigos chegaram a sugerir uma possível relação entre o medicamento e alterações no neurodesenvolvimento. No entanto, segundo os autores da nova revisão, esses trabalhos tinham limitações importantes.

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Um dos principais problemas era que eles não conseguiam separar o efeito do remédio do efeito das condições que levaram ao uso do paracetamol, como febre, dor ou infecções — situações que, por si só, podem influenciar a saúde do feto. Além disso, fatores genéticos, ambientais e sociais nem sempre eram bem controlados, o que pode ter levado a conclusões equivocadas.

Para reduzir esses erros, o novo estudo usou métodos mais rigorosos. Em parte das análises, os cientistas compararam irmãos da mesma família, em que um foi exposto ao paracetamol durante a gestação e o outro não.

Esse tipo de comparação ajuda a eliminar fatores como genética e ambiente familiar, tornando os resultados mais confiáveis. Mesmo com esse controle mais rígido, nenhuma ligação causal foi encontrada.

Segundo os pesquisadores, quando esses fatores são levados em conta, a associação observada em estudos anteriores simplesmente desaparece.

A conclusão do estudo reforça orientações já adotadas na prática médica: o paracetamol continua sendo considerado seguro durante a gravidez quando usado na dose adequada e pelo menor tempo necessário. Os cientistas alertam que deixar de tratar febre ou dor intensa pode trazer riscos reais para a gestante e para o bebê.

A febre, por exemplo, já foi associada a complicações na gestação quando não é controlada. Por isso, o medo de usar o medicamento sem base científica pode acabar sendo mais prejudicial do que o próprio remédio.

O que muda após o estudo

Os autores destacam que o trabalho ajuda a encerrar um debate que gerou insegurança entre gestantes nos últimos anos. Com base nas melhores evidências disponíveis até agora, não há motivo para associar o uso de paracetamol na gravidez ao autismo ou a outros transtornos do desenvolvimento.

Ainda assim, a recomendação permanece a mesma: qualquer medicamento durante a gestação deve ser usado com orientação médica, respeitando dose e duração do tratamento.

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