Skip to main content

Teste feito em casa com sangue menstrual pode ampliar a prevenção do HPV

Metrópoles   06 Fevereiro 2026   412   Farmácia Clínica
Teste feito em casa com sangue menstrual pode ampliar a prevenção do HPV

Estudo feito por pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, na China, indica que um exame feito a partir do sangue menstrual pode se tornar uma nova alternativa para detectar precocemente o câncer do colo do útero. A descoberta foi publicada nessa quarta-feira (4/2), no Jornal Médico Britânico (BJM, sigla em inglês).

A pesquisa mostra que o método foi capaz de identificar o HPV — vírus responsável pela maioria dos casos de colo do útero — com desempenho semelhante ao exame de papanicolau, hoje usado no rastreamento da doença.

Quando a infecção não é identificada a tempo, pode causar alterações nas células do colo do útero que, com o passar dos anos, evoluem para câncer. Por isso, o rastreamento regular é essencial para evitar casos graves e mortes.

Câncer de colo do útero

O câncer de colo do útero, também chamado de câncer cervical, desenvolve-se nas células da parte inferior do útero, chamada colo uterino.

É o tumor ginecológico mais comum no Brasil e a causa mais comum de morte por câncer em mulheres na América Latina.

A maioria dos casos está relacionada à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), transmitido principalmente por contato sexual.

Na fase inicial, a doença geralmente não apresenta sintomas.

No entanto, à medida que o câncer progride, podem ocorrer sangramento vaginal irregular, corrimento com mau cheiro ou cor diferente, dor pélvica ou durante a relação sexual, entre outros sintomas.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Exame de rastreamento do câncer do colo do útero

Atualmente, o principal exame usado na prevenção é o papanicolau. Ele consiste na coleta de células do colo do útero por um profissional de saúde.

Apesar de o teste ser eficaz, muitas mulheres deixam de realizá-lo por medo, desconforto, vergonha ou dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Essas barreiras explicam por que parte da população ainda não o realiza com a frequência recomendada.

Publicidade

A nova pesquisa acompanhou 3.068 mulheres com idades entre 20 e 54 anos, com ciclos menstruais regulares. Cada participante forneceu duas amostras do colo do útero, coletadas por profissionais de saúde, e uma de sangue menstrual recolhido em casa com um pequeno absorvente.

Todas as amostras foram analisadas para detectar a presença do HPV e possíveis lesões que podem evoluir para câncer. Os resultados mostraram que o exame com sangue menstrual conseguiu identificar 94,7% das lesões de alto grau, número muito próximo ao do exame tradicional, que teve 92,1% de sensibilidade.

Isso mostra que o novo teste pode ser tão eficaz quanto o papanicolau para encontrar alterações importantes. Além disso, quando o resultado deu negativo, ambos os exames apresentaram 99,9% de certeza de que não existiam lesões graves.

Por que o teste pode facilitar a prevenção

Uma das principais vantagens do exame com sangue menstrual é que ele pode ser feito em casa, sem necessidade de consulta ginecológica no momento da coleta. Isso pode reduzir o desconforto e o constrangimento, além de facilitar o acesso ao rastreamento.

Especialistas avaliam que esse tipo de exame pode aumentar a adesão à prevenção, especialmente entre mulheres que evitam o exame tradicional ou vivem em regiões com menos acesso aos serviços de saúde.

O que ainda precisa ser estudado

Os próprios autores destacam que mais pesquisas são necessárias antes de o exame ser adotado na prática clínica. Novos estudos devem confirmar os resultados em diferentes países e populações. Por enquanto, o método não substitui o papanicolau, mas surge como uma alternativa promissora para ampliar o alcance da prevenção.

Detectar o HPV e alterações no colo do útero antes que elas evoluam para câncer é fundamental para salvar vidas. O estudo mostra que o sangue menstrual pode ser uma nova ferramenta nesse processo, com resultados semelhantes aos exames tradicionais e potencial para tornar a prevenção mais acessível.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias

4 coisas que ainda não sabemos após um ano de pandemia

Um ano depois que a pandemia foi declarada pela Organização Mundial da Saúde (O…

Portadores de diabetes e os cuidados com a Covid-19

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pessoas…

Eduardo Paes aplica primeira dose de Ozempic no SUS no Rio

A prefeitura do Rio inaugurou nesta quarta-feira o Super Centro de Saúde da Zon…

Estudo mostra resultados promissores com antiviral contra Covid-19

A holding do grupo Fujifilm anunciou que um estudo em estágio avançado de seu a…

Retatrutida: o que o farmacêutico precisa saber sobre o novo medicamento que promete substituir a bariátrica

A luta contra a obesidade ganhou um novo aliado com a retatrutida, medicamento…

Pessoas vacinadas podem transmitir ou contrair nova Covid-19?

Com a vacinação contra a Covid-19 em curso, os pesquisadores levantam novas que…

CFF define a atuação do farmacêutico no controle de infecções e gerenciamento de antimicrobianos

O plenário do Conselho Federal de Farmácia (CFF) aprovou, em 25.07.24, a resolu…

Medicamento para diabetes pode ajudar no tratamento contra Covid-19

Um estudo desenvolvido por cientistas italianos apontou que a sitagliptina, med…

Vacina da Pfizer/Biontech: quatro pessoas tiveram reação alérgica

Quatro episódios de reação alérgica grave ao imunizante da Pfizer/Biontech cont…

OMS recomenda medicamentos contra casos graves de Covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o uso de dois anticorpos monocl…