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Spray nasal contra Covid-19 terá produção em massa em semanas, afirma cientistas

Wandy Ribeiro   19 Novembro 2020   30300   Farmácia Clínica
Spray nasal contra Covid-19 terá produção em massa em semanas, afirma cientistas

Hoje (19/11), a Universidade de Birmingham, no Reino Unido, anunciou um spray nasal (composto por dois polímeros polissacarídeos) capaz de proteger contra o novo coronavírus (Covid-19). Segundo a instituição, o produto foi desenvolvido por seus cientistas, que fizeram uso de materiais e substâncias já aprovadas para a administração em humanos. Na prática, a entidade desataca que isso pode simplificar o processo de disponibilização da fórmula no mercado.

Por isso, a instituição espera que spray nasal esteja disponível para comercialização muito rapidamente. "Esse spray é feito de produtos prontamente disponíveis que já estão sendo usados em produtos alimentícios e medicamentos e nós, propositadamente, incorporamos essas condições em nosso processo de criação. Isso significa que, com os parceiros certos, podemos iniciar a produção em massa dentro de semanas", explicou o principal autor do artigo, Richard Moakes, conforme matéria publicada no portal Correio do Povo.

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Já a Universidade confirmou: "Uma equipe do Healthcare Technologies Institute (da Universidade) formulou o spray usando compostos já amplamente aprovados por órgãos reguladores no Reino Unido, Europa e Estados Unidos. Os materiais já são amplamente utilizados em dispositivos médicos, medicamentos e até produtos alimentícios", afirma a publicação.

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O composto

Segundo a universidade, o produto tem em sua composição dois polímeros polissacarídeos. Um deles trata-se do agente antiviral carragenina, que é comumente administrado em alimentos como espessante. Já o outro é uma solução chamada gelano, que foi escolhida por sua capacidade de aderir às células dentro do nariz. "O gel é um componente importante porque tem a capacidade de ser pulverizado em gotículas finas dentro da cavidade nasal, onde pode cobrir a superfície uniformemente e permanecer no local de aplicação, em vez de deslizar para baixo e para fora do nariz", ressalta o comunicado.

Nesse sentido, os pesquisadores ressaltam que o spray funciona de duas formas: uma porque ele reveste o vírus dentro do nariz, de onde pode ser eliminado pelas vias usuais (assoar o nariz ou engolir). Já a outra seria pelo fato de que o coronavírus acaba sendo "encapsulado" no revestimento viscoso do produto, sendo impedido de ser absorvido pelo organismo.

Por isso, além de causar a redução da carga viral no corpo, essa ação diminui a probabilidade de outro individuo ser infectado por partículas virais ativas, em casos de transmissão por espirro ou tosse, por exemplo.

"Embora nossos narizes filtrem 1 mil litros de ar todos os dias, não há muita proteção contra infecções, sendo que maioria dos vírus transportados pelo ar é transmitida pela passagem nasal", enfatizou o coautor do trabalho e professor Liam Grover. "O spray que formulamos oferece essa proteção, mas também pode impedir que o vírus seja transmitido de pessoa para pessoa", completou.

Cautela

No entanto, vale reforçar que o estudo ainda não foi revisado por pares. Além disso, os cientistas destacam que, mesmo com uma possível chegada do spary ao mercado, o produto não anula outras medidas de segurança, como usar máscara e álcool em gel, por exemplo.

"Produtos como esses não substituem as medidas existentes, como uso de máscara e lavagem das mãos, que continuarão a ser vitais para prevenir a propagação do vírus", explicou Moakes. "O que esse spray fará é adicionar uma segunda camada de proteção para prevenir e retardar a transmissão do vírus”, reforçou.

Outro ponto importante é que para que esse spray seja comercializado em massa em diversos países, ainda que sua composição tenha ativos já aprovados, o produto deve passar por medidas regulatórias. No Brasil, por exemplo, a substância seria submetida à análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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