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Pesquisadores brasileiros criam antisséptico bucal que inativa coronavírus

Marcelo de Valécio   25 Novembro 2020   35143   Farmácia Clínica
Pesquisadores brasileiros criam antisséptico bucal que inativa coronavírus

Cientistas de instituições nacionais anunciaram a criação de uma fórmula de antisséptico bucal capaz de inativar em 96% a proliferação do novo coronavírus (Sars-CoV-2) nas vias aéreas superiores. A fórmula é baseada na tecnologia Phtalox, um composto criado inicialmente para o tratamento do mau hálito e melhorar a saúde da gengiva, revelou a revista Galileu.

O estudo foi realizado por quatro instituições públicas – Faculdade de Odontologia (FOB) da USP em Bauru (SP), Instituto de Ciências Biológicas da USP, Universidade Estadual de Londrina (PR) e Instituto Federal do Paraná, em parceria com o Centro de Pesquisa e Inovação da empresa DentalClean.

Ele é coordenado pelo cirurgião-dentista, sanitarista e pesquisador da USP Fabiano Vieira Vilhena e contou com o envolvimento de 60 especialistas. As pesquisas foram registradas na plataforma Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC) e na Organização Mundial de Saúde (OMS).

Batizado de Detox Pro, o produto foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e já está sendo produzido em larga escala, com lançamento previsto para dezembro no mercado nacional. “Começamos hoje (24/11) a produção do primeiro lote do produto, o antisséptico de 600 ml”, revelou à Galileu o gerente nacional de negócios da Dentalclean, Giuliano Castro.

“Para o primeiro trimestre de 2021, a estimativa de produção é de mais de 12 milhões de unidades nas categorias antisséptico, spray e gel dental”, completou Castro. Conforme o aumento da demanda, a produção poderá ser aumentada. Para o desenvolvimento e pesquisa do produto foram investidos R$ 10 milhões.

De acordo com Fabiano Vilhena, o antisséptico foi desenvolvido a partir da tecnologia Phtalox, um pigmento especialmente desenvolvido que promove a formação de oxigênio reativo a partir do oxigênio molecular, sendo capaz de inativar o vírus da Covid-19 na boca. Para chegar a esse resultado, foram feitas seis etapas de estudos, envolvendo 107 pessoas.

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Outras pesquisas ainda estão previstas, envolvendo 2,1 mil indivíduos, para evoluir mais atributos que o antisséptico bucal pode proporcionar. Segundo os pesquisadores, logo no primeiro mês foi confirmada a ação virucida do produto, que, de uma fórmula fabricada para doenças gengivais, foi redirecionada para verificar sua eficácia na prevenção da transmissão do Sars-CoV-2.

Os cientistas ressaltam, contudo, que o antisséptico não se trata de uma cura, mas de uma prevenção contra a infecção causada pelo novo coronavírus. “Inativar a transmissão do vírus da Covid-19 nas vias aéreas superiores do corpo humano é uma das formas mais eficazes de não avançar a doença para as vias respiratórias inferiores”, esclareceram os pesquisadores no estudo, segundo a Galileu. “O antisséptico é capaz de bloquear o vírus na cavidade oral (região da boca), impedindo-o que ganhe forças e avance para o restante do organismo”.

Ainda de acordo com os pesquisadores, o produto poderá ser utilizado no dia a dia, fazendo parte dos cuidados com a saúde bucal. Por meio do bochecho e do gargarejo com o antisséptico, a solução tem a possibilidade de reduzir o vírus que pode ter entrado pelo nariz ou pela boca, revelou ao G1 o professor de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas da FOB, Paulo Sergio da Silva Santos. O produto foi ainda testado no tecido de máscaras, onde também foi comprovada a redução da carga viral em 98,75%.

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