Skip to main content

Paracetamol: analgésico mais receitado do mundo induz comportamento de risco, diz estudo

Wandy Ribeiro   10 Setembro 2020   9212   Farmácia Clínica
Paracetamol: analgésico mais receitado do mundo induz comportamento de risco, diz estudo

Pesquisa realizada por cientistas da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, revelou que o uso do paracetamol (acetaminofem) pode induzir pacientes a um comportamento arriscado, diminuindo a capacidade de perceber e avaliar potenciais riscos.

Publicado no jornal científico Social Cognitive and Affective Neuroscience, em julho de 2020, o estudo foi realizado com 500 voluntários. Durante a pesquisa, alguns participantes receberam uma dose de 1 mg de paracetamol, enquanto outros um placebo. A pesquisa mostrou que o fármaco com propriedades analgésicas provocou alterações no comportamento de voluntários que tomaram a medicação.

Na análise, os participantes precisavam encher, de maneira virtual, uma bexiga de ar. Toda vez que o balão era bombeado, a pessoa ganhava um valor de dinheiro imaginário. No entanto, se a esfera estourasse, o voluntário perdia toda a quantia acumulada.

O estudo demonstrou que o grupo que fez uso do paracetamol assumiu mais riscos durante a atividade, em contrapartida, as pessoas que receberam o placebo tiveram mais cautela. Por isso, os balões de quem fez uso do medicamento estouraram mais vezes quando comparados com quem não tomou o analgésico.

“O paracetamol parece fazer as pessoas sentirem menos emoções negativas quando consideram atividades arriscadas. Elas simplesmente não se sentem tão assustadas”, destacou o neurocientista da Universidade Ohio, Baldwin Way, segundo matéria publicada no portal Hypescience.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Ele completou: “Se você está atento aos riscos, pode bombear algumas vezes e decidir parar para não estourar o balão e perder todo o dinheiro. Mas [observamos] que aqueles que tomaram o paracetamol, conforme o balão enchia, sentiam menos ansiedade e emoções negativas sobre o quanto a bexiga está crescendo e a possibilidade de estourá-la”, afirmou Way, em uma publicação no portal da Universidade de Ohio.

Publicidade

Outras iniciativas

Além da ação com os balões, os participantes ainda preencheram formulários durante o experimento, respondendo perguntas sobre níveis de risco que poderiam perceber em várias situações, como, por exemplo, ao apostar o salário em um evento esportivo, pular de bungee jump ou dirigir sem cinto de segurança.

Em um dos formulários, os participantes que tomaram paracetamol apresentaram menor percepção dos potenciais riscos, entretanto, no outro questionário, os resultados foram similares entre os dois grupos.  

Para os cientistas, embora os sintomas sejam leves, houve uma influência, sim, do paracetamol, na tomada de decisão dos voluntários durante o estudo.

Devido aos resultados apresentados na pesquisa, como próximos passos, os especialistas destacam que vão procurar explicações psicológicas alternativas para o fenômeno e investigar os mecanismos biológicos por trás dos efeitos do fármaco.

Participe também: Grupo de WhatsApp e telegram para receber notícias farmacêuticas diariamente

Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

Droga sintética até 40 vezes mais forte que o fentanil avança nas baladas brasileiras

Não é de hoje que a humanidade busca alívio físico e efeito recreativo nos opiá…

AFINAL, PODE BEBER DEPOIS DA VACINA?

Frente a tantos casos de Covid-19 nos últimos tempos, parece até jocoso fazer a…

Deficiência de vitaminas e minerais afeta maioria dos pacientes com diabetes tipo 2

Carência de micronutrientes é mais comum em casos descontrolados da doença

‘Células assassinas’ eliminam coronavírus do organismo, diz estudo

Pesquisadores suecos descobriram pessoas que testaram negativo para Covid-19, m…

Anticoncepcional previne Covid-19 grave, afirma novo estudo

Um novo estudo realizado pela universidade King’s College London, em Londres, I…

16 casos de sarampo expõem risco sanitário e pressionam vacinação em São Paulo

Terça-feira, 04 de agosto de 2026 O estado de São Paulo confirmou 16 casos de…

Ministério da Saúde lança aplicativo que recomenda medicamentos contra Covid-19

O Ministério da Saúde lançou nesta semana um aplicativo que estimula a prescriç…

Denúncia: médicos foram demitidos por não prescrever cloroquina

Um escândalo acaba de entrar para o epicentro da discussão envolvendo a hidroxi…

Brasil registra alta de 134,5% nos casos de diabetes em menos de 20 anos

O número de brasileiros diagnosticados com diabetes mais do que dobrou em menos…

Oportunidade para farmácias: jovens devem procurar mais testes de colesterol

Os Testes Laboratoriais Remotos (TLR) são uma realidade cada maior nas redes fa…