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Novo medicamento injetável aplicado a cada dois meses previne HIV

Wandy Ribeiro   10 Novembro 2020   5722   Farmácia Clínica
Novo medicamento injetável aplicado a cada dois meses previne HIV

Um medicamento injetável de longa duração, pois é necessária a aplicação de uma dose a cada dois meses, foi capaz de prevenir a contaminação do vírus HIV em mulheres. A informação foi divulgada ontem (09/11), por meio do The New York Times.

A droga em questão trata-se do cabotegravir, um antirretroviral produzido pelo laboratório ViiV Healthcare. Segundo a ONUaids, um ensaio clínico realizado com mais de 3.200 mulheres, com alto risco de infecção e idades entre 18 e 45 anos, dos países Botsuana, Quênia, Malaui, África do Sul, Eswatin, Uganda e Zimbábue, atestou a eficácia do tratamento.

Nesse sentido, a descoberta de que o fármaco de ação prolongada preveniria o HIV em seis doses aplicadas ao longo de um ano, em vez das 365 exigidas para a pílula preventiva atualmente utilizada, foi tão convincente que os cientistas optaram por encerrar o ensaio clínico com a droga mais cedo.

“Se quisermos chegar ao fim da epidemia, temos que fazer algo para conter a maré de infecção nessas mulheres", destacou a chefe da pesquisa, Kimberly Smith, em entrevista ao The New York Times. Ela completou: “É por isso que esse estudo é tão importante. É uma opção nova e incrivelmente eficaz para as mulheres".

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Ainda de acordo com o jornal, o ensaio clínico randomizado duplo-cego comparou a droga injetada, o cabotegravir, com o truvada (a pílula) em 3.223 participantes, distribuídas nos 7 países africanos.

Entre as mulheres que receberam o truvada, 34 foram infectadas com o HIV durante o ensaio. Em contrapartida, apenas quatro voluntárias que tomaram as injeções se contaminaram com o vírus, sendo que duas confirmaram que pararam de fazer uso do medicamento injetável durante os testes, segundo Kimberly.

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Resultados animadores

A pesquisa foi recebida com entusiasmo por autoridades em saúde, tanto que a ONUaids, programa da Organização das Nações Unidas (ONU) que luta contra a Aids, celebrou os resultados. “Um estudo mostra que as injeções são 89% mais eficazes na prevenção do HIV em relação às pílulas de profilaxia pré-exposição (PrEP) tomadas diariamente”, destacou o órgão em comunicado.

Já a diretora-executiva da entidade, Winnie Byanyima, complementou: “Esses resultados são muito importantes. A ONUaids há muito clama por meios suplementares de prevenção do HIV que sejam aceitáveis e eficazes para as mulheres e que possam mudar a situação [atual das medidas preventivas]”, disse.

Ela reforçou: “Se doadores e países investirem para distribuir PrEP injetável para mulheres que estão em maior risco de infecção pelo HIV, novos contágios podem ser drasticamente reduzidos”, destacou.

Cautela

Entretanto, vale reforçar que mais análises e aprovações regulatórias são necessárias para, de fato, atestas a eficácia do tratamento na prevenção da doença.

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