Skip to main content

Mounjaro se torna o medicamento mais vendido do mundo e evidencia novas demandas para o varejo farmacêutico

Ricardo Valença   08 Mai 2026   1973   Farmácia Clínica
Mounjaro se torna o medicamento mais vendido do mundo e evidencia novas demandas para o varejo farmacêutico

O Mounjaro, medicamento da Eli Lilly indicado para diabetes tipo 2 e desenvolvido com o princípio ativo tirzepatida, tornou-se o medicamento de maior faturamento do mundo. No primeiro trimestre de 2026, o produto gerou US$ 8,7 bilhões para a farmacêutica, cerca de R$ 43 bilhões, superando o Keytruda, da MSD, imunoterapia usada no tratamento de diferentes tipos de câncer, que registrou US$ 7,9 bilhões no mesmo período.

A liderança do Mounjaro marca uma mudança importante no mercado farmacêutico global. Desde o primeiro trimestre de 2023, o Keytruda ocupava a posição de medicamento mais vendido do mundo, após ultrapassar o Humira, da AbbVie. Agora, o avanço da tirzepatida mostra que a área cardiometabólica passou a disputar protagonismo com a oncologia, impulsionada pela alta prevalência de diabetes, obesidade e doenças associadas.

O desempenho da Eli Lilly se torna ainda mais expressivo quando são considerados, em conjunto, o Mounjaro e o Zepbound, medicamento para perda de peso que também utiliza tirzepatida. Somados, os dois produtos geraram US$ 36,5 bilhões em 2025, acima dos US$ 31,6 bilhões obtidos pelo Keytruda no mesmo ano.

Publicidade

Sucesso comercial acompanha impacto clínico

O crescimento das vendas não ocorre por acaso. A tirzepatida se consolidou como uma das principais inovações recentes no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, justamente por atuar em mecanismos metabólicos relacionados ao controle glicêmico, à saciedade e à redução de peso.

No diabetes, o medicamento contribui para melhorar o controle da glicose no sangue. Na obesidade, sua utilização vem sendo associada a reduções relevantes de peso, o que pode impactar diretamente comorbidades como hipertensão, resistência à insulina, esteatose hepática, apneia do sono, dor articular e risco cardiovascular. Esse conjunto de efeitos ajuda a explicar por que a demanda global cresceu de forma tão acelerada.

Ainda assim, o sucesso terapêutico não elimina a necessidade de cuidado. Medicamentos dessa classe exigem indicação adequada, acompanhamento profissional e uso responsável. O fato de serem populares não significa que possam ser utilizados por qualquer pessoa, em qualquer dose ou com finalidade meramente estética.

O farmacêutico clínico na orientação ao paciente

Com a expansão dos medicamentos injetáveis para diabetes e obesidade, o farmacêutico clínico passa a ocupar uma posição cada vez mais importante na orientação da população. Muitos pacientes chegam à farmácia com dúvidas sobre aplicação, armazenamento, efeitos adversos, dose, intervalo de uso, descarte de agulhas, associação com outros medicamentos e expectativas em relação ao tratamento.

Esse atendimento exige preparo. O farmacêutico não substitui o acompanhamento médico, mas atua diretamente na segurança do uso, no esclarecimento de dúvidas e na adesão ao tratamento. Quando o paciente entende como utilizar corretamente o medicamento, quais reações podem ocorrer e quando deve procurar atendimento, o risco de uso inadequado diminui.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

No caso de medicamentos como Mounjaro, Zepbound, Ozempic e Wegovy, a orientação farmacêutica também ajuda a combater a automedicação e o uso motivado apenas por pressão estética. São terapias voltadas a condições clínicas relevantes, como diabetes tipo 2 e obesidade, e precisam ser tratadas dentro de um plano de cuidado estruturado.

Uso racional é decisivo em medicamentos de alta demanda

A  explosão de interesse por medicamentos análogos de GLP-1 e moléculas relacionadas criou um novo desafio para o varejo farmacêutico e para os serviços de saúde. Quanto maior a procura, maior também o risco de uso sem orientação, compra por canais inadequados, interrupção precoce, ajuste indevido de dose e banalização do tratamento.

É nesse ponto que o farmacêutico se torna uma barreira de segurança. Ele pode orientar sobre conservação adequada, especialmente porque muitos desses medicamentos exigem cuidados específicos de temperatura. Também pode reforçar a importância de seguir a prescrição, esclarecer possíveis efeitos gastrointestinais, alertar sobre riscos de uso concomitante com outros tratamentos e direcionar o paciente quando houver sinais de intolerância ou agravamento.

Além disso, a atuação farmacêutica é essencial para reduzir a desinformação. O paciente muitas vezes chega influenciado por redes sociais, relatos de terceiros ou promessas de emagrecimento rápido. A resposta profissional precisa ser técnica, clara e baseada em evidências.

Qualificação passou a ser exigência para atuar nesse novo cenário

O avanço dos medicamentos injetáveis para diabetes e obesidade mostra que a farmácia clínica precisa acompanhar a velocidade da inovação terapêutica. O farmacêutico que deseja atuar com segurança nesse campo precisa compreender farmacologia, mecanismos de ação, eventos adversos, acompanhamento farmacoterapêutico, orientação ao paciente e limites da sua atuação profissional.

Essa necessidade é ainda maior porque a demanda não vem apenas de pacientes em tratamento. Ela também vem de pessoas que buscam informações antes de iniciar o uso, pacientes que desejam ajustar doses por conta própria, usuários com efeitos adversos e indivíduos que confundem medicamentos indicados para doenças crônicas com soluções rápidas para perda de peso.

A Pós-Graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica do ICTQ prepara o farmacêutico para esse tipo de cenário, com formação voltada ao cuidado direto ao paciente e à atuação clínica baseada em evidências. Um dos diferenciais do curso é o módulo “Medicamentos injetáveis para Tratamento de diabetes mellitus e obesidade”, focado em ensinar o farmacêutico a atuar no manejo dos novos medicamentos injetáveis análogos de GLP-1.

Em um mercado onde a tirzepatida já ocupa o posto de medicamento de maior faturamento do mundo, o farmacêutico qualificado não apenas acompanha uma tendência. Ele se prepara para responder a uma necessidade real de saúde, orientando pacientes, combatendo a automedicação e contribuindo para o uso racional de terapias que já transformam o tratamento do diabetes e da obesidade.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias

Novo Nordisk contesta estudo sobre risco de cegueira de seus medicamentos

Oftalmologistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, identificaram u…

Coronavírus leva 30 dias ou mais para desaparecer do corpo, revela estudo

Um estudo realizado por cientistas italianos, publicado nesta quinta-feira (03/…

Plataforma de streaming terá conteúdo exclusivo para farmacêuticos

Já pensou em como seria interessante ter acesso a uma plataforma de streaming…

Covid-19: Anticorpos são menos eficazes contra nova variante em reinfecção

Por meio de estudos laboratoriais, pesquisadores da Universidade Estadual de Ca…

Farmacêutica salva vida de homem que chegou na farmácia infartando

A farmacêutica Gabriela Cidrão virou notícia em vários veículos de imprensa no…

Pesquisa da UnB aponta molécula de veneno de marimbondo como aliada contra o Alzheimer

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Fundação de Apoio…

Anticorpos de cavalo são até 100 vezes mais potentes contra Covid-19

Pesquisadores brasileiros descobriram que soros produzidos por cavalos para o t…

BBB21: Sarah coloca em dúvida eficácia de vacinas contra o coronavírus

Recentemente, o Brasil atingiu a triste marca de mais de 300 mil mortos pelo no…

Urgente: Rússia diz que terá vacina contra Covid-19 em duas semanas

A Rússia acaba de divulgar que poderá ter uma vacina aprovada contra o novo cor…

Pilula do dia seguinte - Interação com analgésico pode aumentar seu efeito contraceptivo

O estudo, publicado na revista científica The Lancet, foi realizado em Hong Kon…