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Medicamentos de uso contínuo têm receitas prorrogadas

Marcelo de Valécio   28 Julho 2020   15776   Farmácia Clínica
Medicamentos de uso contínuo têm receitas prorrogadas

Foi sanciona com veto pelo presidente da República o Projeto de Lei 848/20, que prorroga validade das receitas de medicamentos de uso contínuo ou sujeitos à prescrição. A regra se aplica enquanto durar a pandemia do novo coronavírus, mas não é válida para medicamentos de uso controlado como tarja preta e antibióticos.

A sanção, que além de Jair Bolsonaro também é assinada pelo ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (28/7). O projeto foi aprovado na Câmara em abril e neste mês no Senado. O texto diz que as receitas médicas ou odontológicas serão válidas “pelo menos enquanto perdurarem as medidas de isolamento para contenção do surto da Covid-19”.

A lei estabelece que a extensão do prazo não vale para medicamentos sujeitos a controle sanitário especial, que devem seguir regulamentação específica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Bolsonaro vetou o trecho da proposta aprovada na Câmara e no Senado que previa aos pacientes que se enquadrassem nos grupos de risco poderiam, por meio de qualquer forma de declaração, indicar outras pessoas para a retirada dos medicamentos.

Na justificativa do veto está escrito que “o dispositivo cria uma exigência que poderá vir a ser estendida a todos os casos e, por consequência, burocratizar o atendimento das farmácias”. Em outro trecho revela que “a medida se mostra desproporcional, uma vez que pode limitar o acesso da população aos medicamentos de uso contínuo que atualmente não há exigência de declaração nem sequer para a retirada de medicamentos que apresentam maior risco”.

O trecho vetado ainda precisará passar por nova análise de deputados e senadores em sessão conjunta do Congresso Nacional.

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Preservação da saúde

Segundo o deputado e autor do projeto, Kim Kataguiri (DEM-SP), “a imposição de validade ao receituário e outras medidas culmina em obrigar pacientes saudáveis a dirigir-se até o sistema de saúde para obter novas receitas, expondo essa pessoa ao risco de contaminação e, ao mesmo tempo, sobrecarregando ainda mais o quadro de atendimento”, justifica o parlamentar no texto.

Nesse sentido, Kataguiri reforça que “indiscutivelmente, a adoção de medidas emergenciais se torna essencial para evitar a proliferação do surto, novos contágios e, principalmente, promover a segurança e saúde pública”.

Para o relator do projeto no Senado, José Maranhão (MDB-PB), o principal intuito da nova lei é a preservação da saúde: “São necessárias medidas para aprimorar a assistência farmacêutica durante a pandemia, de forma a evitar que os pacientes com doenças crônicas precisem ir às consultas médicas para apenas receber novas receitas; [a proposta] também tem o objetivo de acabar com as aglomerações de pacientes nas filas de espera”, disse ele, em entrevista publicada no G1.

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Já à Agência Senado, Maranhão destacou que o aumento do período de validade da prescrição é necessário. Segundo ele, apesar de não existir uma norma ou regra geral que imponha prazo a todas as receitas de medicamentos de uso contínuo, “há situações em que as normas operacionais limitam o prazo e afetam a vida de muitos pacientes”.

Vale destacar que, em meio à pandemia, ações parecidas foram implementadas em âmbito estadual. Recentemente, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou uma iniciativa em que o governo daquele Estado fica incumbido de entregar fármacos de uso contínuo na residência de pacientes transplantados, com esclerose múltipla, hepatites B e C e que façam hemodiálise.

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