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Automedicação com analgésicos pode agravar a dor e exige intervenção farmacêutica

InfoMoney   13 Janeiro 2026   348   Farmácia Clínica
Automedicação com analgésicos pode agravar a dor e exige intervenção farmacêutica

O uso frequente e sem orientação médica de analgésicos pode, em vez de aliviar, causar ou piorar a dor. O problema é conhecido como dor induzida por medicamentos e é mais comum do que se imagina, especialmente em casos de dor crônica.

Segundo a médica anestesiologista e especialista em dor crônica, referência no tratamento da dor, Ana Flávia Vieira Leite, o organismo pode se adaptar ao uso repetido dessas substâncias.

Como o remédio passa a manter a dor

Com o consumo contínuo de analgésicos, ocorrem alterações nos mecanismos de controle da dor no cérebro. As vias que normalmente ajudam a inibir a dor deixam de funcionar de forma adequada.

O alívio provocado pelo medicamento se torna cada vez mais curto. Quando o efeito passa, a dor retorna com mais intensidade ou frequência, levando a pessoa a tomar novas doses e entrar em um ciclo difícil de interromper.

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Sinais de uso excessivo

Alguns sinais indicam que a dor pode estar sendo mantida pelo uso exagerado de remédios. Entre eles estão a necessidade de aumentar a frequência ou a dose para obter alívio e a dor que passa a ocorrer quase todos os dias.

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Também é comum que a dor mude de padrão, deixando de ser pontual e se tornando contínua. Sintomas como irritabilidade, cansaço, dificuldade de concentração e ansiedade podem acompanhar o quadro.

No caso das dores de cabeça, muitos pacientes relatam dor diária, principalmente ao acordar.

Existe uso seguro?

De forma geral, analgésicos simples e anti-inflamatórios não devem ser usados diariamente sem acompanhamento médico. Em casos de cefaleia, o uso desses medicamentos por mais de 10 a 15 dias no mês já aumenta o risco de desenvolver dor por uso excessivo.

A especialista destaca que a segurança não depende apenas da dose. “A frequência, o tempo de uso e as condições clínicas do paciente são fatores determinantes”, afirma.

O uso recorrente deve sempre ser reavaliado para identificar a causa da dor e definir o tratamento mais adequado.

Tipos de dor mais associados

A dor de cabeça é a mais relacionada ao uso excessivo de analgésicos, principalmente enxaqueca e cefaleia tensional. Nesses casos, o uso contínuo do remédio tende a agravar o problema.

Dores musculoesqueléticas, como lombalgia, dor no pescoço e dores musculares difusas, também podem piorar quando tratadas apenas com analgésicos de forma repetida. O medicamento alivia o sintoma, mas não resolve a origem da dor.

O que fazer ao perceber o uso frequente

Ao notar que está recorrendo aos analgésicos com muita frequência, o primeiro passo é buscar avaliação médica. Em muitos casos, é necessário reduzir ou suspender o medicamento de forma orientada.

O tratamento pode incluir fisioterapia, mudanças de hábitos, medicamentos específicos para dor crônica e outras abordagens.

“Tratar a dor não é apenas silenciar o sintoma, mas entender o mecanismo por trás dela e agir de forma personalizada”, conclui a especialista.

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