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Livro revela que heroína já foi vendida como expectorante para crianças

Wandy Ribeiro   13 Abril 2020   7462   Farmácia Clínica
Livro revela que heroína já foi vendida como expectorante para crianças

Por meio do livro Dez Drogas, o jornalista americano, Thomas Hager (foto), conta passagens da história que abordam e apresentam uma reflexão sobre a relação da humanidade com os medicamentos. Entre alguns fatos curiosos e polêmicos, o autor revela que a heroína foi receitada como expectorante para crianças, nos anos de 1890.

De acordo com a publicação, em 1890 a Bayer, que lidava com corantes, embarcou na busca de novos medicamentos. A partir dessa iniciativa, nasceu a Aspirina e, logo após, a Heroína da Bayer. Segundo o livro, os testes iniciais mostraram que a droga era cinco vezes mais forte que a morfina e muito propensa a causar vício, sendo até dez vezes mais eficaz que a codeína e muito menos tóxica.

Na época, o milagroso produto foi indicado como expectorante infantil e até no combate à ninfomania, entre outros problemas. O autor explica que podia-se comprar por US$ 1,50 (quase R$ 7, 00) uma maleta com uma seringa, agulhas e dois frascos de heroína. Segundo Hager, as primeiras apresentações científicas elogiaram a Heroína da Bayer e fizeram plateias aplaudirem a droga em pé.

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No entanto, a Bayer encontrou um problema: como a farmacêutica não tinha descoberto a heroína, pois, a molécula tinha, originalmente, sido elaborada por um químico londrino 20 anos antes, a empresa possuía uma patente fraca. Sendo assim, outras indústrias começaram a produzir a droga. Com isso, milhões de expectorantes à base da substância teriam sido vendidos.

"Dizia-se que elixires [preparações farmacêuticas] com heroína eram seguros para todas as idades, até para crianças. A droga era vendida sem receita, usada num tratamento atrás do outro, e servia para tudo, de diabetes, pressão alta, soluços e ninfomania (a aplicação para ninfomania pelo menos tinha alguma base na realidade: a heroína, como qualquer viciado pode testemunhar, acaba com a libido). Em 1906, a Associação Médica Americana aprovou a heroína para uso geral, especialmente, como substituta para a morfina", explica o autor em um trecho do livro.

Nesse sentido, a publicação ajuda a entender a epidemia de opioides (drogas que podem ser derivadas do ópio, como a heroína e a morfina). De acordo com o autor, a história se inicia a partir do consumo dos opiáceos, pois, esse fato explicaria o motivo pelo qual tantos medicamentos à base dessas substâncias são tão vendidos em todo o mundo, até mesmo, na atualidade.

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No entanto, com o passar dos anos, especialistas em saúde foram descobrindo que a substância não era tão boa assim. De acordo com a publicação, na época, foi constatado que a teoria inicial, sobre a ideia de que a heroína era boa para o sistema respiratório foi considerada equivocada, pois, não fazia nada, em especial, para abrir as vias aéreas. Além disso, entre outras polêmicas, os consultórios começaram a receber muitos pacientes viciados no composto, e jornais também passaram a relatar diversos casos de overdoses. 

O livro Dez Drogas pode ser encontrado, na versão em português, em diversas livrarias em território nacional ou em sites de venda na internet.

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