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Bactérias resistentes dificultam tratamento do pé diabético

Metrópoles   22 Janeiro 2026   498   Farmácia Clínica
Bactérias resistentes dificultam tratamento do pé diabético

Feridas nos pés são uma das complicações mais comuns da diabetes. Quando não cicatrizam corretamente, as lesões podem se transformar em infecções graves, levando a internações prolongadas e, em casos extremos, à amputação do membro.

Entre as bactérias encontradas com frequência nessas feridas, está a Escherichia coli (E. coli), conhecida por causar infecções intestinais, mas que também pode provocar doenças fora do intestino.

Até agora, porém, pouco se sabia sobre quais tipos de E. coli estavam envolvidos nessas infecções relacionadas à diabetes e por que algumas delas evoluem de forma tão agressiva.

Pesquisadores da Escola de Imunologia e Ciências Microbianas da King’s College London, no Reino Unido, analisaram 42 amostras de E. coli retiradas de feridas do pé diabético de pacientes de vários países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Índia e China.

O estudo publicado no jornal científico Microbiology Spectrum em 13 de janeiro mostrou que não existe uma única cepa responsável pelas infecções. Pelo contrário: há uma grande diversidade genética entre as bactérias encontradas.

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Isso significa que diferentes tipos de E. coli conseguem se adaptar ao ambiente das feridas crônicas, o que dificulta tanto o diagnóstico quanto o tratamento.

Resistência a antibióticos é comum

Um dos achados mais preocupantes foi a alta taxa de resistência a medicamentos. Cerca de 78% das amostras analisadas eram resistentes a múltiplos antibióticos, incluindo remédios usados apenas em casos graves, como carbapenêmicos e colistina. Na prática, isso reduz as opções de tratamento disponíveis, aumenta o risco de falha terapêutica e prolonga a infecção, elevando as chances de complicações.

Além da resistência, muitas cepas carregavam genes de virulência, que tornam a bactéria mais capaz de causar doença. Esses genes ajudam a E. coli a se fixar nos tecidos, escapar do sistema imunológico e obter nutrientes essenciais para sobreviver na ferida.

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O que pode mudar após o estudo

Segundo os autores, entender melhor o perfil genético dessas bactérias pode ajudar médicos a escolher tratamentos mais adequados desde o início. Em vez de usar antibióticos de forma empírica, o sequenciamento genético permite identificar quais medicamentos têm mais chance de funcionar em cada caso.

O pesquisador Vincenzo Torraca, do King’s College London, afirma que esse tipo de análise pode reduzir infecções persistentes, hospitalizações longas e risco de amputações.

“Os dados são especialmente importantes para países com menos acesso a exames avançados, onde infecções do pé diabético são mais difíceis de tratar”, afirma.

Os cientistas agora pretendem investigar como esses fatores de virulência influenciam a evolução clínica das feridas. A expectativa é que, no futuro, essas informações ajudem a desenvolver diagnósticos mais rápidos, tratamentos personalizados e estratégias mais eficazes para prevenir complicações graves em pessoas com diabetes.

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