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Anvisa contabiliza 65 m0rtes suspeitas relacionadas a canetas emagrecedoras

Metrópoles   21 Fevereiro 2026   499   Farmácia Clínica
Anvisa contabiliza 65 m0rtes suspeitas relacionadas a canetas emagrecedoras

O crescimento do uso de medicamentos à base de análogos de GLP-1 no Brasil também ampliou as notificações sobre efeitos adversos. Dados do sistema de farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que, entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025, foram registrados 65 óbitos classificados como suspeitos após o uso das canetas emagrecedoras.

Os registros estão no VigiMed, sistema da Anvisa que recebe notificações de possíveis reações adversas enviadas por profissionais de saúde, pacientes e fabricantes de medicamentos.
A agência esclarece que a inclusão de um caso no sistema não significa que o produto tenha causado a morte, mas que o episódio foi comunicado para análise dentro do monitoramento de rotina.

Quais medicamentos estão no levantamento?
O monitoramento envolve princípios ativos usados tanto no tratamento da diabetes tipo 2 quanto na obesidade. Entre eles estão:

• Semaglutida (Ozempic e no Wegovy)
• Tirzepatida (Mounjaro)
• Liraglutida (Saxenda e Victoza)
• Dulaglutida (Trulicity)
Todos esses princípios ativos fazem parte da classe dos análogos de GLP-1, que agem controlando os níveis de glicemia no sangue e diminuindo o apetite.

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Mais de 2 mil reações notificadas
Durante sete anos, de dezembro de 2018 a dezembro de 2025, o VigiMed contabilizou 2.436 notificações de reações suspeitas associadas aos medicamentos.Quase metade dos registros (1.128) aconteceu só no último ano, o que reflete a ampliação do uso desses remédios no país.

Entre os efeitos mais relatados, estão sintomas já descritos na bula, como náusea, vômitos, mal-estar, diarreia e constipação. Além disso, casos de pancreatite — uma inflamação do pâncreas com potencial para se tornar grave — também aparecem na lista, com 145 notificações no sistema.
Ao somar dados de estudos clínicos que não entram na base do VigiMed, o total de ocorrências de pancreatite sobre para 225.
Dos 65 óbitos registrados como suspeitos, seis foram divulgados anteriormente por uma possível associação com quadros de pancreatite. A Anvisa reforça que a notificação não estabelece relação de causa e efeito entre o evento e o uso de canetas emagrecedoras.

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Como funciona a farmacovigilância?
A Anvisa explica, em nota, que a agência “não investiga óbitos de forma individual” e que o trabalho consiste em “analisar as notificações suspeitas de eventos adversos recebidos como parte do monitoramento de farmacovigilância”.
De acordo com a Anvisa, esse sistema de notificações é uma das ferramentas usadas para monitorar o desempenho dos medicamentos na vida real. Isso significa que a atribuição da agência nesses casos é analisar e identificar padrões que possam indicar alteração no perfil de segurança ou eficácia dos produtos depois da entrada no mercado.
Além do VigiMed, a farmacovigilância inclui estudos controlados, pesquisas científicas independentes e levantamentos de pós-mercado, que seguem critérios metodológicos bem rigorosos.

Até o momento, segundo a agência, não existem evidências que indiquem mudança nas recomendações do uso das canetas emagrecedoras dentro das indicações aprovadas.

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