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A Febre das “Injeções de Bem-Estar”: Entre o Glamour das Celebridades e os Riscos Reais

Metrópoles   27 Novembro 2025   785   Farmácia Clínica
A Febre das “Injeções de Bem-Estar”: Entre o Glamour das Celebridades e os Riscos Reais

Um novo fenômeno silencioso — embora cada vez menos discreto — vem tomando conta do universo das celebridades, influenciadores e executivos de alto impacto: as chamadas “injeções de bem-estar”. E nomes conhecidos do público já adotaram a novidade. Anitta fala abertamente. Sabrina Sato exibe na rotina. Gracyanne Barbosa transformou em parte da preparação física.

Mas por trás desse brilho — aparentemente inofensivo — existe um mercado que cresceu mais rápido do que qualquer outro segmento de autocuidado no Brasil.

Por que todos estão correndo para isso? E mais importante: o que há de verdade e o que há de moda? Para responder, a coluna Fábia Oliveira ouviu figuras que vivem nos bastidores desse boom. O endocrinologista Derek Camargo, referência nacional em performance e longevidade, e o farmacêutico Lucas Gasparini, CEO de um dos maiores polos de produção de injetáveis do país, falaram sobre o caso. As respostas revelam um cenário que vai muito além da estética — e que explica por que esse mercado simplesmente explodiu.

Fugiu ao controle

Derek Camargo comentou que o que está acontecendo não é aleatório. Segundo ele, vivemos “a tempestade perfeita” para esse tipo de terapia se tornar febre nacional: “Eu vejo esse boom das ‘injeções de bem-estar’ como a soma de três fatores principais: ciência, velocidade de resultado e influência social”, opinou.

O especialista explicou que o público, hoje, exige uma performance quase sobre-humana: energia constante, aparência impecável, produtividade sem pausas. E é nessa busca que as fórmulas injetáveis passaram a ser tratadas como um novo atalho, um novo ritual, um novo símbolo de alto padrão.

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E o impacto das celebridades é direto: “Vivemos uma cultura de alta performance. Celebridades, executivos e influenciadores são cobrados para ‘estar bem o tempo todo’. Quando nomes famosos falam abertamente que utilizam fórmulas injetáveis personalizadas, isso valida o tema e desperta curiosidade em muita gente”, disse, alertando que a exposição traz riscos: “Injeção de vitamina não é estética de rede social, é ato médico”, observou.

Riscos, erros e busca do impossível

A busca frenética por “energia instantânea” tem produzido efeitos colaterais graves entre pacientes que tentam repetir a rotina dos famosos sem qualquer avaliação médica. Para ele, a medicina preventiva virou moda, mas sem médico, vira roleta-russa.

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O endocrinologista ainda fez outro alerta: “Quando alguém inicia um protocolo injetável sem avaliação, os principais riscos são uso desnecessário de ativos, doses inadequadas, interações perigosas e, o pior, mascarar problemas graves que precisariam de diagnóstico precoce”, detalhou.

O médico afirmou que a explicação é simples: as famosas vivem em uma rotina que exige o impossível: “Celebridades respondem tão bem porque já vivem em altíssima demanda de energia. Quando você organiza um protocolo completo, o contraste entre o ‘antes’ e o ‘depois’ é muito nítido. E isso cria um efeito cascata: se funciona para elas, todos querem copiar — mesmo sem precisar”, pontuou.

 

Resposta da indústria

Nos bastidores da indústria, o retrato é ainda mais impressionante. As compras explodiram e linhas inteiras de produtos dobraram de demanda em meses. O farmacêutico e CEO Lucas Gasparini confirmou.

“O crescimento das terapias injetáveis é resultado de informação, experiência clínica e mudança de comportamento do paciente”, explicou.

Mas ele não nega: o efeito celebridade é determinante: “Quando uma figura pública comenta que faz injeções de vitaminas ou protocolos personalizados, isso desperta curiosidade e aumenta o volume de pedidos. É um efeito vitrine”, comparou, revelando que a febre começou exatamente assim.

Pedidos nas clínicas

Lucas Gasparini detalhou a nova trilogia de sucesso: “Hoje, os ativos mais procurados estão ligados a energia, imunidade, performance física e qualidade de pele. Entre eles estão B12, complexo B, aminoácidos essenciais, antioxidantes e ativos de pele e cabelo. Ou seja: tudo que celebridades e influenciadores mostram que usam. Segundo ele, a mudança mais marcante é a busca por personalização real”, pontuou.

Porém, se existe boom, existe risco. O farmacêutico descreveu um bastidor que ninguém imagina: “Quando o mercado cresce rápido, nosso compromisso é manter padrão absoluto de qualidade em escala. Cada frasco precisa ter rastreabilidade completa”.

Alerta e conclusão

O especialista ainda falou sobre o perigo da expansão: “Segurança não é apenas o que acontece dentro da farmacêutica. É o que acontece desde o laboratório até a aplicação no paciente”, disse.

Para eles, o boom das injeções de bem-estar não é moda. É um novo símbolo de status, um novo ritual de performance e um novo capítulo da cultura do “estar bem o tempo inteiro”. Mas especialistas avisam: entre a febre das celebridades e a saúde real, existe um abismo — e só profissionais qualificados conseguem guiá-lo com segurança.

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