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Cresce mais de 20% o consumo de antidepressivos no Brasil

Wandy Ribeiro   13 Janeiro 2020   53294   Farmácia Clínica
Cresce mais de 20% o consumo de antidepressivos no Brasil

Estudo realizado pela Funcional Health Tech mostrou um aumento de mais de 20% no consumo de antidepressivos no Brasil, entre 2014 e 2018. Segundo o levantamento, mulheres na faixa dos 40 anos são as que mais estão utilizando os medicamentos.

A pesquisa, realizada com base nos dados de mais 327 mil pessoas, ainda constatou que os antidepressivos estão entre os medicamentos mais consumidos no País. Um ranking de vendas dividido por categorias  terapêuticas demonstrou que a psiquiatria é a 10ª classe mais consumida em território nacional.

Dentro da categoria, os antidepressivos e os analépticos (drogas estimulantes do sistema nervoso central) são os medicamentos mais comercializados. Em seguida, vêm os sedativos e os ansiolíticos (utilizados para controle de ansiedade). 

“A saúde mental e a saúde física são duas vertentes fundamentais para o bom funcionamento do corpo humano", ressalta o médico e vice-presidente da Funcional Health Tech, Ricardo Ramos. Ele completa: “Ansiedade e depressão têm afetado a população do mundo todo. Por isso, o cuidado especial com a ajuda de um médico especialista em saúde mental é muito importante”.

De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com depressão no mundo aumentou em mais de 18,4%, nos últimos 10 anos. Estima-se que são mais de 322 milhões de pacientes depressivos, cerca de 4,4% da população do planeta.

O levantamento ainda mostra que o Brasil é o País da América Latina com mais pessoas ansiosas e estressadas. Cerca de 5,8% dos brasileiros estão com depressão e 9,3% com ansiedade.

A atenção farmacêutica nos psicofármacos

Em recente matéria publicada no Portal do ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, o farmacêutico e professor da instituição, Andre Schmidt Suaiden, explica que a depressão é a principal doença que mais causa incapacitação no mundo, limitando o indivíduo até mesmo nas atividades básicas, como lazer e trabalho. Entretanto, apenas uma pequena parte desses pacientes é diagnosticada de forma correta e recebe o tratamento adequado.

Há vários fatores que interferem na descoberta do diagnóstico, como situações ligadas aos pacientes  (atitudes e crenças em relação ao tratamento, falta de conhecimento sobre a doença), ao medicamento (regimes posológicos complexos, efeitos adversos e interações medicamentosas) e ao médico (atitudes e interação com o paciente). Todos eles podem contribuir para a não adesão ao tratamento.

A terapia medicamentosa para os transtornos mentais é feita pela utilização de psicofármacos, que são fármacos que alteram a atividade neurobiológica, melhorando os sintomas psiquiátricos.

“Os psicofármacos são medicamentos sujeitos a controle especial pertencentes a portaria 344/98 cujas classe de receitas são: (A3, B1 e C1) consideradas substâncias que podem causar dependência”, alerta Suaiden.

Ele explica que os medicamentos podem ser divididos em quatro classes: ansiolíticos, que são utilizados para ansiedade; antidepressivos, usados na depressão, antimaníacos (estabilizadores do humor), usados no tratamento do distúrbio bipolar; e os antipsicóticos, utilizados no tratamento das psicoses.

Os medicamentos constituem um arsenal poderoso para diminuir o sofrimento humano. No caso dos psicofármacos, eles retardam o surgimento de complicações, prolongam o tempo de bem-estar e de substâncias que tornam as pessoas felizes, facilitando o dia a dia dos indivíduos e suas enfermidades.

“Entretanto, como mencionado, fatores relacionados à sua utilização como efeito terapêutico desejável, efeitos colaterais, reações adversas e interações medicamentosas, podem levar o indivíduo a abandonar o tratamento, fazendo com que o medicamento não exerça plenamente sua função”, explica o farmacêutico.

Por isso, vários estudos apontam para o fenômeno da medicalização, em que o medicamento ocupa um lugar de destaque. Na saúde mental este fenômeno é mais evidente. “Observa-se, nessa prática, prescrição abusivas de medicamentos para sofrimento psíquico, muitas vezes, relacionados com problemas sociais e econômicos e deixando fragilizada a comunicação entre profissionais e usuários”, ressalta o professor. (leia a matéria completa aqui).

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