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PF investiga desvio de canetas emagrecedoras da Anvisa

G1   21 Outubro 2025   1069   Assuntos Regulatórios
PF investiga desvio de canetas emagrecedoras da Anvisa

Agentes saíram para cumprir 3 mandados de busca e apreensão em uma clínica de estética na Barra da Tijuca e na casa de uma médica, na Zona Sudoeste do Rio, suspeita de adquirir parte desse medicamento. Houve buscas ainda em São Gonçalo.

  • Celulares;
  • Computadores;
  • 1 veículo;
  • Documentos diversos.

A operação é um desdobramento de uma investigação que começou em agosto, quando um servidor da Anvisa foi preso ao deixar o Galeão com frascos de Mounjaro em uma mochila. Ele trabalhava no setor responsável pelo armazenamento de materiais apreendidos (veja a nota da Anvisa ao fim da reportagem).

“A investigação, que conta com o apoio da Anvisa, foi iniciada a partir do aumento expressivo de apreensões de remédios para emagrecimento na fiscalização aeroportuária, os quais são importados clandestinamente e desviados para comercialização em clínicas médicas”, explicou a PF.

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O g1 apurou que, em fevereiro, o marido da médica tentou trazer do exterior 80 canetas sem receita, o que chamou a atenção da Receita Federal, que reteve a carga e a encaminhou para a Anvisa. À época, o Mounjaro só era permitido para o tratamento de diabete (entenda abaixo). Essas canetas foram sumindo aos poucos, o que levou à investigação e à prisão do servidor.

De acordo com a PF, as canetas eram vendidas irregularmente, com valores diferentes dependendo da validade: as dentro do prazo custavam mais, enquanto as vencidas eram oferecidas “com desconto”.

O Mounjaro é um medicamento que depende de receita, que fica retida na farmácia, e exige condições rigorosas de armazenamento, transporte e aplicação.

“A importação clandestina de fármacos do tipo representa um risco para a saúde pública, em razão da impossibilidade de verificação da real procedência dos medicamentos”, emendou a PF.

Os investigados poderão responder pelos crimes de Importação e venda de medicamento de procedência ignorada, bem como receptação qualificada.

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Aprovado em junho

A caneta, concorrente do Ozempic (semaglutida), era vendida no país desde maio, mas só estava permitida para o tratamento da diabete tipo 2 — agora o escopo ficou mais amplo.

A tirzepatida age no controle da taxa de açúcar no sangue e do peso de pacientes. De acordo com a fabricante, ela é a 1ª medicação disponível e aprovada capaz de atuar nos receptores dos hormônios que agem no controle do apetite.

A aplicação do medicamento é injetável e semanal. Há doses de 2,5 mg e de 5 mg. A caixa com 4 canetas pode custar até R$ 2,3 mil, dependendo da concentração e da adesão ou não ao programa do fabricante.

Nota da Anvisa

"A Anvisa está apoiando uma ação deflagrada nesta terça-feira (21/10/2025) pela Polícia Federal para combater o contrabando e desvio de canetas GLP-1, que são as canetas utilizadas para controle de diabetes e tratamento da obesidade.

As investigações tiveram início a partir de uma denúncia feita pela própria Anvisa à Polícia Federal ainda no primeiro semestre deste ano.

Um servidor está afastado das funções desde agosto deste ano por decisão da Anvisa. Ele responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), além do processo judicial.

Desde o início o ano a Anvisa tem realizado apreensões de medicamentos do tipo GLP-1 no aeroporto do Galeão. A fiscalização também já identificou que em nenhum dos casos de apreensão é possível garantir as condições de conservação destes medicamentos.

A Anvisa mantém o alerta para que a população só compre medicamentos em farmácias e drogarias. Estes são os únicos lugares autorizados a comercializar medicamentos.

Qualquer medicamento vendido fora de farmácias ou drogarias está irregular."

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