Skip to main content

Procon multa Raia Drogasil em R$ 572 mil com base na lei de proteção de dados

Marcelo de Valécio   16 Julho 2021   39506   Varejo Farmacêutico
Procon multa Raia Drogasil em R$ 572 mil com base na lei de proteção de dados

O Grupo Raia Drogasil foi multado em R$ 572.680,71 pelo Procon de Mato Grosso por obter de forma irregular autorização dos clientes para o tratamento e uso de seus dados pessoais, revelou o site Olhar Direto. Contudo, a rede farmacêutica diz que cumpre a legislação e discorda da autuação do órgão.

Segundo o Procon-MT, a infração foi constatada após conclusão de procedimento iniciado por fiscalizações realizadas em unidades da rede em Cuiabá, entre os dias 4 e 5 de maio deste ano. No total, seis estabelecimentos foram vistoriados. A ação foi motivada por solicitação do Ministério Público Estadual de Mato Grosso e por denúncias de consumidores encaminhadas ao Procon.

Publicidade

De acordo com as denúncias, sob pretexto de realizar recadastramento para obtenção e manutenção de descontos, a Raia Drogasil estaria coletando dados pessoais e a biometria dos consumidores, bem como a autorização para o tratamento desses dados, sem prestar as informações adequadas aos clientes, conforme estabelecido na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Durante as fiscalizações, os servidores do Procon constataram a irregularidade.

“Ficou comprovado que o principal objetivo da atualização cadastral é conseguir a autorização para o tratamento de dados, prevalecendo-se da ignorância do consumidor, e não apenas garantir a participação em programas de descontos e benefícios, como era informado aos clientes durante o recadastramento”, afirmou ao site o coordenador de Fiscalização, Controle e Monitoramento de Mercado do Procon, Ivo Vinícius Firmo.

De acordo com os fiscais do Procon, no momento da abordagem ao consumidor, era informado somente que a loja estava realizando o recadastramento para atualização cadastral ou de descontos, sem mencionar a autorização para o uso dos dados pessoais. Isso acontecia tanto com clientes da drogaria como com consumidores novos.

Em alguns estabelecimentos, os funcionários chegavam a mencionar a LGPD, porém não passavam a informação completa aos consumidores. Além disso, os fiscais verificaram que os termos da autorização que estava sendo solicitada não eram mostrados nem lidos para os consumidores.

Os funcionários apenas selecionavam a opção ‘aceito’ nos itens sobre o consentimento para o uso de dados pessoais – que apareciam na tela do computador – e pediam que o cliente confirmasse com a digital. Depois disso, entregavam um comprovante de consentimento de uso de dados que continha somente um resumo das informações, diferente do que aparecia para o atendente na tela do computador.

Ao analisar a íntegra do ‘Termo de Consentimento de Uso de Dados Pessoais’, o Procon verificou que a autorização permitia ao grupo Raia Drogasil coletar e utilizar os dados pessoais e de comportamento de compra de produtos obtidos em seus canais de atendimento como sites, aplicativos, televendas, SAC e lojas.

Esses dados poderiam ser usados para pesquisas, participação de programas de fidelidade/descontos/participação em Programas de Benefícios em Medicamento e Produtos de Uso Contínuo e compartilhados com empresas do grupo, fornecedores e parceiros. Entretanto, segundo apurou o Olhar Direto, a empresa não identificava o nome de quem teria acesso aos dados dos clientes.

A LGPD (Lei 13.709/18) entrou em vigor em setembro de 2020. Seu principal objetivo é garantir transparência no uso dos dados das pessoas físicas em quaisquer meios. Entre as novas regras da LGPD, está o maior controle dos cidadãos sobre suas informações pessoais, exigindo consentimento explícito para coleta e uso dos dados, além de obrigar a oferta de opções para o usuário visualizar, corrigir e excluir esses dados.

Para obter os dados e o consentimento para o uso, o cidadão deve ser informado previamente, de forma clara e transparente, sobre quem terá acesso, para que destinação seus dados serão utilizados, por quanto tempo e com quem serão compartilhadas as informações. O consentimento é considerado nulo se for obtido de forma enganosa ou abusiva.

Em nota à imprensa, a Raia Drogasil garantiu que não descumpre a LGPD, age com total transparência com seus clientes e discorda da multa aplicada pelo Procon-MT. “Somos uma empresa centenária que cumpre integralmente a legislação em todo o País, portanto, discordamos veementemente da autuação de que teríamos descumprido a LGPD no Estado do Mato Grosso”, diz o comunicado, segundo o Olhar Direto.

O documento da empresa ainda assinala que todos os funcionários são orientados “a informar adequadamente os clientes sobre a captura de consentimento, cuja forma pode ser livremente escolhida pelo cliente dentre as opções ofertadas – SMS, assinatura em formulário próprio etc”.

“Ressaltamos também que todas as informações coletadas são utilizadas em benefício do próprio cliente, como é o caso das promoções personalizadas em categorias relevantes para cada cliente. A Drogasil e as demais empresas do seu grupo econômico não comercializam em nenhuma hipótese informações pessoais de seus clientes com terceiros. Adotamos também procedimentos rigorosos para garantir a segurança das informações e para assegurar a privacidade dos nossos clientes”, garantiu a companhia na nota.

​Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Na quinta-feira passada (8/7), a Raia Drogasil anunciou que havia suspendido a coleta de biometria dos clientes como condição para lhes conceder descontos. A suspensão veio após a empresa receber notificação extrajudicial do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) questionando se a prática de coletar a impressão digital de clientes para conceder descontos estaria de acordo com LGPD.

Também a Fundação Procon-SP havia notificado a empresa, pedindo explicações sobre a política de descontos aplicada aos itens comercializados em sua rede de atendimento de lojas físicas, informando que poderia multá-la em até R$ 50 milhões se coleta de biometria não se justificasse, segundo revelou o site Valor Investe.

O farmacêutico e professor da pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica no ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Rafael Poloni, lembra que a LGPD foi criada com intuito de garantir ao consumidor que seus dados sejam coletados, tratados, armazenados e protegidos.

“Os farmacêuticos, assim como todos os profissionais da saúde, devem assegurar que os dados pessoais de seus pacientes sejam protegidos, conforme disposto na lei, estando sujeito a duras penalidades em caso de descumprimento. A depender da situação, a penalidade pode se restringir a uma simples advertência ou multa, que pode chegar a R$ 50 milhões”, adverte Poloni.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias farmacêuticas diariamente.

 Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

Bifarma, Campeã e Abradilan são alvo de operação contra esquema de sonegação e lavagem de dinheiro

Um suposto esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro levou o Ministério…

Mulher denuncia violência doméstica ao pedir dipirona pelo telefone

Uma mulher vítima de violência doméstica foi socorrida pela Polícia Militar de…

Pacientes em tratamento de leucemia recebem medicamentos falsos no Paraná

Polícia encontrou um frasco idêntico aos entregues à Secretaria de Estado de Sa…

Farmácias de fachada usaram Programa Farmácia Popular para financiar o tráfico internacional de drogas

A Polícia Federal (PF) desarticulou, nesta quinta-feira (13/2), uma poderosa or…

Pague Menos começa a vender testes que comprovam resposta imunológica pós-vacinação

Reforçando seu posicionamento de hub de saúde, a rede Pague Menos, por meio do…

Farmácias projetam maior crescimento em 7 anos

As farmácias brasileiras tiveram em 2019 o seu melhor ano desde 2015, quando a…

Número de farmácias passa de 100 mil no Brasil

Desse universo, 84% são micro e pequenas empresas, sendo que mais de quatro mil…

Pesquisa inédita mostra hábitos de consumo nas farmácias de capitais

Um em cada quatro porto-alegrenses frequenta semanalmente uma farmácia ou droga…

Medicamentos são encontrados em aterro sanitário

Vários medicamentos foram encontrados enterrados no aterro municipal de Salmour…

Farmácias não podem escalar mulheres dois domingos seguidos

As farmácias e drogarias que funcionam em regime de escala aos domingos devem r…