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PrEP injetável de longa duração contra HIV começa a ser comercializada no Brasil

Metrópolis   28 Agosto 2025   1513   Varejo Farmacêutico
PrEP injetável de longa duração contra HIV começa a ser comercializada no Brasil

A farmacêutica GSK lançou no Brasil o primeiro medicamento injetável de longa ação capaz de prevenir contra o HIV. O cabotegravir, conhecido pelo nome comercial Apretude, passou a ser disponibilizado nessa segunda-feira (25/8) em farmácias privadas com distribuição da Oncoprod. Ainda não há perspectiva de adoção dele pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O cabotegravir foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023. Ele tem função semelhante à da profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV distribuída pelo SUS, impedindo que a pessoa contraia a doença em caso de contato com o vírus.

Enquanto no SUS o tratamento é dado com medicamentos orais que devem ser usados diariamente, a injeção da GSK promete 60 dias de prevenção a cada aplicação. O medicamento chega ao mercado privado com o preço de tabela de R$ 4 mil.

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A diferença de eficácia do medicamento em relação à versão oral não está na medicação em si, mas na forma de uso. Ao diminuir a frequência e, consequentemente, o risco de esquecimento de tomar o remédio, o uso da injeção foi superior em evitar infecções nos estudos clínicos até agora realizados.

O que é o HIV e sua diferença para a aids?

  • O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um microrganismo que ataca o sistema imunológico. Quando não é tratado, ele pode evoluir para a aids (síndrome da imunodeficiência adquirida), que representa o estágio mais avançado da infecção pelo HIV.
  • Embora não exista a cura para a aids, o tratamento antirretroviral pode controlar a infecção, permitindo que pessoas vivendo com HIV tenham uma vida longa e saudável.
  • O tratamento correto pode fazer com que o paciente atinja a carga viral indetectável para o HIV, ou seja, tão baixa que não pode ser detectada por testes padrão. Nesse caso, a pessoa também não transmite o vírus.
  • O HIV é transmitido principalmente através de fluidos corporais específicos, durante o sexo sem proteção, compartilhamento de seringas e de mãe para filho durante o parto, quando não for bem assistido.
  • O SUS disponibiliza testes rápidos para o HIV e também o tratamento preventivo com a profilaxia pré-exposição (PrEP), com o uso de um remédio diário. Procure um serviço de saúde e informe-se para saber se você tem indicação para PrEP.

Como funciona a nova estratégia?

O Apretude é um antirretroviral da classe dos inibidores da integrase. Ele bloqueia a integração do DNA viral nas células humanas, etapa essencial para a multiplicação do HIV. Essa forma de ação impede que o vírus se instale no organismo.

A injeção deve ser administrada apenas em pessoas com teste negativo para HIV realizado até sete dias antes da aplicação. O uso é estritamente preventivo e não pode ser indicado para quem já convive com o vírus.

Assim como na PrEP oral, a injetável é voltada para pessoas sexualmente ativas a partir dos 15 anos, com pelo menos 35 quilos, que se considerem em risco aumentado de exposição. O medicamento é aplicado por via intramuscular, por isso a injeção deve ser feita com o auxílio de uma pessoa treinada ou de um profissional de saúde. O uso deve ser combinado com preservativos e outras formas de prevenção.

“O cabotegravir é um marco pioneiro no Brasil, com estudos de vida real que demonstram maior eficácia e adesão em relação à PrEP oral. Além do mercado privado, estamos focados em disponibilizar o medicamento no SUS”, afirma o infectologista Rodrigo Zilli, diretor médico da GSK em comunicado à imprensa.

Evidências científicas da PrEP injetável no Brasil

O estudo ImPrEP CAB Brasil, conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em seis centros públicos, avaliou 1.447 participantes entre 18 e 30 anos, em dois grupos que usaram a injeção e o remédio oral. Nenhum caso de infecção por HIV foi registrado no grupo do cabotegravir durante o acompanhamento e todos disseram que gostariam de continuar o tratamento por esta via.

Entre os usuários que escolheram a PrEP oral, houve dez diagnósticos de HIV no período. A adesão ao esquema injetável alcançou 95%, contra 58% entre os que faziam uso da forma oral.

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Perspectivas para o SUS

Atualmente, a PrEP oral é distribuída gratuitamente pelo SUS. Mais de 130 mil pessoas fazem uso do medicamento. No entanto, ainda há barreiras de adesão, como estigma de carregar os comprimidos, os esquecimentos e as dificuldades de tomá-lo todo dia.

A inclusão da versão injetável na rede pública depende de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec). O processo já está em análise, mas não há data definida para a deliberação.

Segundo estimativas apresentadas pela GSK, o uso do cabotegravir poderia evitar 385 mil novos casos de HIV em dez anos, com impacto econômico de R$ 14 bilhões em custos evitados no tratamento.

O cabotegavir, no entanto, não é a única injeção que promete aumentar a adesão à PrEP. Também está em jogo o antiviral lenacapavir, da Gilead Sciences, que pode dar uma imunidade contra infecções pelo HIV de até seis meses e que foi capaz de proteger 100% das mulheres que usaram o remédio da infecção pelo vírus da aids.

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