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Médicos passam a orientar pacientes a comprar a caneta emagrecedora mais barata

Metrópoles   07 Janeiro 2026   2449   Varejo Farmacêutico
Médicos passam a orientar pacientes a comprar a caneta emagrecedora mais barata

Bloomberg Línea - A guerra de preços entre fabricantes de medicamentos para perda de peso entrou em novo estágio em consultórios brasileiros.

Médicos ja prescrevem a pacientes receitas com a orientação "a depender do melhor preço", seguida de lista com pelo menos quatro opções - Ozempic, Extensior, Wegovy e Poviztra -, segundo apurou a Bloomberg Línea.

A prática marca a virada em um mercado que, há três anos, tinha opções limitadas com marcas que se tornaram sinônimo de medicamento, caso do Ozempic, e preços bem acima de R$ 1.000 por "caneta emagrecedora".

Medicamentos à base do princípio ativo semaglutida eram aprovados apenas para tratamento de diabetes tipo 2, o que gerava críticas de que pessoas em busca de perda de peso desviariam produtos para diabéticos.

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O cenário mudou quando a Novo Nordisk, fabricante dinamarquês que domina o segmento, adotou uma estratégia de segmentação: Ozempic para diabetes tipo 2, Wegovy para obesidade e Rybelsus como alternativa em comprimido.

Os medicamentos trazem o princípio ativo que imita o hormônio natural GLP-1, que regula a saciedade e a glicemia.

Em dezembro, a FDA americana aprovou versão oral do Wegovy (25mg), primeiro medicamento GLP-1 em comprimido para obesidade nos EUA.

No horizonte, aguarda-se a chegada ao mercado da retatrutida, da Eli Lilly, com ação tripla e previsão de aprovação nos EUA em 2026.

No Brasil, a Novo Nordisk lançou a Extensior e a Poviztra em parceria com a Eurofarma, ampliando o portfólio com diferentes estratégias de preço.

A segmentação em tese pôs fim às críticas sobre desvio de finalidade.

Hoje esse mercado estimado em R$ 11 bilhões em vendas em 2025, segundo análise da equipe de equity research do UBS BB, inclui três princípios ativos.

Há a semaglutida, da Novo Nordisk (Ozempic, Wegovy, Rybelsus) e da Novo com Eurofarma (Extensior e Poviztra); a liraglutida, da Novo (Victoza e Saxenda) e da EMS (Olire e Lirux); e a tirzepatida da Eli Lilly (Mounjaro e Zepbound), um agonista duplo GLP-1/GIP que imita dois hormônios, é mais potente e mais caro (faixa entre R$ 1.400 e R$ 3.000, dependendo da dosagem).

Programa de descontos do laboratório

Em levantamento feito pela Bloomberg Línea em marketplaces de grandes redes farmacêuticas, a mesma dosagem aparece com preços praticamente equiparados entre as marcas da Novo Nordisk.

O programa de descontos NovoDia, criado pela Novo Nordisk com cadastro feito no site homônimo, reduziu ainda mais a barreira de entrada. O Rybelsus de 3mg sai por R$ 565 com 56% de desconto, o menor preço do portfólio.

Para 1mg de semaglutida, o Ozempic, o Extensior e o Poviztra custam R$ 999 cada, incluindo o desconto do laboratório. Na dosagem inicial de 0,25mg, o Wegovy está a R$ 875. Já o Ozempic em apresentação 0,25/0,5mg aparece a R$ 963.

Mesmo nas dosagens mais altas, como o Wegovy de 2,4mg para casos graves de obesidade, o preço caiu de mais de R$ 2.500 para R$ 1.699.

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Edução de preços

A estratégia de preços da Novo Nordisk no Brasil opera de forma independente das decisões globais da farmacêutica. Em novembro, a empresa confirmou à Bloomberg Línea que reduções anunciadas globalmente para o Ozempic e o Wegovy não se aplicavam ao mercado brasileiro.

O movimento mais recente da companhia ocorreu na China, onde cortou pela metade o preço do Wegovy às vésperas da expiração da patente no país asiático.

No Brasil, a última redução de preço aconteceu em junho, quando o laboratório cortou em até 19,6% os valores após a chegada do concorrente Mounjaro, da americana Eli Lilly.

Desde então, a empresa tem trabalhado com uma estratégia de segmentação que mantém diferentes marcas em faixas de preço específicas, em preparação para a entrada de genéricos no mercado brasileiro em 2026.

As vendas de medicamentos GLP-1 devem alcançar R$ 20 bilhões no Brasil em 2026, acima dos R$ 11 bilhões de 2025, o que tornará o país um dos maiores consumidores mundiais desses produtos, segundo recente análise doUBS BB.

O SUS (Sistema Único de Saúde) não oferece as canetas emagrecedoras gratuitamente. O único tratamento público disponível para obesidade grave é a cirurgia bariátrica, o que deixa por ora os medicamentos restritos ao mercado privado e amplia a demanda por opções mais acessíveis.

'Compre o mais barato'

A nova realidade transformou também a relação médico-paciente. Se antes o endocrinologista prescrevia uma marca específica, agora a orientação explícita de "compre o mais barato" transfere ao paciente a decisão final.

A receita analisada pela Bloomberg Linea lista quatro opções e menciona o programa NovoDia, quase como se fosse um guia de compras.

Para tratamentos que podem durar anos, a diferença de centenas de reais por mês torna-se significativa. Um paciente que inicia com 0,25mg e progride até 2,4mg ao longo de seis meses pode economizar mais de R$ 2.000 apenas escolhendo as apresentações mais baratas em cada fase do tratamento.

Quando medicamentos sem marca entrarem no mercado a preços menores, a expectativa é que médicos já terão consolidado a prática de prescrições abertas, a exemplo do que acontece com outras classes de medicamentos, e os pacientes, por sua vez, estarão habituados a comparar as opções.

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