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Farmacêutico líder ou coronel?

Egle Leonardi   08 Julho 2016   6828   Varejo Farmacêutico
Farmacêutico líder ou coronel?

É uma verdade irrefutável que existem diversos tipos de perfis de dirigentes e gestores nas empresas, nas associações, nos conselhos, sindicatos e instituições de classe do setor farmacêutico. Encontramos desde chefes autoritários até líderes participativos. Claro que há um universo de perfis diferentes entre estes dois extremos. A questão é qual forma de atuação exerce melhores resultados no sentido de agregar e convencer os liderados a trabalhar pela causa... pelo negócio, por um ideal ou objetivo?

Os especialistas no assunto costumam dizer que o líder moderno já entende que a conquista do respeito e, consequentemente, a colaboração por parte do gerido só ocorre sendo mais participativo. “No entanto, vejo que o estilo está ligado à geração na qual o líder pertence. Embora ainda exista nos dias atuais o modelo autoritário, tal perfil era mais comum no gestor dos anos 90 e 80”, fala o senior consultant da divisão Healthcare & Life Sciences da Michael Page (a maior consultoria de recrutamento especializado de executivos do País), Daniel Greca.

Vale lembrar que, em casos extremos, é possível ver claramente a inflexibilidade e a vaidade. O ego do gestor está sempre por trás das motivações desse tipo de líder e ele não admite estar errado. Como resultado, ele tende a não aceitar ideias e fatos que sejam contrárias, mesmo que elas sejam mais adequadas. É o que alguns chamam de coronelismo da liderança.

No caso do farmacêutico, como ele deve lidar com um gestor autoritário e impositivo? A esta pergunta Greca diz que se trata de uma situação delicada e desgastante. Aos poucos o gerido vai evitando participar, interagir e discutir, limitando-se exatamente ao seu escopo de trabalho. “Como, normalmente, a gestão autoritária está ligada a um perfil inflexível, cabe, na maioria das vezes, a quem está reportando tentar se adaptar e se moldar ao gestor, principalmente na forma de se comunicar”, lembra ele.

É isso o que você quer?

Segundo o farmacêutico diretor da Desenvolva Consultoria, Marcelo Cristian, os chefes são aqueles que se baseiam em uma autoridade formal, instituída pelo cargo. São impositivos, ouvem pouco e são mais centralizadores. São temidos e respeitados pela intimidação. Os autoritários possuem seus subordinados, mas muitos são seguidores intimidados pelo medo de perder a posição. São assediados também. “No entanto, percebo que alguns liderados preferem os chefes autoritários, pois eles, por serem impositivos, simplesmente mandam. Para alguns liderados é mais fácil obedecer do que pensar, visto que o líder inspira a pensar”, dispara Cristian. Para o farmacêutico é fundamental refletir e decidir se ele quer lidar com um gestor autoritário e impositivo ou com um líder participativo e que considere suas opiniões e posições não somente em suas empresas, mas também nas entidades da classe.

Greca lembra que, assim como ocorre em outras graduações em saúde, o farmacêutico termina a universidade com uma formação estritamente técnica e pouco orientada a negócios ou pessoas. Aqueles que já possuem uma capacidade natural de lidar com pessoas - que são poucos - terão mais facilidade. No entanto, a sua grande maioria tem dificuldades quando se vê em situações em que tem de liderar uma equipe, cobrar, delegar e até tomar decisões democráticas ou arbitrárias. “Vê-se então um profissional focado em exclusivamente cumprir protocolos e legislações. Embora tal característica seja importante para a classe dos farmacêuticos, um gestor que apenas segue as regras tende a ser um gestor pouco flexível limitando sua carreira a posições exclusivamente técnicas”, ressalta.

Para ele, achar o equilíbrio entre ser participativo sem perder autoridade ou ser autoritário sem perder respeito não é simples, e requer horas de voo. “É muito comum só acharmos as medidas certas após algumas tentativas e erros. Um fator importante é a coerência nas cobranças e no comportamento do líder. Nesse caso surge a figura da liderança por exemplos”, diz.

Para Cristian, “estamos na era das pessoas. São elas que geram resultado, executam estratégias, pensam inovações e são responsáveis pelo atendimento e a excelência nos serviços. Líderes, por serem focados nas pessoas, conseguem mover a equipe rumo a essa demanda e exigência atual”.

Ele cita que algumas mudanças na sociedade influenciam as empresas e instituições de modo que os chefes autoritários perdem espaço para o líder no quesito de resultados. Este último, atualmente, atrai os melhores talentos e criam instituições e entidades mais preparadas.

Como principais mudanças Cristian faz alusão aos profissionais com menor maturidade entrando no mercado de trabalho, querendo crescer, mas sem saber como. Ele ressalta também: pessoas ansiosas, carreiristas e não orientadas entrando no cenário; as universidades que não oferecem a prática; mudanças rápidas que exigem mais estratégia; novas arquiteturas organizacionais e de negócio (poder organizacional mais diluído e descentralizado); globalização; clientes mais exigentes e a nova era voltada à inovação.

Já Greca finaliza dizendo que o modelo mais participativo de liderança, por dar mais liberdade, pode fazer com que o gerido esqueça os limites da hierarquia. Não se pode confundir liberdade com a não necessidade de reportes: “Eu acredito que o líder participativo que consiga e saiba manter autoridade é o que vai obter melhores resultados na gestão de capital humano. Jogar em time, replicar conhecimento, trocar e aceitar ideias faz com que se tenha seguidores de forma espontânea”.

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O Farmacêutico Marcelo Cristian destaca as principais características que diferenciam um líder participativo de um chefe autoritário. Estas noções de diferenças entre um “líder” e um “coronel”, pode ajuda-lo na escolha de uma empresa pra desenvolver sua carreira e ainda pode ser útil na sua indicação de representantes em conselhos e sindicados do setor:

OS LÍDERES:

- Exercem papéis, de acordo com a necessidade;
- Atuam como comandantes (definem ordem);
- Exploradores (abrem novas perspectivas e antecipam-se aos fatos);
- Visionários (enxergam oportunidades onde ninguém vê);
- São empresários de sucesso, atletas, juízes (líderes justos), estudantes (líderes que sempre estão buscando inovações), treinadores (sabem desenvolver a equipe), vendedores (vendem a ideia) e professores (sabem tudo em sua área de atuação e compartilham conhecimento).

OS CHEFES:

- Precisam estar sempre certos (apoiam-se na autoridade formal, sempre ganham as discussões, atraem bajuladores e inibem a criatividade);
- Perdem a calma por qualquer coisa (usam a raiva para intimidar, são temidos);
- Culpam aos outros;
- Não se sentem parte da equipe;
- Em vez de ajudar a resolver a questão, buscam os responsáveis pelos erros;
- Têm medo de delegar (estão rodeados de pessoas medíocres que pensam igual a ele e tratam aos outros como se não tivessem cérebro);
- Não têm propósito (seu objetivo é vender e vender, não formam consultores, só pressionam e não capacitam)
- Não cuidam de quem dá resultados (não conhecem as pessoas pelo que são, só pelo que produzem, não sabem cuidar das próprias emoções, o que dirá da dos outros!, falta-lhes habilidade pessoal, cometem erros nas contratações, promovem grande turnover e mantêm clima ruim no local de trabalho);
- Não são autênticos e honestos (fazem promessas sem cumprir, proclamam mentiras e meias-verdades e lhes falta caráter).

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