Skip to main content

Faltam 10 dias para o fim da patente do Ozempic, e o mercado se prepara para o lançamento de genéricos

Exame   10 Março 2026   434   Varejo Farmacêutico
Faltam 10 dias para o fim da patente do Ozempic, e o mercado se prepara para o lançamento de genéricos

Em dez dias, uma das patentes mais valiosas da indústria farmacêutica recente perde proteção no Brasil. No dia 20 de março de 2026, cai a patente da semaglutida, molécula que impulsionou uma revolução  global no tratamento da obesidade e do diabetes, e que transformou a dinamarquesa Novo Nordisk em uma das empresas mais valiosas da Europa.

A mudança marca o início de uma nova fase para o mercado brasileiro de medicamentos baseados em análogos de GLP-1, a classe de fármacos que inclui produtos como Ozempic e Mounjaro. Hoje, esses remédios movimentam cerca de R$ 10 bilhões por ano no país, mas a expectativa do setor é que o mercado dobre de tamanho e alcance R$ 20 bilhões já em 2026,impulsionado pela entrada de versões similares e genéricas.

A lógica é conhecida na indústria farmacêutica: quando uma patente cai, a concorrência se amplia rapidamente. No caso da semaglutida, o movimento tende a ser ainda mais intenso porque o medicamento se tornou um fenômeno cultural além de clínico. Inicialmente desenvolvido para diabetes, ele ganhou enorme popularidade como tratamento para perda de peso, impulsionado por estudos que demonstraram reduções significativas no peso corporal.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Até agora, o mercado brasileiro era dominado por multinacionais. A Novo Nordisk lidera com quatro medicamentos importantes da categoria: Ozempic e Wegovy, ambos baseados em semaglutida, além de Victoza e Saxenda, que usam a molécula liraglutida. Os preços refletem essa exclusividade. Uma caixa mensal pode custar entre R$ 825 e R$ 1.699, dependendo da dose e da indicação.

Publicidade

A americana Eli Lilly também conquistou espaço rapidamente com sua própria inovação na classe de medicamentos metabólicos. O Mounjaro, baseado em tirzepatida — uma molécula mais recente que atua em dois receptores hormonais, tornou-se um dos produtos de crescimento mais rápido da categoria. No Brasil, ele pode custar entre R$ 1.407 e R$ 2.384 por mês, dependendo da dosagem.

Essa configuração começa a mudar agora. Nos bastidores da indústria farmacêutica brasileira, laboratórios se preparam há meses para lançar versões próprias da semaglutida assim que a proteção patentária terminar.

Entre os primeiros movimentos estão os da EMS, que já entrou no segmento de análogos de GLP-1 em 2025 com dois medicamentos baseados em liraglutida: Olire, voltado ao tratamento da obesidade, e Lirux, indicado para diabetes. Com a patente da semaglutida prestes a expirar, a empresa também planeja lançar sua própria versão da molécula.

Outros grupos nacionais seguem o mesmo caminho. Hypera Pharma, Cimed, Biomm e Prati-Donaduzzi anunciaram projetos para lançar semaglutida após a abertura regulatória. A Eurofarma, por sua vez, opera em parceria com a própria Novo Nordisk para ampliar a distribuição de alguns produtos no país.

A disputa tende a ser dominada inicialmente pelo preço. Um relatório do Itaú BBA estima que a chegada de genéricos pode provocar queda de até 30% nos preços já no primeiro ano e até 50% em cinco anos, à medida que novos fabricantes entram no mercado.

Mesmo assim, a diferença entre custo e preço final deve continuar significativa. Um estudo da Universidade de Liverpool estimou que a produção de semaglutida genérica custaria cerca de US$ 3 por mês, o equivalente a aproximadamente R$ 17. No varejo, porém, os medicamentos continuarão sendo vendidos por valores muito superiores, refletindo custos de desenvolvimento, marketing e distribuição.

Além da disputa por preço, o setor também enfrenta uma corrida tecnológica. Enquanto a semaglutida se torna mais acessível, novas gerações de medicamentos já estão em desenvolvimento.

A Eli Lilly trabalha na retatrutida, um medicamento que atua em três receptores hormonais ao mesmo tempo e promete resultados ainda mais expressivos na perda de peso. Ele ainda não foi aprovado por grandes reguladores, mas já é fabricado pelo laboratório paraguaio Éticos.

Esse movimento cria um ciclo típico da indústria farmacêutica: enquanto uma geração de medicamentos se torna mais acessível, outra começa a disputar o topo da inovação — e dos preços.

No Brasil, o resultado mais imediato da queda da patente será uma intensificação da concorrência. O Mounjaro, por exemplo, já conquistou 57% de participação em valor no quarto trimestre de 2025, enquanto o Ozempic respondeu reduzindo preços em cerca de 19,6%.

Com a chegada dos genéricos de semaglutida ao longo de 2026, a guerra de preços tende a se aprofundar. Para o consumidor, isso significa algo raro no mercado farmacêutico: um tratamento altamente demandado que começa a se tornar gradualmente mais acessível.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias

A Lei da Transparência nas entidades farmacêuticas

O Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Farmácia, assim como todos os co…

Farmacêuticos poderão prescrever medicamentos tarja vermelha

Uma nova categoria de medicamentos – tarja azul - poderá ser criada a partir da…

Como habilitar sua farmácia para a aplicação de vacinas

Desde 2014, as farmácias têm permissão para dispor de vacinas e soros para aten…

Mais de 380 medicamentos podem ficar mais baratos no Brasil com proposta de reforma tributária

Mais de 380 medicamentos e vacinas terão isenção total de impostos se o Senado…

Carrefour admite venda de teste de glicemia com agulha usada em farmácia de Osasco (SP)

Uma farmácia da rede Carrefour em Osasco (SP) vendeu um teste de glicemia com a…

23 farmácias são autuadas por não cumprirem regras contra a Covid-19

Em ação realizada entre 15 e 16 de julho, o Procon de Campina Grande (Paraíba)…

Farmácias Bemol capacitam farmacêuticos e investem em robotização

Ideias inovadoras e profissionais qualificados podem gerar excelentes resultado…

Denúncia: testes rápidos estão sendo vendidos ilegalmente na internet

Testes rápidos para detectar o novo coronavírus (Covid-19) estão sendo ofertado…

Telefarmácia e telemedicina substituirão o Dr. Google?

Muito barulho por pouco! O Conselho Federal de Medicina (CFM) acaba de publicar…

Pequenas farmácias agonizam em batalha contra grandes redes?

Com um misto de resistência e resignação, o farmacêutico, proprietário de uma f…