Skip to main content

Líder do Governo, empresários e farmacêutica podem estar envolvidos em compra suspeita de vacina, afirma TV

Marcelo de Valécio   28 Junho 2021   3054   Política Farmacêutica
Líder do Governo, empresários e farmacêutica podem estar envolvidos em compra suspeita de vacina, afirma TV

Além das suspeitas na compra da vacina indiana Covaxin, reveladas pela CPI da Covid, o Governo tem outra negociação para explicar. Desta vez com a empresa chinesa CanSino Biologics, que produz o imunizante Convidecia – o mais caro até agora. Nela estão envolvidos o líder do Governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), e os empresários bolsonaristas Luciano Hang e Carlos Wizard, revelou a TV alemã Deutsche Welle (DW).

Assim como no caso da compra da Covaxin, produzida na Índia pelo laboratório Bharat Biotech e intermediada pela brasileira Precisa Medicamentos, a negociação envolvendo a Convidecia contou com uma empresa intermediária no Brasil, a Belcher Farmacêutica.

Apoiada por empresários bolsonaristas, entre eles Luciano Hang e Carlos Wizard, a Belcher tem como um de seus sócios o filho de um empresário próximo a Ricardo Barros. A companhia tem sede em Maringá (PR), onde o deputado já foi prefeito. O empresário cujo filho é sócio da Belcher foi presidente da empresa de urbanização da cidade durante a gestão de Barros, segundo apurou a DW.

“Tem essa movimentação para a compra de vacina chinesa com empresa de Maringá com ligações próximas com Barros. Não quero acusá-lo de nada, mas é muita coincidência”, afirmou ontem (27/06) o senador Otto Alencar (PSD-BA), integrante da CPI da Pandemia. “A CPI vai apurar, sem dúvida nenhuma”, disse, citado pela Folha.

Publicidade

Além da possível ligação com Barros, também acusado de envolvimento em irregularidades na aquisição da Covaxin, a Belcher Farmacêutica é alvo da Polícia Federal no âmbito de uma investigação que apura desvios de recursos destinados à compra de testes para diagnóstico da Covid-19 pelo Governo Federal. Segundo a investigação, a Belcher teria ajudado, por meio de propostas fictícias num processo de dispensa de licitação, empresas beneficiadas com contratos para o fornecimento de testes, revelou O Globo.

O Governo Federal assinou no início deste mês uma carta de intenção de compra com a Belcher Farmacêutica, na qual estava prevista a aquisição de 60 milhões de doses da Convidecia, a US$ 17 (R$ 83,81) cada – o que faz do imunizante o mais caro contra a Covid-19 negociado pelo Brasil, superando os US$ 15 (R$ 73,95) previstos para cada dose da Covaxin e os até US$ 12 (R$ 59,16) acordados com a Pfizer.

A aquisição da Convidecia totalizaria cerca de R$ 5 bilhões, mas, segundo o Governo, o contrato de compra não foi formalizado. Ao Globo a Belcher afirmou não representar mais a chinesa CanSino e reforçou que não assinou contrato com o Governo. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou o mesmo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), à qual a Belcher apresentou um pedido de uso emergencial da Convidecia em meados de maio, ainda não deu luz verde para o imunizante. A Anvisa disse aguardar novos documentos, pedidos após análise inicial, apurou a DW.

A Agência também afirmou, segundo a emissora, que foi informada pela CanSino em 17 de junho de que a Belcher não tem mais autorização para representá-la no Brasil, tornando uma reavaliação do pedido de uso emergencial necessária. De acordo com representantes do Ministério da Saúde citados pela Folha, a negociação para aquisição da vacina foi cancelada no dia seguinte, 18 de junho.

Suspeita sobre a Covaxin

Em depoimento à CPI da Pandemia na sexta-feira (25/6), o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirmou que o presidente Jair Bolsonaro, ao ser informado por ele sobre suspeitas de irregularidades na compra da Covaxin, mencionou que Ricardo Barros estaria envolvido no caso.

O atual líder do Governo na Câmara foi ministro da Saúde no governo Michel Temer e tem seu nome envolvido em uma série de polêmicas. Em discurso em abril, Barros cobrou abertamente mais agilidade da Anvisa para autorizar o uso de vacinas como a Covaxin e a Sputnik V, segundo a DW.

​Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Em suas redes sociais, Barros negou que tenha participado de qualquer negociação relacionada à compra da Covaxin. “Não sou esse parlamentar citado. A investigação provará isso”, escreveu o deputado.

A implicação do deputado na CPI será explorada pelos senadores, que pretendem reunir mais informações sobre a compra da Covaxin e discutem informar o Supremo Tribunal Federal (STF) de indícios de que Bolsonaro teria cometido o crime de prevaricação ao não determinar a investigação do caso após ter sido avisado, conforme apurou a DW.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias farmacêuticas diariamente.

Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

Bolsonaro assusta indústria farmacêutica ao indicar a extinção do INPI

Sob o guarda-chuva do Governo de Jair Messias Bolsonaro, o Ministério da Econom…

É lei: farmacêutico incapacitado por Covid-19 deve ser indenizado, mas Governo não sabe como pagar

O Governo Federal ainda não sabe como vai bancar a indenização a farmacêuticos…

Comissão da Câmara votará nesta terça (25) o projeto que garante o piso para todos os farmacêuticos

Chegou um momento decisivo para a Farmácia brasileira. Nesta terça-feira, 25 de…

72% dos deputados são favoráveis a benefícios fiscais em medicamentos

Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IB…

CFF alerta: sem mobilização o futuro da profissão pode estar ameaçado

É fato que os dias têm estado sombrios para a nação farmacêutica no que diz res…

Projeto de Lei reserva 5% das vagas em universidades para pessoas trans no curso de farmácia e outros cursos

O Projeto de Lei 3109/23 reserva 5% das vagas em cursos de graduação nas univer…

Governo impõe sigilo de 10 anos sobre 2º contrato com a Pfizer, que é R$ 1 bilhão mais caro que o 1º

O Ministério da Saúde (MS) colocou sigilo de uma década sobre os documentos do…

Novo portal de prescrição eletrônica do CFF pode ser ilegal

O Conselho Federal de Farmácia (CFF), juntamente com o Instituto Nacional de Te…

"Cloroquina não tem efeito colateral" afirma Bolsonaro

Durante transmissão ao vivo pela internet, na última quinta-feira (26/03), o pr…

70 mil farmacêuticos formados pelo ICTQ podem solicitar o RQE

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) acaba de criar o Registro de Qualificação…