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Todo farmacêutico deveria ser chamado de doutor?

Leonardo Doro Pires   03 Dezembro 2018   118311   Opinião
Todo farmacêutico deveria ser chamado de doutor?

Por diversas vezes presenciei discussões, muitas delas acirradas, sobre o “pseudônimo” de Doutor atribuído pela população a médicos e advogados, mesmo que estes não tenham defendido uma tese num programa de doutorado. O hábito de chamar advogados e médicos de Doutor vem do período colonial. Nessa época, o termo era utilizado para se referir aos que tinham estudado fora do país, e a maioria dos jovens ricos cursavam medicina ou direito. O fato que me fez escrever este artigo é que, ainda hoje, os médicos continuam sendo chamados de Doutor. Essa tradição é reforçada por boa parte dessa classe profissional, que usa o termo em cartões de visita, placas de identificação, perfis nas redes sociais e, inclusive, ao se referirem a outros médicos. Visto isso, lhe pergunto: nós, farmacêuticos, também devemos nos autodenominar Doutores?

Antes de emitir minha opinião sobre este tema, controverso entre os profissionais de saúde, vejamos como nossos colegas enfermeiros levam essa discussão a sério. Em 2001, o Conselho Federal de Enfermagem criou a RESOLUÇÃO 256 para autorizar o uso do título de Doutor pelos enfermeiros. Segundo o COFEN, o uso deste título tem por fundamento a confirmação da autoridade científica profissional perante o paciente. De acordo com a autarquia que representa os enfermeiros “a não utilização do título de Doutor, leva a sociedade, e mais especificamente a clientela, a que se destina o atendimento da prática da enfermagem pelo profissional da área, a pressupor subalternidade, inadmissível e inconcebível, em se tratando de profissional de curso superior”.

E agora? Será que os enfermeiros estão certos? Será que nós farmacêuticos também devemos seguir este caminho e adotar de forma definitiva o “Dr.” antes do nome? Na minha opinião, sim! De forma definitiva e irrestrita. Por um motivo simples e direto: FUNCIONA. Em pleno 2018 temos que parar com essa discussão improdutiva, de mesa de bar, de que “doutor é quem tem doutorado”. Isso é conversa fiada, resquício de uma picuinha entre profissionais de saúde, que não cabe numa época que adota o conceito de equipe multiprofissional como modelo de operacionalização para todos os modelos modernos de sistemas de saúde.

Temos de enxergar a palavra “Doutor” como parte de uma estratégia de comunicação profissional, capaz de comunicar para o público leigo, de forma simples e direta, que o detentor deste título é um profissional de saúde, especialista na área em que atua, que cursou uma faculdade, onde o conhecimento adquirido lhe atribui autoridade para desenvolver a profissão que adotou. Faz parte de ser forte, parecer forte! Detalhes como o título Doutor, o jaleco e as roupas brancas são formas de comunicação poderosas, que, ao invés de criticar, devemos adotar. Negar o que provou ser uma estratégia bem-sucedida é no mínimo amadorismo.

Por fim, espero que ao entrar em qualquer farmácia brasileira, eu encontre um farmacêutico (a) com vestimenta branca e jaleco diferenciado dos uniformes dos balconistas, com o “Dr.” bordado no bolso - antes do nome. Espero ver os balconistas e clientes se referindo a estes profissionais como Doutor. Espero ver seus diplomas de graduação e pós-graduação emoldurados em local de destaque na parede do estabelecimento. E, mais do que tudo, espero que os clientes peçam para ser atendidos pelo Doutor. O (re)conhecimento traz responsabilidades!

* Professor do ICTQ (Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico), Bacharel em Farmácia, Administração de Empresas e Ciências Contábeis. Atua como consultor em gestão de varejo farmacêutico e é autor dos livros “Gestão Estratégica para Farmacêuticos” e “A Arte da Guerra para Farmacêuticos”.

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