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Prescrição Farmacêutica: você vai reclamar ou vai fazer?

Egle Leonardi   07 Julho 2016   11759   Opinião
Prescrição Farmacêutica: você vai reclamar ou vai fazer?

Há aqueles que criticam e há aqueles que fazem! Com os farmacêuticos isso não é diferente. A categoria sempre reclamou de que seus conhecimentos são subaproveitados. Daí veio a Resolução 586/13, que regula a prescrição farmacêutica. Seria o momento de os farmacêuticos aplicarem seus conhecimentos, dando o devido valor a sua atuação? Pois o que acontece é que alguns farmacêuticos se negam a fazê-la, alegando: “Eu vou prescrever para quê? Isso só aumentaria minha responsabilidade e meu volume de trabalho! Eu não!”.

Apesar disso, há aqueles que, em vez de reclamar, fazem as coisas acontecerem! É o caso do farmacêutico Silvio Antão, do Rio de Janeiro (RJ). Ele é proprietário, há 18 anos, de três laboratórios magistrais na cidade. Ele emprega diretamente mais de 70 funcionários.

Apesar de seu sucesso profissional, Antão não se deu por satisfeito. Em março deste ano, montou a primeira clínica farmacêutica da cidade e chegou até a enfrentar uma denúncia do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), alegando que o farmacêutico não poderia prescrever. Claro que a ação foi julgada improcedente. Passados os percalços iniciais, Antão fala de sua clínica que, inclusive, vai muito bem, obrigado!

ICTQ - De onde surgiu a ideia de montar a clínica de prescrição farmacêutica?

Silvio Antão - Sempre dei suporte aos médicos para montagem de palestras e sugestões de receitas para diversas enfermidades. Venho assessorando profundamente na prescrição da classe médica e, a partir da Resolução 586/13, vi a oportunidade de parar de assessorar e passar a clinicar.

ICTQ - Como sua clínica está configurada?

Silvio Antão - A clínica tem o direcionamento para a área de emagrecimento e ganho de massa muscular.

ICTQ - Quais serviços acontecem no local?

Silvio Antão - Além da minha clínica temos uma equipe com duas nutricionistas, um profissional de educação física e uma equipe de esteticistas.

ICTQ – O senhor dispensa medicamentos?

Silvio Antão - Não, lá fazemos somente a prescrição.

ICTQ - De que maneira o senhor rentabiliza o negócio? Qual o preço de sua consulta?

Silvio Antão – Eu cobro a consulta, que custa R$ 100,00.

ICTQ - Como têm sido os resultados?

Silvio Antão – Fantásticos! Temos diariamente um overbook de pacientes. Atendo no máximo 25 pacientes por dia, pois, além disso, não consigo dar um conforto e uma humanização que meus pacientes merecem.

ICTQ - O que os pacientes acham? Há uma fidelização?

Silvio Antão - Meus pacientes vêm até minha clínica, principalmente, por indicação de outros pacientes que tiveram resultados consistentes. A fidelização é somente uma consequência.

ICTQ - Quais os próximos passos para o crescimento do negócio?

Silvio Antão - Quero contratar uma psicóloga, pois minhas pacientes necessitam desse acompanhamento para saber lidar melhor com problemas relacionados à ansiedade e outros transtornos menores. Quero montar um centro de treinamento em anexo a minha clínica que vai contar com mais um profissional de educação física e um fisioterapeuta, pois para a promoção da saúde temos que ter a prática de atividades físicas. Ressalto de antemão que esses pacientes terão de passar por uma consulta com um cardiologista para que haja a liberação para as atividades.

ICTQ – O senhor está satisfeito? Indica a criação de uma clínica de prescrição para os outros farmacêuticos?

Silvio Antão - Sem dúvida! Acho que devemos montar consultórios e até mesmo centros de atendimentos ou cooperativas de farmacêuticos. Quero que os farmacêuticos se qualifiquem, estudem, escolham a área de sua preferência e, porque não, tenham sucesso financeiro com isso. Não precisa ter as dimensões nem o investimento feito no meu consultório. Uma salinha que dê privacidade e confidencialidade entre o farmacêutico e o paciente já é o suficiente. O importante é o conteúdo de conhecimento do profissional. Estou sempre à disposição para ajudar, para incentivar e para passar minhas experiências vividas na clínica para que possamos dar um salto na nossa profissão.

ICTQ – O senhor usa algum software para apoiar o serviço?

Silvio Antão - Hoje já existe um software chamado Clinifar, criado por um farmacêutico de Venceslau Brás, no Paraná, que achei simplesmente fantástico, pois dá total segurança na pratica clínica, mostrando a maneira correta de prescrição segundo nossa legislação, advertências ao paciente sobre a medicação que já foi prescrita por outro profissional em relação às interações e o modo correto de administrá-lo, além do acompanhamento pós-atendimento. Enfim, suprime possíveis inseguranças do futuro prescritor farmacêutico.

ICTQ – Quais são seus planos?

Silvio Antão - Não quero ser, para sempre, o único farmacêutico prescritor. Quero uma classe forte e respeitada pela população. Se em alguma pós-graduação houver um farmacêutico que tenha se inspirado na minha história e com isso for à luta, pra mim já será uma vitória. Temos condições de ajudar a população na luta contra as enfermidades, de humanizar o atendimento e de resgatar a dignidade esquecida ao cuidado com a saúde do ser humano.

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