Em 1998, o lançamento de um comprimido azul deu início a uma autêntica revolução sexual e social. Destinado ao tratamento da disfunção erétil, o Viagra recuperou relacionamentos, insuflou a autoestima masculina e tirou da aposentadoria homens que sofriam com a impotência. Desde então, ainda que com menos investimento e fervor que o projeto original, cientistas e empreendedores buscam uma medicação capaz de salvar a libido das mulheres. Não é tarefa singela, dada a complexidade do desejo sexual feminino. Depois de anos de pesquisas, um candidato despontou. Um remédio originalmente desenvolvido como antidepressivo que parecia ter vocação para melhorar a vida sexual da mulher. Mas o caminho da flibanserina até o mercado não seria fácil. Rejeitada inicialmente pela agência regulatória americana (FDA) por seus efeitos modestos e reações adversas, a droga venceria obstáculos e seria liberada, pela primeira vez, em 2015, mas para um público restrito. Dez anos depois, acaba de receber aval para um dos grupos que mais padecem da baixa libido, as mulheres na pós-menopausa. Será que a pílula rosa agora deslancha de vez?