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Indústria farmacêutica projeta crescimento em 2016, mesmo na crise

Egle Leonardi   29 Julho 2016   23851   Indústria Farmacêutica
Indústria farmacêutica projeta crescimento em 2016, mesmo na crise

Sexta-feira, 29 de julho de 2016

Em contraponto com a crise financeira que o País atravessa em 2016, o acesso a medicamentos tem sido cada vez mais importante para o Brasil, visto que a população está envelhecendo e há uma maior incidência no diagnóstico de doenças crônicas. Naquele período, projeções de mercado apontavam para uma continuidade do crescimento do setor farmacêutico brasileiro. Dados consolidados posteriormente pela Anvisa mostram que o mercado farmacêutico brasileiro alcançou faturamento de mais de R$ 63 bilhões em 2016.

Para acompanhar esse cenário, as indústrias estão investindo em tecnologia de produção, aumentando significativamente a produtividade e melhorando os custos, o que se reflete em maior eficiência em toda a cadeia.

Há bons exemplos nas indústrias farmacêuticas instaladas no Brasil. A equipe do ICTQ percorreu em 2015 algumas das principais companhias do País com foco em tecnologia, alta eficiência e qualidade, como os laboratórios Teuto, Sandoz, Abbott, EMS, Prati-Donaduzzi e Geolab.

No caso do Laboratório Teuto, cuja área ocupada é de aproximadamente um milhão de metros quadrados no Distrito Agroindustrial de Anápolis (GO), seu diretor Industrial, Carlos Andrade, disse que havia dois grandes projetos de crescimento para 2016: a expansão da planta de produção de sólidos e semissólidos, com início da operação no segundo semestre de 2015, e a expansão da planta de produtos estéreis.

A capacidade produtiva de sólidos, que era de 600 milhões de unidades por mês na etapa de embalagem final, estava sendo ampliada em aproximadamente 15%, representando incremento de 90 a 100 milhões de unidades mensais.

“Somente em tecnologia, na ampliação desta planta de produção de sólidos, o laboratório investiu R$ 10 milhões, além de outros R$ 30 milhões em construção de infraestrutura, pessoal e outros serviços terceirizados para a execução da obra de ampliação. R$ 40 milhões é o montante do investimento”, fala o diretor.

Outra grande melhoria obtida está na otimização dos fluxos produtivos dentro da fábrica, aumentando significativamente a produtividade das linhas existentes. Além das linhas de produção, a nova área tem em sua composição várias salas de treinamentos e suportes à produção que garantem a qualidade dos processos e produtos.

Já a Sandoz, que também tem foco na inovação, dobrou os investimentos na sua fábrica em 2015, promovendo melhorias para o aumento de sua capacidade produtiva. O foco dessa fábrica, como parte do complexo produtivo da Sandoz no mundo, é a produção de orais sólidos e hormônios.

A planta da Sandoz do Brasil foi inaugurada em 2004 como Hexal. Em 2005, passou a integrar a rede global produtiva da Sandoz. A fábrica brasileira abastecia majoritariamente o mercado local, além de destinar uma parcela da produção para exportações.

Ampliação da fábrica

Outro laboratório que investiu pesado na ampliação da produção foi a Prati-Donaduzzi. Segundo o presidente da empresa, Luiz Donaduzzi, a companhia vinha empregando estratégias voltadas ao aumento da produtividade e da participação no mercado.

No final de 2015, a empresa inaugurou uma nova planta com três linhas de produção ativas e capacidade para expansão. A estrutura incorporou sistemas automatizados de controle ambiental e produtivo.

Um dos destaques era o sistema HVAC, sigla em inglês para heating, ventilation and air conditioning, responsável pelo controle de aspectos como temperatura, pressão e umidade nos ambientes produtivos.

A nova planta recebeu investimento de aproximadamente R$ 250 milhões e ampliou significativamente a capacidade produtiva da companhia.

Há outra fábrica que recebeu esforços não na ampliação, mas na sua reconstrução. Houve um incêndio na planta da Geolab Indústria Farmacêutica, em Anápolis (GO), em 2013, que destruiu grande parte de sua estrutura. Após o episódio, a companhia optou por reconstruir a unidade utilizando tecnologias mais modernas de produção de sólidos.

Melhoria de processos

A Sandoz também planejava implementar uma nova linha de embalagem, além do sistema de rastreabilidade de medicamentos exigido pela legislação daquele período. O Sistema Nacional de Controle de Medicamentos foi criado pela Lei nº 11.903/2009, com o objetivo de acompanhar a movimentação dos medicamentos ao longo da cadeia por meio de tecnologias de captura, armazenamento e transmissão eletrônica de dados.

Os investimentos na linha produtiva buscavam qualidade e segurança, além de maior controle na logística e no transporte dos produtos.

Segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos, a PróGenéricos, com base em dados do IMS Health, 467,3 milhões de unidades de medicamentos genéricos foram comercializadas no primeiro semestre de 2015, crescimento de 12,3% em relação ao mesmo período de 2014.

“Apesar do cenário econômico, acredito que o setor de genéricos mantenha o crescimento de dois dígitos. Ainda existe um caminho para conscientização e entendimento do que significa o genérico para os pacientes. O Brasil já amadureceu em questões de produção e legislação, mas ainda temos muito trabalho a fazer”, defende João Keller, então diretor industrial da Sandoz no Brasil.

Já o laboratório Abbott operava em áreas terapêuticas como cardiologia, gastroenterologia, saúde feminina e sistema nervoso central. A companhia investia na ampliação de sua estrutura de desenvolvimento e produção de formas farmacêuticas sólidas, buscando aumentar a capacidade e a eficiência da unidade brasileira.

Genéricos

O laboratório EMS viu sua unidade de genéricos crescer no primeiro semestre de 2015. A empresa continuava investindo em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), com foco tanto em genéricos quanto em medicamentos de maior complexidade tecnológica.

Segundo o diretor Comercial da Unidade de Genéricos da EMS, Aramis Domont, a empresa apostava em produtos de alta complexidade inéditos no mercado brasileiro, como medicamentos inalatórios.

Outro dos destaques da planta da Sandoz era a produção de hormônios contraceptivos. Entre as tecnologias utilizadas estavam sistemas eletrônicos de pesagem, equipamentos de granulação, revestimento e linhas automatizadas de embalagem, reduzindo a necessidade de contato humano com os comprimidos durante determinados processos.

Outras tecnologias nacionais e importadas

No Laboratório Teuto, a ampliação da produção de sólidos utilizava sistemas de automação e sensores para controle do processo produtivo. Tecnologias nacionais eram integradas a equipamentos e soluções provenientes de países como Alemanha, Suíça e Itália.

Sistemas de visão e sensores permitiam identificar desvios e não conformidades durante o processo de embalagem, automatizando parte da inspeção dos produtos.

Na EMS, a inovação radical e a internacionalização também estavam entre as estratégias. A empresa fundou em 2013 a Brace Pharma, nos Estados Unidos, com foco em medicamentos inovadores, e participou da criação da Bionovis, joint venture voltada a medicamentos biológicos de alta complexidade.

A companhia também investia em inovação incremental e no desenvolvimento de produtos com tecnologias próprias, além de manter projetos de expansão internacional.

No caso da Abbott, os investimentos incluíam novas linhas automatizadas de embalagem, sistemas estatísticos de acompanhamento dos processos e ferramentas destinadas a monitorar a performance da produção.

A companhia também investia em um novo centro de desenvolvimento farmacêutico no Brasil, com o objetivo de adaptar produtos às necessidades do mercado nacional e agilizar processos de desenvolvimento e internalização.

Já na Geolab, parte relevante dos equipamentos de manufatura e controle de qualidade era importada, enquanto componentes ligados à embalagem utilizavam também tecnologia nacional. A empresa mantinha estrutura própria dedicada ao desenvolvimento de medicamentos genéricos e similares.

Matérias-primas próprias

Na Prati-Donaduzzi, a tecnologia também estava presente no desenvolvimento de farmoquímicos. A empresa trabalhava em projetos voltados à ampliação do portfólio e à produção própria de determinadas matérias-primas.

Segundo o vice-presidente Eder Fernando Maffissoni, a nova estrutura industrial também fazia parte da estratégia de preparar a empresa para futuros processos de certificação internacional e eventual entrada em mercados externos.

Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de Egle Leonard e revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

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