Skip to main content

Executivo da Sinovac cobrou fim de ataques à China para não atrasar insumos ao Brasil

Marcelo de Valécio   09 Junho 2021   2858   Indústria Farmacêutica
Executivo da Sinovac cobrou fim de ataques à China para não atrasar insumos ao Brasil

O presidente da Sinovac, Weidong Yan, pediu o fim dos reiterados ataques do governo Bolsonaro à China e cobrou uma mudança de posicionamento para garantir o envio de insumos ao Instituto Butantan para a produção da Coronavac. A informação consta em documento sigiloso do Itamaraty enviado à CPI da Covid, ao qual O Globo teve acesso.

Segundo o jornal, o ofício reproduz uma carta enviada pela Embaixada do Brasil em Pequim ao Ministério das Relações Exteriores com o relato de uma reunião ocorrida em 19 de maio na capital chinesa entre diplomatas e representantes brasileiros, incluindo um emissário do governo de São Paulo em Xangai, com o presidente da Sinovac.

A reunião ocorreu dias após o presidente Jair Bolsonaro falar em ‘guerra química’ e mencionar teorias conspiratórias segundo as quais o vírus da Covid-19 teria sido criado em laboratório – considerado improvável pelos cientistas – ou que teria se espalhado a partir a ingestão de um ‘animal inadequado’, em referência a vídeos que mostrariam chineses tomando sopa de morcego – hábito que não é comum na China.

Durante a reunião, Yan pediu uma mudança no posicionamento político do Brasil para que houvesse uma relação “mais fluida” entre os países e “fez questão de ressaltar a importância do apoio político para a realização das exportações, e mesmo a possibilidade de tratamento preferencial a determinados países”, conforme o documento.

Em certo momento do encontro, de acordo com relato da embaixada de Pequim, o presidente da Sinovac citou como exemplo a Indonésia e o Chile como “reflexo positivo das boas relações” com a China. Dos 12,7 milhões de doses da vacina contra Covid-19 administradas no Chile, 9% são do laboratório chinês.

“(O presidente da Sinovac) não chegou a afirmar categoricamente que haveria uma ingerência direta do governo na alocação de insumos, mas realçou a importância de um bom diálogo entre Brasília e Pequim. Afirmou que a questão não é meramente comercial, mas também diplomática. Citou, como exemplo, o reflexo positivo das boas relações que a Indonésia e o Chile mantêm com a China sobre o suprimento de vacinas para aqueles países”, diz o relato enviado ao Itamaraty, segundo O Globo.

​​Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias diariamente

Na avaliação de integrantes da CPI da Covid ouvido pelo jornal, o material contradiz a tese defendida em depoimento à comissão pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e pelo ex-chanceler Ernesto Araújo, de que as falas do presidente da República não tiveram impacto nas negociações com a China para o fornecimento de imunizantes.

De acordo com o relato da embaixada brasileira, o presidente da Sinovac disse ainda que, “apesar do bom relacionamento da empresa com o Instituto Butantan e do apoio da Chancelaria à cooperação com o Brasil, poderia ser útil que o acordo entre as empresas fosse visto como uma demanda do governo brasileiro”.

O executivo, ainda segundo o documento enviado ao Itamaraty, sugeriu que o Brasil enviasse uma correspondência, ‘no nível político’, para expressar a expectativa sobre a quantidade de insumos e o cronograma de suprimento de vacinas. “Deu a entender que esse documento poderia ajudar a empresa em suas conversações com o Waijiaobu (Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China)”.

O Ministério das Relações Exteriores não informou quais foram as medidas tomadas após a reunião com a Sinovac em Pequim.

Publicidade

Gerente da Anvisa esclarece sobre Coronavac

Em live promovida em dezembro pelo ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico o gerente-geral de Medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e professor da pós-graduação de Assuntos Regulatórios do ICTQ, Gustavo Mendes, tirou dúvidas e desmistificou algumas desinformações a respeito da Coronavac.

“Não temos nenhum tipo de preconceito ou discriminação nesse sentido. Desmistificar a questão da nacionalidade é fundamental. Não é o local que determina a qualidade de um produto”, afirmou Mendes, revelando que já trabalhou em Bangladesh, em uma região muito poluída, mas que produzia medicamentos importantes para o planeta. Durante a live, foi informado que 90% dos insumos farmacêuticos vêm da China.

De acordo com Mendes, são duas as formas definidas pela Anvisa para o uso de uma vacina. “Uma é a forma tradicional, que passa por uma série de fatores que garantam eficácia, segurança e boas práticas para a imunização. Por conta da pandemia, há também a autorização de uso emergencial, sem todas as etapas completas. Mas não significa que não se tenha segurança, os resultados são tão bons e promissores que trazem a confiança da empresa, que terá um compromisso, a fim de termos acesso de maneira mais rápida”, explicou.

O gerente da Anvisa esclareceu ainda que tudo passa por um comitê para análises de registros. “Há inspeção das boas práticas clínicas. Tem que prevenir, corrigir e recolher lotes. A qualidade da vacina que vem para o Brasil tem que ser a mesma da utilizada lá fora”, salientou.

Sobre a criação proposital do vírus em laboratório por parte da China para fins econômicos – tese insinuada por Bolsonaro e que irritou o dirigente da Sinovac –, foi rechaçada durante a live pelo farmacêutico e professor de pós-graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica do ICTQ, Thiago de Melo.

“Falar isso é leviano. Não há relatos de criação de uma organela de uma célula, que dirá um vírus, que é muito mais rebuscado”, disse o Melo. Gustavo Mendes fez coro: “Vimos uma epidemia de fake news, se disseminando em massa na população”, sobre conspirações e falsas notícias.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias farmacêuticas diariamente.

Obrigado por apoiar o jornalismo profissional

A missão da Agência de notícias do ICTQ é levar informação confiável e relevante para ajudar os leitores a compreender melhor o universo farmacêutico. O leitor tem acesso ilimitado às reportagens, artigos, fotos, vídeos e áudios publicados e produzidos, de forma independente, pela redação da Instituição. Sua reprodução é permitida, desde que citada a fonte. O ICTQ é o principal responsável pela especialização farmacêutica no Brasil. Muito obrigado por escolher a Instituição para se informar.

Mounjaro leva a Eli Lilly a registrar aumento de 50% no lucro do 4º trimestre

A Eli Lilly teve lucro de US$ 6,63 bilhões no quarto trimestre, alta de 50% na…

Pfizer cobra R$ 1 bilhão mais caro por novas doses de vacina

Em nova oferta ao Ministério da Saúde (MS), o laboratório norte-americano Pfize…

As principais demandas da indústria farmacêutica

Com a pandemia do novo coronavírus, especialmente com o desenvolvimento das vac…

Controle da qualidade de insumos farmacêuticos é fundamental para eficácia do medicamento

Quarta-feira, 28 de agosto de 2019 Especialistas são unânimes ao afirmar que p…

Vacinas contra câncer poderão estar disponíveis em 2030, prevê indústria farmacêutica

A farmacêutica americana Moderna, pioneira no desenvolvimento da tecnologia de…

Astrazeneca diz que estudos da vacina não indicam prejuízos a gestantes

Logo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendar, nesta…

Farmacêuticas correm para desenvolver comprimido contra a Covid-19

Depois das vacinas, os laboratórios farmacêuticos estão agora na corrida para d…

Desafios regulatórios para exportação de medicamentos

Quinta-feira, 19 de maio de 2016 O processo de internacionalização das indústr…

União Química desiste de fazer testes em massa da Sputnik no Brasil

Após quase cinco meses tentando, sem sucesso, obter autorização da Agência Naci…

Indústria Farmacêutica enxerga pandemia como oportunidade única para os negócios

Sexta-feira, 3 de abril de 2020 À medida que o novo coronavírus segue espalhan…