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AstraZeneca entra no mercado de canetas emagrecedoras com acordo bilionário na China

O Globo   02 Fevereiro 2026   430   Indústria Farmacêutica
AstraZeneca entra no mercado de canetas emagrecedoras com acordo bilionário na China

A AstraZeneca concordou em pagar até US$ 18,5 bilhões à chinesa CSPC Pharmaceutical por seus novos medicamentos contra a obesidade, enquanto a farmacêutica britânica tenta ganhar espaço no mercado bilionário de remédios para perda de peso.

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Pelo acordo, a AstraZeneca vai pagar US$ 1,2 bilhão por oito medicamentos em fase de testes, incluindo quatro versões injetáveis, semelhantes às chamadas “canetas emagrecedoras”, usadas para tratar obesidade e outros problemas ligados ao excesso de peso, segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira.

O presidente-executivo da empresa, Pascal Soriot, afirmou que a Astra quer lançar remédios mais baratos, mais fáceis de usar e que preservem a massa muscular, em comparação com os atuais. A companhia também vem ampliando rapidamente sua presença na China e anunciou US$ 15 bilhões em investimentos no país até 2030, durante a visita oficial do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

As ações da AstraZeneca caíram até 1% no início do pregão em Londres, depois de terem subido quase 30% em 2025. Já os papéis da CSPC recuaram até 13% em Hong Kong, com analistas apontando realização de lucros após o anúncio do acordo.

A AstraZeneca terá o direito de comercializar, fora da China, o medicamento mais avançado da CSPC, chamado SYH2082, que deve começar em breve os testes em humanos. Ele atua nos mesmos hormônios que as canetas mais populares do mercado, como o Zepbound, da americana Eli Lilly.

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Foco em aplicações mensais

O acordo também dá acesso a uma tecnologia que pode permitir aplicações mensais, um dos principais objetivos das farmacêuticas na corrida por versões mais práticas das canetas emagrecedoras. Hoje, os líderes do mercado, como Wegovy (Novo Nordisk) e Zepbound (Eli Lilly), exigem injeções semanais.

Segundo Sharon Barr, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Astra, apenas 27% dos pacientes continuam usando esse tipo de medicamento após um ano, o que mostra que a frequência das injeções ainda é uma grande barreira.

“Aplicações menos frequentes podem fazer toda a diferença para quem quer manter o emagrecimento”, afirmou.

Mercado acirrado

Além da AstraZeneca, outras gigantes também disputam esse mercado. A Amgen desenvolve uma caneta mensal chamada MariTide, e a Pfizer aposta em uma versão de longa duração adquirida no ano passado.

A AstraZeneca já havia fechado parceria com outra empresa chinesa para desenvolver um comprimido para emagrecer e também trabalha em novos medicamentos que atuam em diferentes hormônios ligados ao controle do apetite e do açúcar no sangue.

Pelo acordo, a CSPC poderá receber até US$ 3,5 bilhões conforme o avanço dos testes e aprovações e até US$ 13,8 bilhões adicionais conforme o volume de vendas.

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