A logística que envolve os medicamentos especiais
Sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Avalie este exemplo: um medicamento fabricado no Reino Unido precisa ser transportado para uma capital brasileira e ter suas condições ideais preservadas até chegar a uma clínica, um hospital, um serviço ligado ao plano de saúde ou mesmo a um cliente direto. Imagine agora a inteligência logística necessária para que este medicamento especial chegue até as mãos do usuário final em condições para o uso!
Esse transporte especializado, feito principalmente por via aérea no caso do exemplo acima, segue normas específicas. É fato que todo o segmento envolvido na produção, distribuição, transporte e armazenagem de medicamentos é responsável solidário pela identidade, eficácia, qualidade e segurança dos produtos farmacêuticos. A Portaria nº 802, de 8 de outubro de 1998 instituiu o sistema de controle e fiscalização em toda a cadeia dos produtos farmacêuticos, abrangendo produção, distribuição, transporte e dispensação.
A Portaria nº 802/1998 foi publicada antes da criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A Anvisa foi criada pela Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999. A Portaria, editada pela então Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, buscava ampliar o controle sanitário sobre a produção, distribuição, transporte e armazenagem dos produtos farmacêuticos.
Os tratamentos médicos complexos costumam contemplar medicamentos de alta tecnologia, como os de fertilidade, os hormonais e os oncológicos. Para obter esses produtos, que requerem uma logística especial de conservação, empresas e pacientes contam com distribuidores especializados, que fazem as entregas por todo o Brasil, em parceria com as companhias aéreas ou rodoviárias.
Valeska de Oliveira, mãe do pequeno Guilherme Rodrigo de Oliveira, faz a compra periódica de medicamentos de alto custo, vindo dos Estados Unidos, para o tratamento de crescimento do seu filho. Ela conta que o medicamento usado precisa de refrigeração durante todo o trajeto. Esse transporte é feito por uma distribuidora de São Paulo, em parceria com diversas companhias aéreas.
A farmacêutica responsável técnica no Aeroporto de Cabo Frio (RJ), Isabela Emilio Siqueira, explica que qualquer carga com necessidades especiais tem prioridade no armazenamento e na transferência. “A área no aeroporto é parecida com a da indústria. A temperatura e a umidade são monitoradas e há um rígido controle de acesso. O medicamento não fica exposto como uma carga qualquer”, lembra ela.
Isabela comenta ainda que os aeroportos seguem normas estabelecidas pela Anvisa e que a Agência mantém inspeção nas dependências destinadas ao armazenamento de cargas especiais.
Armazenagem e entrega em condições adequadas
“Muitos medicamentos, nem todos, são refrigerados e precisam ser armazenados e transportados na temperatura entre 2°C e 8°C. Para isso, possuímos estrutura de armazenagem, câmara fria, gerador e embalagens especiais para entregar em todo o território nacional em até 72 horas”, fala o fundador e presidente da 4BIO Medicamentos Especiais, André Kina.
Ele comenta que a empresa possui um sistema de rastreamento próprio de todos os medicamentos comercializados e embalagens especiais validadas por sua área de Qualidade, além de dispositivos que armazenam o histórico de temperatura durante o transporte.
“O Brasil é um País muito grande e há deficiência na infraestrutura logística. O desafio é entregar os medicamentos refrigerados na temperatura adequada e nos prazos corretos para atender bem aos nossos clientes. Como lidamos com a vida humana, pacientes em tratamento, precisamos ter uma gestão eficiente no atendimento e na logística”, ressalta Kina, que complementa dizendo que a empresa possui vários meios de transporte, como o aéreo e o rodoviário, e é parceira de outras companhias.
A executiva comercial da Gollog, Camila Mascarenhas, diz que sua companhia tem estruturas maleáveis e, com isso, se adequa às necessidades do cliente. Só assim consegue atender a operações delicadas como as de medicamentos especiais.
A 4BIO comercializa medicamentos de alto custo e principalmente desenvolvidos por biotecnologia. Sua estrutura conta com sistemas de refrigeração, manuseio, distribuição e transporte voltados à conservação adequada desses produtos.
Em 2015, a Raia Drogasil anunciou a aquisição de 55% da 4BIO por aproximadamente R$ 24 milhões. Na ocasião, a operação marcou a entrada da companhia no segmento de medicamentos de especialidades. A 4BIO havia faturado R$ 126 milhões em 2014 e, no primeiro semestre de 2015, registrou R$ 80 milhões em receita, crescimento de aproximadamente 40% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de Egle Leonard e revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

















