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Medicamento em teste reduz colesterol ruim em até 60%, revela estudo

Metrópoles   11 Novembro 2025   1308   Indústria Farmacêutica
Medicamento em teste reduz colesterol ruim em até 60%, revela estudo

Um medicamento experimental de uso diário reduziu em até 60% o colesterol LDL, conhecido como “ruim”. Pesquisadores acreditam que ele pode se tornar uma alternativa às terapias injetáveis usadas atualmente.

Os resultados do ensaio clínico de fase 3 foram apresentados no último sábado (8/11) durante as Sessões Científicas 2025 da Associação Americana do Coração, em Nova Orleans (EUA), e publicados em 9 de novembro no revista Jama Network.

O novo medicamento, chamado enlicitide, é o primeiro inibidor oral da proteína PCSK9, alvo das terapias mais eficazes contra o colesterol alto.

Hoje, os inibidores de PCSK9 disponíveis são aplicados por injeção subcutânea e costumam ser indicados a pacientes que não conseguem atingir níveis ideais de colesterol mesmo com o uso de estatinas e mudanças no estilo de vida. A enlicitide demonstrou eficácia semelhante aos anticorpos injetáveis já usados no mercado, como evolocumab e alirocumab.

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“Este medicamento oral tem tudo para ser um poderoso complemento aos tratamentos atuais e, com sorte, prevenir eventos cardiovasculares”, disse a cardiologista Ann Marie Navar, em comunicado. A especialista do Centro Médico da Universidade do Texas Southwestern, em Dallas, é a principal autora do estudo.

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Redução expressiva de colesterol

A pesquisa CORALreef Lipids incluiu 2.912 adultos com histórico de ataque cardíaco, derrame ou risco elevado de doença cardiovascular.

Após 24 semanas de tratamento, os participantes que receberam a pílula apresentaram reduções médias de 60% no colesterol LDL, 53% no colesterol não-HDL e 50% na proteína ApoB, que transporta gordura e colesterol ruim pelo corpo.

Sete em cada dez voluntários alcançaram uma redução de pelo menos 50% no LDL e atingiram níveis abaixo de 70 mg/dL, considerados ideais para prevenção de novos eventos cardiovasculares. O perfil de segurança foi semelhante ao do grupo que recebeu placebo, sem aumento de efeitos colaterais graves.

Ann Marie afirmou que os resultados com o uso diário de enlicitide foram “praticamente idênticos” aos observados com os injetáveis e até superiores aos de outro medicamento da mesma classe, o inclisiran, administrado por injeção semestral.

Alternativa mais prática

A enlicitide atua bloqueando a ligação da PCSK9 aos receptores de LDL no fígado, o que aumenta a eliminação do colesterol ruim da corrente sanguínea. Ao ser administrada por via oral, pode representar uma opção mais acessível e prática para pacientes que precisam de controle rigoroso dos níveis de colesterol, mas preferem evitar as aplicações.

O estudo foi conduzido em 168 centros de saúde em 14 países entre agosto de 2023 e julho de 2025. Cerca de 97% dos participantes já faziam uso de estatinas e 26% tomavam medicamentos adicionais para reduzir a absorção de colesterol.

Os pesquisadores agora aguardam os resultados do ensaio CORALreef Outcomes, que avaliará se a redução do colesterol obtida com o medicamento também se traduz em menor risco

“Os resultados são promissores e indicam uma nova etapa no tratamento do colesterol alto, especialmente para quem não alcança o controle adequado com os métodos atuais”, afirmou Navar durante o congresso.

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