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Farmacêutica especializada pelo ICTQ, deficiente visual é destaque no G1 em sua luta por inclusão

Juliana Steil, G1 Santos   27 Janeiro 2020   3746   Guia de Carreiras
Farmacêutica especializada pelo ICTQ, deficiente visual é destaque no G1 em sua luta por inclusão

A farmacêutica Grayce França, de Praia Grande, no litoral de São Paulo, tem apenas 5% da visão nos dois olhos. Com pós-graduação em produção de medicamentos pelo ICTQ, ela foi a primeira deficiente visual a apresentar um projeto autoral em um importante congresso farmacêutico. E hoje, 27 de janeiro de 2020, foi destaque no G1, portal de notícias da Globo. (Leia a matéria no G1 aqui).

Grayce perdeu 95% da visão dos dois olhos ainda durante a gestação, em uma gravidez de gêmeos onde a outra bebê não resistiu. Ela nasceu pesando apenas um quilo e, com apenas dez meses de idade, passou por uma cirurgia no coração.

Aos 15 anos, descobriu o amor pela área farmacêutica. "Com as idas e vindas do hospital, desde sempre eu já sabia que queria seguir na área da saúde. Na adolescência, descobri meu amor pela farmácia", conta.

Na faculdade, as dificuldades só a fizeram querer ainda mais seguir seu sonho. "Minhas provas eram feitas especialmente pra mim, por terem que ser escritas em fonte maior, para eu enxergar". Grayce contava ainda com o auxílio de professores e colegas de turma para acompanhar as aulas. "Os professores liam as questões das provas que eu não conseguia enxergar. Com as apostilas, meus colegas me ajudavam", recorda.

No mercado de trabalho, Grayce conheceu a falta de inclusão e suas consequências. "Não respeitavam minha posição de trabalho, achavam que eu não deveria estar lá, além de não adequarem o ambiente de trabalho às minhas necessidades", desabafa.

Entre as necessidades que sentiu, estava a falta de programas nos computadores para acessibilidade para pessoas com deficiência visual, lupa eletrônica e salas com espaço entre as mesas e cadeiras para melhor acesso. "Sempre esbarrei em mesas e cadeiras, além de já ter caído em uma cadeira com rodinhas", conta.

Em outubro, Grayce foi a primeira pessoa com deficiência visual a discursar no XX Congresso Farmacêutico de São Paulo, um dos mais importantes na área. "Reivindiquei melhorias no tratamento e estudo de pessoas que não enxergam. Quero abrir caminhos para mais estudiosos e também para os consumidores que não enxergam".

Entre os projetos para as pessoas com deficiência visual, está a reivindicação das bulas especiais, em formato de áudio e braile. "As pessoas ainda não têm informações sobre esse tipo de serviço", observa Grayce. "Eu proponho às farmácias que entrem em contato com os fabricantes dos remédios para conseguir as bulas". Além disso, mudança no tratamento profissional. "Capacitação personalizada para profissionais da saúde", finaliza.

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