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Farmacêutica descobre efeitos do zika vírus no cérebro de adultos

Wandy Ribeiro   11 Dezembro 2019   19321   Guia de Carreiras
Farmacêutica descobre efeitos do zika vírus no cérebro de adultos

De acordo com dados do Ministério da Saúde, desde o início da epidemia, o zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, foi responsável por milhares de casos suspeitos de Síndrome Congênita do Zika no Brasil, infectando células cerebrais de bebês ainda em desenvolvimento no útero materno e causando microcefalia. Entretanto, o que muita gente não sabe é que a infecção também pode causar danos neurológicos graves em adultos.

Uma recente pesquisa com repercussão mundial liderada pela farmacêutica e neurocientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cláudia Figueiredo, conseguiu decifrar os efeitos do vírus no cérebro de adultos. “O zika assustou e surpreendeu o mundo ao causar microcefalia e uma síndrome de anomalias congênitas em bebês. Agora, se comprova que também causa efeitos severos em adultos ao afetar as áreas do cérebro associadas à memória e aos movimentos”, explica a pesquisadora em entrevista ao jornal O Globo.

Em matéria publicada pela BBC, a farmacêutica ainda detalhou mais sobre os efeitos que o vírus pode causar em células neurais maduras.  "Um paciente saudável, que não tenha fatores de risco de desenvolver doenças neurológicas ou psiquiátricas, pode não desenvolver nada (nenhuma complicação). Mas um paciente que tem tendência à demência ou é mais idoso, por exemplo, pode desenvolver mais problemas. Isso torna muito difícil avaliar o que o vírus é capaz de causar e por quanto tempo", enfatiza.

Com a descoberta, o estudo também conseguiu identificar drogas com potencial para o tratamento dos distúrbios neurológicos causados pela infecção, que podem gerar nos pacientes desde desorientação a perda de memória e coordenação motora, até paralisia em casos mais graves. De acordo com a farmacêutica, a pesquisa abre possibilidades para a criação de políticas públicas no sentido de mapear pessoas com distúrbios neurológicos causados pelo zika vírus.

A neurocientista também ressalta que novas medidas nesse sentido são primordiais para avanços no tratamento dos pacientes e até para redução de gastos no sistema de saúde pública. “A zika, como as demais doenças do aedes, como a chikungunya e a dengue, são subnotificadas e temos visto emergir uma série de novos acometimentos, como os neurológicos. Nosso estudo pode contribuir para o diagnóstico e o tratamento", finaliza a pesquisadora.

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