Skip to main content

OMS vê aumento preocupante da gonorreia resistente a antibióticos

Metrópoles   21 Novembro 2025   740   Farmácia Hospitalar
OMS vê aumento preocupante da gonorreia resistente a antibióticos

A gonorreia, infecção sexualmente transmissível, está ficando cada vez mais difícil de tratar segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Novos dados divulgados pela entidade mostram que a bactéria tem apresentado grande resistência aos principais antibióticos usados no combate à doença.

O relatório foi publicado nessa quarta feira (19/11), no início da Semana Mundial de Conscientização sobre a Resistência Antimicrobiana. O documento reforça a necessidade de ampliar a vigilância, melhorar o acesso ao diagnóstico e garantir que novos tratamentos cheguem aos pacientes de forma mais equitativa.

O programa de monitoramento da OMS, criado em 2015, compila dados laboratoriais e clínicos de diversos países para acompanhar a evolução dessa resistência e orientar políticas de saúde.

“Este esforço global é essencial para rastrear, prevenir e responder à gonorreia resistente a medicamentos e para proteger a saúde pública em todo o mundo. A OMS apela a todos os países para que abordem os níveis crescentes de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e integrem a vigilância da gonorreia nos programas nacionais de ISTs”, afirma Tereza Kasaeva, diretora do departamento de HIV, tuberculose, hepatite e ISTs da OMS, em comunicado.

Receba nossas notícias por e-mail: Cadastre aqui seu endereço eletrônico para receber nossas matérias

Resistência cresce de forma acelerada

Os dados mostram que, entre 2022 e 2024, a resistência às duas principais opções de tratamento, ceftriaxona e cefixima, aumentou de forma expressiva. No caso da ceftriaxona, a taxa passou de 0,8% para 5%.

Já a resistência à cefixima subiu de 1,7% para 11%. Além disso, a resistência à ciprofloxacina chegou a 95%. A única taxa que se manteve estável foi a da azitromicina, em 4%, embora o patamar continue sendo considerado alto.

Publicidade

Camboja e Vietnã registraram as maiores taxas de resistência. No total, 12 países enviaram dados à OMS em 2024, número maior que os quatro países participantes em 2022. A ampliação é vista como um avanço, já que ajuda a mapear a circulação das cepas mais resistentes. No conjunto, esses países relataram 3.615 casos de gonorreia.

A maioria dos registros veio da Região do Pacífico Ocidental, com destaque para Filipinas, Vietnã, Camboja e Indonésia. A Região Africana respondeu por 28% dos casos, seguida pelos países do Sudeste Asiático, do Mediterrâneo Oriental e das Américas, estas últimas com participação menor. O Brasil foi um dos países que contribuíram com os dados.

O levantamento também revela o perfil dos pacientes. A idade mediana foi de 27 anos. Entre os casos relatados, 20% eram homens que fazem sexo com homens e 42% disseram ter tido múltiplos parceiros sexuais no mês anterior. Parte dos pacientes relatou uso recente de antibióticos ou viagens internacionais.

Novas estratégias e desafios

A OMS avançou na vigilância genômica em 2024, com quase 3 mil amostras sequenciadas. Também foram conduzidos estudos sobre novos medicamentos, como zoliflodacina e gepotidacina, além de pesquisas sobre o uso preventivo da doxiciclina. Os resultados podem orientar futuras estratégias de controle e tratamento.

O programa de monitoramento também ampliou sua participação, com a entrada do Brasil, Catar e Costa do Marfim. Apesar dos avanços, a OMS reconhece que ainda existem obstáculos importantes. Entre eles estão o financiamento insuficiente, dados incompletos e a falta de informações sobre mulheres e infecções extragenitais.

A organização reforça a necessidade de investimentos urgentes em sistemas de vigilância para conter o avanço da resistência antimicrobiana e evitar que a gonorreia se torne ainda mais difícil de tratar.

Participe também: Grupos de WhatsApp e Telegram para receber notícias

Nova cepa do vírus da mpox recombinante preocupa OMS e testes mostram que antiviral mais usado não é eficaz

Recentemente, em fevereiro de 2026, dois achados simultâneos reposicionaram o d…

Paciente celebra um ano de remissão total do câncer após terapia CAR-T Cell.

Paulo Peregrino, o paciente que passou por um tratamento considerado revolucion…

Protocolo do tratamento de câncer de mama

O câncer de mama é uma das doenças oncológicas mais incidentes entre a populaçã…

Creme antisséptico desenvolvido no Brasil inativa vírus da Mpox e suas variantes

Um creme antisséptico para mãos desenvolvido no Brasil mostrou ser efetivo na p…

Farmacêutico oncológico amplia prevenção ao câncer no Brasil

O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, segundo…

Forças armadas contrata farmacêuticos: salário R$ 4.963,43

Devido à pandemia, o Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília (DF), lanço…

Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas de doenças genéticas no SUS

Ministério da Saúde publicou documento que orienta profissionais de saúde de to…

Japão faz 1º transplante de pulmão de doador vivo para paciente com coronavírus

O Hospital Universitário de Kyoto, no Japão, realizou com sucesso nesta quarta-…

CIA agora apoia hipótese de que vazamento de laboratório está na origem da Covid-19

Antes, a CIA dizia que não tinha informações suficientes para concluir se a pan…

SUS passa a oferecer medicamento inédito para tratamento do câncer de mama

Primeiro lote chegou nesta segunda-feira (13). Com investimento total de R$ 159…